Imagem ilustrativa sobre uso de inteligência artificial na política

janeiro 12, 2026

Ludwig M

Petistas usam IA para criar foto falsa de Lula musculoso

Políticos do PT compartilharam nas redes sociais uma imagem digitalmente alterada que mostra o presidente Lula de forma musculosa na praia. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, a foto foi editada por inteligência artificial e viralizou nas redes, mostrando Lula com costas e braços mais definidos do que na realidade. O episódio expõe debates sobre estratégias de marketing político baseadas em imagens alteradas digitalmente – num momento em que o governo enfrenta questionamentos sobre a idade e capacidade física do presidente de 80 anos.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens de veículos jornalísticos (com links para as fontes). Não afirma a prática de crimes ou ilícitos como fatos comprovados, nem atribui intenções a pessoas ou instituições. As críticas expressas representam a linha editorial do veículo, no exercício da liberdade de opinião. Mencionados que desejarem manifestar-se podem entrar em contato para direito de resposta.

Como a inteligência artificial “rejuvenesceu” o presidente

Conforme reportagem do Pleno.News, a edição artificial também recriou o dedo que o presidente perdeu em um acidente de trabalho, revelando como a tecnologia pode alterar características físicas conhecidas. Segundo o Poder360, na imagem original divulgada por Janja, Lula aparece como um senhor de 80 anos, em contraste com os registros alterados que circularam posteriormente.

Vamos falar sobre o elefante na sala: o uso dessa tecnologia para fins políticos levanta questionamentos sobre ética na comunicação partidária. A mesma esquerda que há anos critica o uso de inteligência artificial para criação de conteúdo falso agora recorre à mesma prática que antes condenava. A ironia é quase poética.

A alteração não se limitou apenas aos músculos. Conforme reportagem do Poder360, não há como saber qual a técnica usada nem quem foi o autor da mudança na imagem, mas o resultado final criou uma versão completamente fictícia do presidente. Os militantes transformaram um idoso de 80 anos numa espécie de atleta digital – porque aparentemente a realidade não estava vendendo direito.

Essa manipulação pode revelar mais sobre as inseguranças do PT do que sobre a real condição física do presidente. Afinal, se Lula estivesse realmente em boa forma, seria necessário recorrer à inteligência artificial para “provar” isso? A resposta é óbvia – e constrangedora.

Parlamentares petistas abraçam a propaganda digital

Segundo a Revista Oeste, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, publicou a montagem com a mensagem “O homem tá on, o tetra vem!”, em referência a um quarto mandato de Lula como presidente. A publicação mostra como dirigentes partidários não hesitaram em usar conteúdo sabidamente falso para fins eleitorais. É o vale-tudo eleitoral chegando ao mundo digital.

Outros políticos também embarcaram na fantasia coletiva, incluindo vereadores e deputados. Conforme relatado pela Revista Oeste, os aliados não se importaram de compartilhar a imagem falsa para afirmar que o presidente estaria forte o bastante para concorrer à reeleição. O comportamento revela um padrão que gera questionamentos: quando convém politicamente, a verdade pode ser “ajustada” pela tecnologia.

A estratégia expõe a fragilidade da narrativa oficial. Por sinal, se o governo realmente tivesse conquistas sólidas para mostrar ao eleitorado, seria necessário fabricar músculos digitais? A pergunta responde a si mesma – e não é uma resposta bonita.

Segundo a Gazeta do Povo, o conteúdo foi sinalizado pela rede social X como potencialmente enganoso, mas o estrago já estava feito. Milhares de pessoas compartilharam a imagem antes que os algoritmos de detecção conseguissem identificar a manipulação. É assim que funciona a desinformação na era digital – rápida, viral e difícil de conter.

A questão das fake news seletivas

Aqui chegamos ao ponto central da questão: o mesmo partido que passa anos denunciando fake news e pedindo regulamentação da inteligência artificial agora usa essas ferramentas para criar propaganda política. A contradição é evidente e gera debates sobre coerência política.

