O presidente americano Donald Trump surpreendeu analistas diplomáticos ao afirmar à Reuters que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky representa o principal obstáculo para um acordo de paz na Ucrânia. A declaração acontece no momento em que forças ucranianas atacaram uma importante fábrica de explosivos em território russo.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
A reviravolta diplomática: Putin cooperativo, Zelensky resistente?
Em entrevista direta, Trump disse acreditar que Putin está “pronto para fazer um acordo” enquanto “a Ucrânia está menos disposta”. Quando questionado sobre por que as negociações lideradas pelos EUA não encontraram solução, a resposta foi simples: “Zelensky”.
A mudança de posição é notável. Durante meses, a narrativa oficial era que Moscou não demonstrava interesse genuíno em negociar. Agora, segundo o presidente americano, a resistência estaria do outro lado da mesa.
O timing dessas declarações chama atenção. A reunião em Mar-a-Lago aconteceu após Trump conversar com Putin por mais de duas horas, em ligação descrita pela Casa Branca como “positiva”. Críticos questionam se existe influência excessiva do líder russo sobre as decisões americanas.
Kiev intensifica ataques: fábrica de explosivos na mira
Enquanto Trump atribui o impasse à posição ucraniana, as forças de defesa da Ucrânia atacaram a planta química Nevinnomyssk Azot na região russa de Stavropol Krai. A instalação não é um alvo qualquer — produz componentes explosivos essenciais para o complexo militar-industrial russo.
A fábrica tem capacidade de produção superior a 1 milhão de toneladas de amônia e até 1,4 milhão de toneladas de nitrato de amônio anualmente. Fornece matérias-primas para explosivos RDX e HMX, usados em projéteis de artilharia e ogivas de mísseis.
O ataque demonstra capacidade ucraniana de atingir alvos estratégicos em território russo, mesmo com a fábrica localizada a cerca de 250 quilômetros da fronteira ucraniana. Em dezembro de 2025, as forças ucranianas já haviam atingido essa mesma instalação.
90% de acordo, mas o que falta pode ser decisivo
Segundo declarações públicas, Zelensky afirmou que 90% de um plano de paz de 20 pontos já foi acordado. Ambos os líderes chamaram questões territoriais como o Donbas de “questão muito difícil”.
A resistência ucraniana tem fundamento democrático. Diferentemente de Putin, que governa um sistema autoritário, Zelensky precisa prestar contas ao parlamento e ao povo. Qualquer acordo final precisaria cumprir a lei ucraniana e refletir a vontade popular, potencialmente exigindo aprovação parlamentar ou referendo nacional.
“Nossa sociedade também tem que escolher e decidir quem tem que votar, porque é sua terra — a terra não de uma pessoa”, declarou o presidente ucraniano, evidenciando o contraste entre sistemas democráticos e autoritários nas negociações.
Contradições na estratégia americana
A posição de Trump gera questionamentos sobre coerência estratégica. Se realmente considera Zelensky o principal obstáculo, por que continua fornecendo armas à Ucrânia? O próprio Trump impôs sanções à Rússia e fornece armamentos a Kiev.
Observadores diplomáticos notam que o presidente americano “às vezes aceita as garantias de Putin mais prontamente do que alguns aliados americanos”, frustrando autoridades em Kiev e na Europa. Essa tendência preocupa parceiros tradicionais dos Estados Unidos.
As negociações são conduzidas pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Trump. Em termos gerais, os negociadores americanos pressionaram Kiev a abandonar a região oriental de Donbas como parte de qualquer acordo.
Ucrânia demonstra força militar
Longe de mostrar fraqueza, a Ucrânia intensifica operações militares. Nas últimas 48 horas, forças ucranianas destruíram seis sistemas de defesa antiaérea russos nas regiões de Donetsk e Zaporizhia. Na região de Kharkiv, a Guarda Nacional ucraniana repeliu assalto russo, causando cerca de 70 baixas inimigas.
Em Donetsk, a 14ª Brigada conseguiu atingir tanques e veículos blindados russos, impedindo ataque planejado. Os russos tentaram proteger equipamentos com placas e espinhos contra drones, mas táticas ucranianas encontraram vulnerabilidades.
Números do campo de batalha mostram 150 baixas russas diárias entre mortos, feridos graves e prisioneiros. Apenas corpos confirmados por vídeo chegam a 172 mortos diários. Os russos continuam tentando avançar sem sucesso significativo, acumulando perdas consideráveis.
