A fila de espera do INSS atingiu 2,96 milhões de requerimentos pendentes em novembro de 2025, batendo o maior patamar da história. O número representa uma explosão de pedidos represados que críticos interpretam como o resultado do não cumprimento da promessa de campanha do presidente Lula de zerar essas filas.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
A promessa que virou pesadelo para aposentados
Quando Lula assumiu em janeiro de 2023, havia 1,23 milhão de pedidos aguardando análise. Três anos depois, o trabalhador brasileiro se vê diante de um cenário ainda mais dramático. Observadores políticos apontam que houve alta de 132,4% na fila dos benefícios desde a posse do petista.
O que era para ser solução virou problema maior. A fila atual é 45,5% maior que o pico registrado no governo anterior, que foi de 2,03 milhões de requerimentos em janeiro de 2020. Não é apenas um aumento — críticos classificam como uma deterioração completa do serviço público que mais deveria proteger quem trabalhou a vida inteira.
Aliás, o tempo de espera varia drasticamente pelo país. Na região Sul e em São Paulo, a fila não passa de 45 dias. Já na região Nordeste, está em 188 dias. Uma desigualdade que revela como o Estado brasileiro funciona de forma diferente dependendo de onde você mora.
Para tentar amenizar o desastre, o INSS retomou a concessão de bônus em dinheiro aos funcionários que trabalharem em mais análises de processos, com cada funcionário podendo receber R$ 68 por finalização adicional. Uma medida que admite o óbvio: sem incentivo extra, o serviço não funciona.
A estratégia que gera questionamentos: segurar fila para conter gastos?
Documentos revelam uma realidade ainda mais preocupante. Há quem interprete que a situação teve como pano de fundo a necessidade de desacelerar o avanço dos gastos no curto prazo, com documentos afirmando que as ações para reduzir as filas “precisaram de enérgica moderação dada a prevalência do cenário de restrição orçamentária”.
Críticos no debate público questionam se o governo Lula deliberadamente segurou a fila. Segundo fontes consultadas pela imprensa, sob orientação da Casa Civil e do Ministério da Fazenda, o instituto teria usado o programa de enfrentamento à fila para priorizar processos de revisão de benefícios ou apuração de irregularidades no segundo semestre de 2024.
Observadores apontam que a medida visava “equilibrar o Orçamento” e congelar R$ 15 bilhões em despesas livres em 2024, evitando pagamentos imediatos, mas criando passivos futuros. Uma manobra contábil às custas de milhões de trabalhadores que dependem desses benefícios para sobreviver.
Como analistas financeiros explicam, o represamento de benefícios gera uma economia no curto prazo, mas também deixa uma conta futura, pois é preciso pagar correção monetária e juros ao segurado. O governo empurra o problema com a barriga, criando uma bola de neve que custará ainda mais caro depois.
Investigações bilionárias envolvem filho do presidente
Enquanto milhões esperam na fila, um escândalo de proporções gigantescas vem sendo investigado no INSS. A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que vai investigar menções a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em materiais coletados na apuração sobre o esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.
A autoridade policial quer saber se o filho do presidente atuou como “sócio oculto” do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negócios do governo. As investigações apontam para um esquema de desvios que pode ter sangrado bilhões dos cofres públicos.
À PF, Edson Claro, ex-braço direito do Careca, contou que Lulinha tinha o próprio “mensalão” no esquema, com pagamentos de R$300 mil/mês. De acordo com depoimentos e documentos, ao ordenar o pix para Lulinha, via RL, Careca justificava assim: “É para o filho do rapaz”.
A saída de Lulinha do país acontece no contexto das investigações da Polícia Federal sobre seu suposto envolvimento com Antonio Carlos Camilo Antunes. Até o momento, há quem interprete que Lulinha não contratou defesa jurídica nem foi localizado para se manifestar sobre as acusações.
O sistema previdenciário que não funciona mais
O INSS se tornou um símbolo de tudo o que críticos libertários apontam como defeitos no Estado brasileiro. Um sistema que deveria garantir segurança para quem trabalhou décadas se transformou numa loteria burocrática. Quem tem sorte consegue o benefício em 45 dias. Quem não tem, pode esperar mais de seis meses.
A inversão da pirâmide etária no Brasil torna esse modelo ainda mais insustentável. Nascem menos pessoas e a população vive mais tempo. Matematicamente, há menos trabalhadores ativos para sustentar um número crescente de aposentados. Observadores econômicos classificam como um sistema condenado ao colapso.
O problema não é técnico — é estrutural. Na perspectiva libertária, o INSS funciona como uma máquina de transferir renda dos trabalhadores jovens para os aposentados, mas no meio do caminho alimenta uma burocracia gigantesca e ineficiente. Parte significativa do dinheiro se perde em custos administrativos e, aparentemente, em esquemas de corrupção.
