Com temperaturas chegando a -19°C em Kiev e um dos invernos mais rigorosos em 14 anos, a Ucrânia enfrenta um cenário crítico: 30.000 famílias sem eletricidade em Odessa, escolas fechadas por duas semanas na capital e apenas 9 horas de energia por dia em média. Ao mesmo tempo, o comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas Syrskyi anuncia operações ofensivas para 2026, afirmando que “não se pode vencer uma guerra apenas na defesa”.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
O Frio como Arma: Recordes de Temperatura e Infraestrutura Destruída
A situação energética ucraniana está, segundo relatos da imprensa, no limite do colapso. Com apenas 37,3% do dia com energia elétrica disponível, famílias enfrentam temperaturas que chegam a -20°C sem aquecimento ou eletricidade.
Os ataques russos, reportam fontes ucranianas, visam deliberadamente a infraestrutura energética, com mais de 145 drones lançados em uma única noite. Este é o inverno mais severo em 14 anos na região, com fenômenos raros como o congelamento de águas salgadas perto de Odessa — algo que não acontecia há mais de uma década.
A estratégia russa parece clara nos relatos: usar o frio como arma para quebrar a resistência ucraniana. Autoridades ucranianas denunciam que Moscou planeja atacar subestações ligadas às usinas nucleares para desligar completamente o país do aquecimento e energia.
Do outro lado, analistas observam que a Rússia também sofre com o frio extremo. Nas primeiras duas semanas de janeiro, as forças russas avançaram apenas 300 km² e libertaram oito povoados — um progresso módico considerando os recursos empregados.
Syrskyi Promete Contraofensiva: Estratégia Real ou Manobra Diplomática?
Em entrevista à imprensa ucraniana, o comandante-chefe Syrskyi anunciou planos para operações ofensivas em 2026, declarando que “não se pode alcançar a vitória através da defesa”. O objetivo, segundo ele, não seria grandes avanços territoriais, mas operações locais para forçar a Rússia a redistribuir forças dos fronts prioritários.
A urgência ucraniana se justifica pelos números russos divulgados pela imprensa: Moscou planeja mobilizar mais de 400.000 tropas em 2026 e formar pelo menos 11 novas divisões, aproveitando um potencial de mobilização estimado em 20 milhões de pessoas.
Analistas apontam problemas críticos nas forças ucranianas: escassez catastrófica de pessoal treinado e dependência de armas ocidentais que diminuíram drasticamente. Observadores militares questionam se é estratégia real ou manobra para impressionar doadores ocidentais.
A Manobra de Distração: Trump Usa Groenlândia Contra a Europa
O ex-secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen acusa Trump de usar a Groenlândia “como uma arma de distração em massa das verdadeiras ameaças”, desviando a atenção da guerra na Ucrânia.
A Alta Representante da UE Kaja Kallas alertou que os Estados Unidos não devem desviar o foco da Ucrânia para a Groenlândia, pedindo que Washington mantenha a prioridade no fim da guerra russa.
Trump anunciou tarifas progressivas de 10% (subindo para 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia — condicionando a suspensão à “compra completa e total” da Groenlândia.
A estratégia funciona perfeitamente para Putin, segundo observadores. Reuniões de segurança europeias, originalmente convocadas para discussões ucranianas, são dedicadas inteiramente à Groenlândia. Uma cúpula extraordinária da UE será realizada na quinta-feira sobre o tema, enquanto Zelensky fica frustrado por não conseguir pressionar Trump por garantias de segurança.
Rússia e China celebram as divisões transatlânticas. Kallas alertou que “eles devem estar em festa” com as tarifas Trump, que beneficiam apenas Moscou e Pequim ao enfraquecer a unidade ocidental.
A Guerra de Atrito que Putin Precisa Vencer Rapidamente
Os números revelam por que Putin tem pressa. Entre 1° e 11 de janeiro de 2026, a Ucrânia lançou 4.111 projéteis contra alvos civis russos, resultando em 45 mortes e 107 feridos.
As forças ucranianas conseguem atacar território russo com 92 drones numa única noite, cortando energia de 600.000 moradores na região de Belgorod durante o rigoroso inverno.
A economia russa dá sinais preocupantes conforme relatado pela mídia. Dados de janeiro de 2026 mostram que a média de eletricidade disponível caiu para apenas 9 horas por dia na Ucrânia, mas a Rússia também sofre com ataques à sua infraestrutura energética.
O frio extremo pode facilitar avanços russos ao congelar rios que servem de barreiras naturais, mas também afeta mais o equipamento ucraniano que o russo, segundo analistas militares. O resfriamento prejudica baterias de drones ucranianos, enquanto equipamentos russos seriam mais adaptados ao frio do inverno europeu.