Táticas questionáveis: usina nuclear como escudo
Há relatos de concentração significativa de tropas russas na usina nuclear de Zaporizhia. Críticos militares interpretam isso como uso de instalação nuclear como “escudo humano”. Recentemente foi assinado acordo de cessar-fogo impedindo ataques à usina, mas tropas russas estariam usando o local para operações militares.
Os russos supostamente treinam operadores de drones e lançam ataques contra Zaporizhia a partir da própria usina nuclear. Os ucranianos não podem atacar devido ao risco de desastre nuclear, enquanto os russos aproveitam essa proteção para montar operações no local.
Pokrovsk continua simbolizando dificuldades russas. A cidade que deveria ter caído há meses ainda permanece parcialmente sob controle ucraniano. Os russos não conseguem divulgar mapas oficiais da situação porque ela estaria se deteriorando para suas forças.
Proximidade com Putin levanta questionamentos
Trump disse ao WABC que pensava que a guerra “teria sido fácil porque eu me dou bem com ele”, referindo-se a Putin. Essa proximidade gera debates sobre independência das decisões americanas nas negociações.
O presidente periodicamente expressa frustração com a continuidade da guerra, depois de prever na campanha eleitoral que resolveria o conflito antes mesmo de tomar posse. Nos últimos meses, reconheceu que encerrar a guerra tem sido mais desafiador do que esperava.
A mudança de posição aconteceu após conversas com Putin. Para analistas, Trump pode estar sendo influenciado pelo líder russo, que tem décadas de experiência em inteligência e conhece métodos de influenciar políticos ocidentais.
Exigências russas permanecem inaceitáveis
Moscou não demonstra sinais de recuar em suas demandas territoriais. Putin historicamente teve como objetivo principal assegurar porções específicas de território ucraniano. O líder russo disse que continuará lutando até que a Ucrânia retire tropas de todas as regiões anexadas pela Rússia.
As exigências russas são inaceitáveis para qualquer país soberano. Putin quer que a Ucrânia desista de territórios reconhecidos internacionalmente como ucranianos. Isso equivaleria a recompensar agressão militar e estabelecer precedente perigoso globalmente.
Seus comentários contrastam com visões de aliados europeus, que argumentam que Moscou tem pouco interesse genuíno em encerrar a guerra. A Europa compreende que ceder à Rússia hoje significaria enfrentar demandas maiores amanhã.
Perspectiva libertária: democracia versus autoritarismo
Na visão libertária, a guerra na Ucrânia representa confronto entre modelos societários fundamentalmente distintos. Zelensky simboliza país que escolheu democracia e Estado de Direito, enquanto Putin representa regime que suprime oposição e invade vizinhos.
Defensores da liberdade individual argumentam que apoiar resistência democrática ucraniana transcende política partidária. Existe movimento poderoso na América em apoio à Ucrânia, tanto entre democratas quanto republicanos na sociedade. A sociedade americana compreende que apoiar democracia ucraniana significa defender valores fundamentais.
Para libertários, a questão central não é se Zelensky aceita negociar, mas se Putin negocia de boa fé, sem tentar apropriar-se de territórios ucranianos. Enquanto a Rússia mantiver demandas inaceitáveis, qualquer “acordo” seria capitulação disfarçada.
Implicações para ordem mundial
Se Trump forçar a Ucrânia a aceitar demandas russas, críticos argumentam que estabeleceria precedente catastrófico. Países autoritários mundialmente entenderiam que agressão militar compensa. China observa Taiwan, Coreia do Norte observa o Sul, Irã observa vizinhos.
A resistência ucraniana não representa teimosia, mas legítima defesa de país democraticamente eleito contra invasor autoritário. Zelensky não pode simplesmente entregar territórios porque Trump considera conveniente para negociações com Putin.
Os aliados europeus já manifestaram preocupação com a abordagem de Trump. A Europa entende que ceder à Rússia hoje significa enfrentar demandas maiores amanhã.
A realidade no campo de batalha mostra que a Ucrânia não está perdendo. Os russos acumulam baixas enormes sem avanços significativos. A estratégia de ataques ucranianos contra infraestrutura militar russa está apresentando resultados.
O que está realmente em jogo não é conveniência diplomática, mas princípio de que democracias não devem capitular a ditadores. Se fazem isso com países soberanos, imagine as implicações para cidadãos individuais em sociedades livres?
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 15/01/2026 11:32