Dos benefícios revisados pelo INSS, cerca de 50% foram considerados indevidos. Ainda assim, a economia obtida (R$ 2,4 bilhões) frustrou as expectativas iniciais da equipe econômica. Mesmo cortando benefícios em massa, o sistema continua deficitário.
Greves e mais ineficiência
Em julho de 2024, os funcionários do INSS entraram em greve. Reivindicavam aumento salarial e melhores condições de trabalho. Ficaram com as atividades parcialmente paralisadas até novembro do mesmo ano, quando fizeram acordo com o Ministério da Gestão e Inovação.
Enquanto milhões aguardavam na fila, os servidores paralisaram ainda mais o atendimento. Uma greve de quatro meses que aprofundou o caos e mostrou quem realmente paga a conta: o trabalhador que contribuiu a vida inteira e agora precisa do benefício.
A solução proposta pelo governo foi mais dinheiro para os mesmos servidores. Uma das medidas retoma a concessão de bônus em dinheiro aos funcionários que trabalharem em mais análises de processos. Cada funcionário poderá requisitar novas tarefas e receber R$ 68 por finalização adicional.
É a admissão de que o sistema só funciona com o que críticos chamam de “suborno institucionalizado”. Os servidores recebem salários para fazer seu trabalho, mas só trabalham direito se receberem um extra. E quem paga essa conta é sempre o mesmo: o contribuinte.
A fila nacional: mais uma tentativa desesperada
A mudança mais recente anunciada pelo INSS é a criação de uma fila nacional e única de atendimento. Com a nova medida, o INSS passa a ter uma fila única em todo o país, na qual os processos ficam centralizados e podem ser distribuídos de acordo com a capacidade de análise das equipes em qualquer região.
Em vez de cada agência ou estado “travar” seus próprios pedidos, agora eles podem ser analisados por servidores em outras regiões com menor demanda — isso ajuda a reduzir desigualdades no tempo de espera entre localidades com filas maiores e menores.
É mais uma medida paliativa que não ataca o problema real. O INSS tem uma fila nacional porque não consegue processar os pedidos no tempo adequado. Redistributir a incompetência entre as regiões não resolve a incompetência em si.
A estratégia revela a mentalidade estatista: em vez de simplificar os processos ou automatizar o que pode ser automatizado, criam-se mais camadas de burocracia. A fila nacional é apenas uma forma de esconder a ineficiência regional numa ineficiência ainda maior.
O custo real da promessa quebrada
A promessa de zerar a fila do INSS foi uma das bandeiras de Lula durante a campanha de 2022 e reforçada em seus primeiros discursos no governo. No entanto, críticos apontam que, quase três anos depois, o número de brasileiros à espera de aposentadorias, pensões e auxílios é mais que o dobro do registrado no início do mandato.
Observadores políticos classificam não como apenas uma promessa não cumprida, mas como uma mentira deslavada. Os números mostram que a situação piorou dramaticamente. Em agosto de 2025, o número chegou a 2,63 milhões, um aumento de 114%. Somente no último ano, entre agosto de 2024 e agosto de 2025, o número de pedidos em espera subiu 135%.
Enquanto isso, o presidente Lula afirmou que não intercederá pelo filho em uma eventual investigação. “Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado. […] Não é possível você admitir num país em que milhões de aposentados que ganham um salário mínimo ter alguém querendo se apropriar, expropriar, o dinheiro do aposentado com promessas falsas”.
A ironia é gritante. O presidente fala em proteger aposentados que ganham salário mínimo enquanto seu próprio governo represou deliberadamente o pagamento de benefícios para equilibrar as contas. E enquanto isso, surgem evidências de que pessoas próximas ao governo podem ter se beneficiado do caos administrativo.
Uma questão de liberdade individual
Na visão libertária, o INSS se tornou um símbolo de tudo que está errado no modelo estatal brasileiro. Um sistema que deveria servir o cidadão, mas que na prática serve aos interesses de quem está no poder. A fila de 3 milhões de pessoas não é um acidente — é o resultado de décadas de má gestão, interferência política e, possivelmente, corrupção sistêmica.
O trabalhador brasileiro merece coisa melhor do que esperar seis meses por um benefício que já é seu por direito. Mas enquanto o sistema permanecer nas mãos do Estado, com todos os vícios e interesses que isso representa, a fila só tende a crescer.
Para defensores da liberdade individual, essa situação expõe a fragilidade de depender do Estado para garantir a própria aposentadoria. Afinal, quando o governo controla completamente o sistema previdenciário, o cidadão fica refém de decisões políticas e burocráticas que podem priorizar outros interesses.
Diante de tamanha incompetência e possível má-fé, uma pergunta se impõe: não seria hora de repensar completamente esse modelo falido e dar ao trabalhador o controle sobre sua própria aposentadoria?
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 19/01/2026 12:33



