A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) revelou movimento significativo no cenário eleitoral de 2026. Lula mantém a liderança em todos os cenários, mas Flávio Bolsonaro emerge como seu principal adversário, oscilando entre 23% e 32% das intenções de voto. Os números indicam que a disputa de 2026 pode ser mais acirrada do que muitos imaginavam.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
Flávio Bolsonaro ganha força na disputa
O senador Flávio Bolsonaro demonstrou capacidade de crescimento desde que foi lançado como pré-candidato em dezembro de 2025. No levantamento da Genial/Quaest, ele aparece consistentemente em segundo lugar, consolidando-se como o nome da direita com maior potencial eleitoral no momento.
Entre os eleitores bolsonaristas, Flávio alcança 77% das intenções de voto, segundo os dados. Já na chamada “direita não bolsonarista”, menos da metade (48%) votariam no senador, indicando que seu desafio será justamente conquistar o eleitor conservador que tem resistência ao sobrenome Bolsonaro.
A pesquisa mostra que Flávio é o principal adversário de Lula em todos os cenários testados. Nos cenários mais favoráveis ao senador — quando Tarcísio de Freitas não aparece como opção —, ele chega mais próximo do petista, sugerindo que a fragmentação da direita beneficia a situação.
Há um dado revelador sobre a percepção do eleitorado: 54% dos entrevistados acham que Flávio seguirá até o fim da campanha, descartando a hipótese de candidatura apenas para negociação política. Isso indica que o mercado político já reconhece sua força eleitoral.
Lula lidera mas governa sob tensão
Embora lidere todos os cenários, Lula governa com aprovação em empate técnico: 47% aprovam e 49% desaprovam. Para um presidente em exercício, esses números representam um sinal de alerta significativo.
No primeiro turno, o petista oscila entre 35% e 40% das intenções de voto, dependendo do cenário. No segundo turno, sua menor vantagem é contra Tarcísio de Freitas (5 pontos) e contra Flávio Bolsonaro (7 pontos), mostrando que não tem vitória garantida.
Um aspecto preocupante para a campanha lulista é o perfil etário da aprovação. A pesquisa revela que a aprovação do governo é maior entre idosos e menor entre jovens. Essa tendência demográfica representa um problema estrutural para a esquerda a médio e longo prazo.
Entre os próprios eleitores de esquerda, há sinais de fragmentação. Enquanto 91% dos lulistas afirmam que votarão no atual presidente, entre a “esquerda não lulista” o percentual cai para 73%, indicando resistência até mesmo dentro do próprio campo político.
O dilema estratégico da direita
A direita brasileira enfrenta um dilema estratégico clássico: unificar-se em torno de um nome ou manter múltiplas candidaturas que dividem o voto conservador. Os números da Quaest mostram como essa fragmentação impacta os resultados.
Quando Tarcísio de Freitas não aparece nos cenários, Flávio Bolsonaro fica mais competitivo, chegando a 26% das intenções de voto. Por outro lado, quando Flávio não é testado, Tarcísio alcança 27%. Isso demonstra que existe potencial eleitoral na direita, mas ele está disperso entre diferentes lideranças.
Curiosamente, a maioria dos entrevistados (54%) considera que Jair Bolsonaro errou ao indicar seu filho como candidato à presidência. Isso indica resistência até mesmo entre parte do eleitorado conservador, sugerindo que há espaço para alternativas dentro do campo da direita.
Entre os que discordam da candidatura de Flávio, 27% prefeririam Tarcísio de Freitas, 13% Ratinho Jr. e 11% Michelle Bolsonaro. Esses números mostram que existe demanda por renovação política na direita, mas ainda não há consenso sobre qual seria a melhor alternativa.
A revolução digital nas eleições
Uma mudança fundamental está ocorrendo no consumo de informação política no Brasil, e isso pode ter impacto decisivo nas eleições de 2026. Analistas políticos observam que as redes sociais estão ultrapassando a TV aberta como principal fonte de informação sobre política entre os jovens eleitores.
Para candidatos como Flávio Bolsonaro, que cresceram politicamente no ambiente digital, essa transformação é extremamente favorável. Ele domina códigos de comunicação que ressoam com o eleitorado mais jovem e tem capacidade de produzir conteúdo que escapa do filtro da grande mídia tradicional.
A descentralização informacional favorece candidatos que conseguem construir narrativas próprias, independentes do filtro dos veículos tradicionais. Isso explica parte do potencial de crescimento de Flávio: à medida que mais pessoas o conhecem através das redes sociais, sua rejeição pode diminuir e suas chances aumentar.
Ainda há margem para essa estratégia: 11% dos entrevistados disseram que não conhecem Flávio Bolsonaro, indicando espaço para expandir seu reconhecimento público através dos canais digitais.
Economia como fator decisivo
A percepção econômica será provavelmente determinante na eleição de 2026. Os dados da pesquisa mostram que a maior parte dos brasileiros avalia que a economia piorou nos últimos meses, o que representa um desafio significativo para Lula.
Há expectativa de melhora para os próximos 12 meses, mas isso pode estar relacionado justamente à proximidade das eleições. Historicamente, o mercado e os eleitores tendem a demonstrar otimismo quando antecipam possíveis mudanças de governo.
O problema para Lula é que promessas de melhora econômica têm menor credibilidade quando feitas por quem já está no poder há dois anos. A oposição pode questionar: se as soluções existem, por que não foram implementadas até agora?
Na perspectiva libertária, esse cenário abre oportunidades para candidatos que defendam agenda de redução da interferência estatal na economia, menor carga tributária e mais liberdade para o empreendedorismo. Essas bandeiras podem ser especialmente atrativas para a classe média que sofre com a alta tributação.
O que revelam os números sobre 2026
A pesquisa Genial/Quaest mostra que o cenário eleitoral de 2026 ainda está em construção. Lula mantém a liderança, mas enfrenta desafios significativos: aprovação em empate técnico, economia patinando e um eleitorado jovem cada vez mais resistente ao discurso petista.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro demonstrou capacidade de se consolidar como principal nome da oposição, mas ainda precisa expandir seu apelo para além da base bolsonarista. Sua capacidade de crescer nos meios digitais pode ser um diferencial importante.
A direita brasileira tem uma janela de oportunidade histórica, mas precisa resolver seu dilema estratégico: apostar na renovação com nomes como Tarcísio ou na continuidade com Flávio. A decisão pode determinar se 2026 será ano de alternância no poder ou de manutenção do status quo.
Para observadores libertários, o cenário atual representa tanto oportunidades quanto riscos. Por um lado, há espaço para candidatos que defendam menor interferência estatal e mais liberdades individuais. Por outro, a polarização pode dificultar o debate sobre reformas estruturais de que o país precisa.
A pergunta que permanece é: será que a sociedade brasileira está preparada para mais quatro anos de governo Lula ou buscará uma renovação política? A resposta começará a se desenhar nos próximos meses, à medida que a economia der sinais mais claros de sua direção e os candidatos definirem suas estratégias de campanha.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 14/01/2026 20:01
Fontes
- Poder360 – Lula lidera todos cenários de 1º e 2º turno em pesquisa da Quaest
- CNN Brasil – Lula lidera contra todos eventuais adversários no 1º e 2º turno, diz Quaest
- Estado de Minas – Pesquisa Quaest: Lula mantém liderança e Flávio Bolsonaro cresce
- Seu Dinheiro – Lula lidera todos os cenários da eleição presidencial
- Brasil de Fato – Genial/Quaest: Lula mantém liderança; Flávio Bolsonaro é o principal adversário



