O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, por questões relacionadas à renovação de US$ 2,5 bilhões da sede do banco central em Washington. Powell afirma em declaração oficial que a investigação resulta da frustração da administração Trump pela recusa do Fed em cortar as taxas de juros conforme demandado.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções subjetivas a pessoas ou instituições, nem questiona a legitimidade dos Poderes da República. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
A pressão sem precedentes sobre o Federal Reserve
Powell foi direto em sua defesa pública: “A ameaça de acusações criminais é consequência do Federal Reserve definir taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”. Esta declaração marca um ponto de ruptura na relação entre governo e banco central americano.
Durante 113 anos, o Fed manteve sua independência técnica das pressões políticas diretas. Powell destacou que serviu “ao Federal Reserve sob quatro administrações, republicanas e democratas”, sempre mantendo sua autonomia de decisão. Agora essa tradição enfrenta um desafio inédito — e trata-se da primeira investigação criminal de um presidente do Fed na história.
A investigação surge em um contexto de críticas repetidas de Trump a Powell por não cortar as taxas de juros tanto e tão rapidamente quanto a administração demandava desde janeiro de 2025. O pretexto oficial é a renovação do prédio do Fed, mas segundo análises especializadas, as motivações podem ser mais complexas.
Em 29 de dezembro, Trump havia declarado: “Estamos pensando em processar Powell por incompetência” em conexão com a renovação dos prédios do Fed. A escalada chegou ao ponto da investigação criminal, levantando questionamentos sobre os limites institucionais.
O contexto político da investigação
A investigação surgiu quase seis meses depois que a deputada republicana Anna Paulina Luna encaminhou Powell ao Departamento de Justiça por potenciais crimes de perjúrio e declarações falsas relacionadas ao seu depoimento sobre o projeto de renovação da sede do Fed.
Luna declarou ter “detalhado como Jerome Powell mentiu sob juramento ao Congresso”, segundo reportagem da CNBC. A linguagem é de acusação criminal direta, embora Powell conteste essas alegações em sua declaração pública.
O timing gera debates. O mandato de Powell como presidente do Fed termina em maio, restando apenas quatro meses. Analistas interpretam isso como pressão para conformidade com as demandas da administração sobre taxas de juros.
Esta é a primeira vez na história que um presidente do Federal Reserve enfrenta investigação criminal relacionada às suas funções. Especialistas classificam como “uma escalada extraordinária” no debate sobre independência do Federal Reserve.
As consequências para os mercados financeiros
Os mercados reagiram imediatamente: futuros de ações americanas caíram mais de 0,4% na negociação matinal asiática, e o dólar americano perdeu cerca de 0,2% contra as principais moedas. A instabilidade institucional tem reflexos diretos nos mercados.
O ouro, por sua vez, continua sua trajetória ascendente. O metal precioso disparou 3% para um novo recorde histórico acima de US$ 4.600, enquanto a prata também atingiu máximas históricas. Os investidores buscam ativos que não dependem da estabilidade política americana.
Um grupo bipartidário de ex-presidentes do Fed e principais economistas comparou as ações da administração Trump aos movimentos feitos em países com “instituições fracas”: “É assim que a política monetária é feita em mercados emergentes com instituições fracas, com consequências altamente negativas para a inflação”.
Economistas afirmam que o Fed provavelmente evitará cortes de juros na próxima reunião para enviar a mensagem de que não pode ser pressionado pela política. A ironia é que a pressão pode ter gerado o efeito oposto ao desejado.
A independência do banco central não é questão meramente burocrática. É proteção contra a tendência de políticos inflacionarem a economia para ganhos eleitorais de curto prazo. Quando essa barreira é questionada, a confiança na moeda pode ser afetada.
A comparação internacional e seus paralelos
Ex-presidentes do Fed Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan, junto com ex-secretários do Tesouro, emitiram declaração conjunta: “A investigação criminal relatada contra o presidente do Federal Reserve Jay Powell é uma tentativa sem precedentes de usar ataques persecutórios para minar essa independência. É assim que a política monetária é feita em mercados emergentes com instituições fracas”.
A comparação levanta questões sobre padrões internacionais. Em países com instituições menos consolidadas, há histórico de pressões políticas sobre banqueiros centrais quando estes não atendem demandas governamentais. A comunidade econômica internacional observa com atenção os desenvolvimentos americanos.