O Custo Humano de uma Guerra Sem Fim
Dados da ONU mostram que 2025 foi o ano mais letal para civis na Ucrânia desde o início da guerra. Ataques com armas de longo alcance causaram 682 mortos e 4.443 feridos civis, um aumento de 65% em relação a 2024.
Famílias ucranianas estão em “modo de sobrevivência”, usando cobertores, fogareiros e aquecedores portáteis quando a energia chega apenas algumas horas por dia. O risco de hipotermia, doenças respiratórias e problemas de saúde mental é altíssimo.
Kiev precisa de 1.700 megawatts para servir seus 3,6 milhões de habitantes, mas pela primeira vez na história da cidade, a maior parte ficou sem aquecimento com escassez enorme de eletricidade em condições de frio tão intenso.
Para milhões de pessoas, a guerra deixou de ser sobre território ou geopolítica. É uma luta diária pela sobrevivência contra o frio, a fome e a destruição sistemática de tudo que torna a vida possível.
Por Que Trump Escolheu Exatamente Agora para a Distração da Groenlândia
O timing da ofensiva diplomática de Trump sobre a Groenlândia não parece ser coincidência, segundo analistas. Delegações ucranianas chegaram aos EUA para negociações sobre paz, tentando finalizar documentos para propostas de acordo alinhadas com garantias de segurança pós-guerra.
As discussões em Davos, que inicialmente teriam foco na Ucrânia, passaram a incluir a crise sobre a Groenlândia. O objetivo europeu era fortalecer a posição antes dos encontros com Trump, evitando ruptura na aliança ocidental vista como essencial para a segurança da Europa.
Trump conseguiu o que Putin nunca alcançou sozinho: dividir completamente a atenção europeia. O debate se intensificou após ameaças de tarifas contra países europeus envolvidos em exercícios militares na Groenlândia, com diplomatas classificando as ações como “métodos mafiosos”.
A estratégia é genial na sua simplicidade: forçar a Europa a escolher entre defender a soberania dinamarquesa ou manter o apoio à Ucrânia. Como os recursos diplomáticos e financeiros são limitados, qualquer energia gasta na crise da Groenlândia é energia retirada do esforço ucraniano.
A Perspectiva Libertária: Quando o Estado Joga Vidas Humanas
Para defensores da liberdade individual, essa situação expõe a face mais cruel do estatismo desenfreado. Enquanto políticos jogam xadrez geopolítico, milhões de pessoas comuns pagam o preço com suas vidas, liberdade e dignidade.
Na visão libertária, o nível de controle que Estados exercem sobre a vida dos cidadãos — seja através de guerras, seja através de pressões econômicas — ultrapassa qualquer limite aceitável em uma sociedade livre. O que vemos é a aplicação brutal do princípio de que poder concentrado inevitavelmente será abusado.
A Verdadeira Guerra Está nos Números
Enquanto políticos fazem discursos inflamados, os números contam a história real. A Ucrânia tem reservas de combustível para apenas 20 dias, numa situação energética descrita como “muito difícil” pelo primeiro-ministro. O FMI promete novo programa de empréstimos de 8,1 bilhões de dólares, mas muito mudou desde o acordo preliminar de novembro.
Do lado russo, há sinais contraditórios. Enquanto as forças continuam avançando em pequenos incrementos, conquistaram apenas 300 km² em duas semanas de janeiro — um ritmo que sugere exaustão das forças de ataque. A guerra de atrito favorece quem tem mais recursos a longo prazo, e Kiev está claramente perdendo essa equação, com a derrota se tornando mais pronunciada em 2026.
O inverno de 2026 pode ser o último da guerra — não porque alguém vai vencer decisivamente, mas porque uma das partes pode não ter recursos para continuar combatendo quando a primavera chegar.
A questão que permanece é simples: Putin conseguirá quebrar a resistência ucraniana antes que Trump termine de destruir o apoio europeu? Ou a Ucrânia encontrará forças para a ofensiva prometida por Syrskyi, mesmo com a Europa distraída pela Groenlândia e o frio matando civis todos os dias?
Diante de tudo isso, uma coisa é certa: enquanto diplomatas discutem soberania ártica em salas aquecidas, milhões de ucranianos lutam para sobreviver a mais um dia de uma guerra que parece não ter fim.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 19/01/2026 11:31
Fontes
- Pravda PT – Syrsky: As Forças Armadas da Ucrânia não ficarão de braços cruzados se defendendo sozinhas
- Pravda PT – Comandante-em-Chefe ucraniano Oleksandr Syrskyi
- Agência Brasil – Trump quer tarifar países europeus contrários à compra da Groenlândia
- CNN Portugal – Guerra ao Minuto
- Pravda PT – Dados do Ministério da Defesa para a próxima semana do SVO