Sob a lei americana, o presidente só pode demitir o presidente do Fed “por causa”, provisão amplamente interpretada como má conduta específica, não diferenças sobre política. Segundo especialistas, os arquitetos legislativos do Fed moderno se mostraram eficazes em proteger essa independência.
A situação atual representa um teste para essas proteções institucionais, usando o sistema legal como forma de pressão indireta quando a demissão direta não é procedimentalmente viável.
A resistência republicana surpreende observadores
Senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte e membro do comitê bancário do Senado, declarou que se oporia a qualquer indicado da administração Trump para o Fed “até que esta questão legal seja totalmente resolvida”.
Os republicanos têm apenas maioria de dois assentos no Comitê Bancário do Senado. Perder até mesmo um republicano — como Tillis — pode complicar futuras indicações. Outros senadores republicanos manifestaram preocupações similares.
A defesa da independência do Fed une republicanos e democratas porque transcende questões partidárias. Uma vez quebrada essa barreira, qualquer presidente futuro pode usar mecanismos similares de pressão. É um precedente institucional que vai além da administração atual.
Powell foi claro sobre sua posição: executou seus deveres “sem medo ou favor político”, focado apenas no mandato de estabilidade de preços e máximo emprego. “O serviço público às vezes requer permanecer firme diante das ameaças”.
Bitcoin emerge como alternativa no cenário de incerteza monetária
Enquanto o sistema financeiro tradicional enfrenta esta crise institucional, a MicroStrategy (agora renomeada Strategy) adquiriu 13.627 BTC por US$ 1,25 bilhão, elevando suas participações totais para 687.410 BTC. É a maior compra da empresa desde julho de 2025.
A compra foi feita a um preço médio de US$ 91.519 por moeda entre 5 e 11 de janeiro, usando recursos da venda de ações STRC e MSTR no mercado. Michael Saylor continua acumulando Bitcoin enquanto o dólar enfrenta pressões institucionais.
O Bitcoin foi criado justamente para ser independente de governos e bancos centrais. Não há equivalente a Jerome Powell no Bitcoin que possa ser pressionado ou investigado. Não há taxa de juros manipulável por políticos. Não há presidente para pressionar um “chairman” inexistente.
Com os ganhos não realizados de mais de US$ 10 bilhões em suas participações, a Strategy demonstra os resultados de apostar em um sistema monetário que não pode ser corrompido por pressões políticas. É um exemplo de antifragilidade: o sistema se fortalece com a pressão externa.
As implicações para a independência monetária americana
Se Powell ceder às pressões e cortar drasticamente as taxas de juros, estabelecerá o precedente de que investigações criminais podem influenciar política monetária. Todo futuro presidente do Fed saberá que questionar a administração pode resultar em consequências legais.
Se Powell resistir e enfrentar processo, a administração Trump indicará alguém mais alinhado para o cargo. De qualquer forma, há questionamentos sobre como essa situação afetará a percepção de independência do Federal Reserve. É um teste para uma instituição fundamental do sistema financeiro global.
O dólar americano perdeu hoje mais do que alguns pontos percentuais nos mercados de câmbio. Há debates sobre se perdeu credibilidade como moeda livre de interferência política direta. Essa confiança levou décadas para ser construída e pode ser afetada rapidamente.
Para um sistema monetário global que dependia da previsibilidade e independência técnica do Fed, esta representa uma mudança significativa. Os investidores globais agora observam se as decisões monetárias americanas podem ser influenciadas por pressão política e investigações criminais.
O que vem pela frente
A investigação criminal de Powell representa um momento decisivo na história monetária americana. É o fim de 113 anos de relativa independência do banco central, segundo críticos do processo. A partir de agora, há questionamentos sobre se as decisões de juros podem ser influenciadas por cálculos políticos em vez de critérios técnicos.
O Bitcoin, criado em resposta à crise financeira de 2008, encontra validação adicional na crise institucional de 2026. Não há presidente para pressionar, não há banco central para investigar. É um sistema que, por design, resiste a pressões políticas.
Os próximos meses definirão se o sistema financeiro global consegue se adaptar a esta nova realidade ou se caminhamos para uma fragmentação monetária. O que é certo é que o debate sobre a confiança no dólar americano se intensificou significativamente.
Diante de tudo isso, a pergunta que surge é: se nem mesmo o Federal Reserve consegue manter sua independência técnica das pressões políticas, que outras instituições financeiras globais podem ser consideradas verdadeiramente autônomas? A resposta pode redefinir a arquitetura monetária internacional.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 12/01/2026 20:34