Durante anos, líderes petistas subiram em palanques para criticar o uso de imagens manipuladas e conteúdo gerado por IA em campanhas políticas. Agora, quando precisam mostrar que o presidente está “forte”, recorrem às mesmas práticas que antes condenavam com veemência. A moral tem partido e hora, aparentemente.

Essa postura seletiva sobre a verdade pode corroer a confiança nas instituições democráticas. Como o cidadão comum pode acreditar em políticos que manipulam a realidade sempre que isso convém aos seus interesses eleitorais? A resposta está na crescente desconfiança da população em relação à classe política – um fenômeno que transcende ideologias.

O episódio também mostra como a tecnologia pode ser usada para criar realidades paralelas. Quando imagens falsas circulam com a mesma velocidade das verdadeiras, fica cada vez mais difícil distinguir fatos de ficção. É exatamente isso que os defensores da regulamentação sempre alertaram – mas só quando não eram eles os beneficiários da manipulação.

Restinga da Marambaia: o isolamento presidencial

Conforme o Poder360, Lula usa o local como área de descanso por ser uma área militar com acesso restrito e proteção das Forças Armadas. A escolha da Restinga da Marambaia como local de férias não é casual – trata-se de uma área completamente isolada do público comum.

A diferença com gestões anteriores é gritante. Enquanto Bolsonaro frequentava praias públicas e interagia diretamente com apoiadores (para o bem ou para o mal), Lula se refugia em bases militares fechadas. Essa postura revela muito sobre o real apoio popular de cada político – mais do que qualquer pesquisa eleitoral bem temperada.

Quando um presidente precisa de isolamento militar para suas férias, isso diz bastante sobre sua popularidade real. A necessidade de proteção constante indica que o “amor do povo” talvez não seja tão universal quanto a propaganda oficial insiste em vender. É um dado da realidade que nenhuma IA consegue alterar.

O contraste com outros líderes é evidente mundo afora. Presidentes com real apoio popular não precisam se esconder da população durante momentos de descanso. Pelo contrário – eles são procurados espontaneamente pelos cidadãos, que querem fotos e conversas informais. A diferença é reveladora.

A realidade por trás da propaganda

Como bem observou O Antagonista, essa foto editada pode representar perfeitamente o governo Lula: muito marketing digital e pouca substância concreta. É um governo que sobrevive de narrativas enquanto os resultados práticos ficam aquém das promessas grandiosas de campanha.

Os números oficiais de inflação, emprego e crescimento são constantemente questionados pela população, que sente no bolso uma realidade bem diferente da propaganda oficial. Quando há necessidade de “embelezar” até mesmo fotos do presidente, fica cristalino que a estratégia é sempre cosmética – nunca estrutural.

Segundo O Antagonista, no vídeo original, de onde a foto foi retirada, é possível ver a enorme diferença do corpo do petista em relação à versão editada. A diferença entre realidade e propaganda nunca foi tão literal quanto neste caso. É quase uma metáfora involuntária.

O governo que prometeu “reconstruir o país” acabou reconstruindo apenas a imagem do presidente – e mesmo assim de forma artificial. É uma metáfora perfeita para uma gestão baseada em aparências e não em resultados que o cidadão sente no dia a dia.

O que isso pode revelar sobre 2026

A necessidade de usar inteligência artificial para “melhorar” o presidente pode indicar as dificuldades reais que o PT enfrentará nas próximas eleições. Se já precisam de artifícios tecnológicos agora, imaginem quando a campanha oficial começar de verdade.

A estratégia revela também uma aposta arriscada: investir na imagem em detrimento da realidade pode funcionar no curto prazo, mas cria expectativas impossíveis de serem cumpridas na prática. Como sustentar a narrativa de um “Lula forte” quando a realidade insiste em mostrar o contrário?

O partido que critica deepfakes agora produz seus próprios conteúdos artificiais sem cerimônia. Essa contradição será explorada pelos adversários e pode se tornar um problema bem maior do que o PT imagina. A população está cada vez mais atenta a esse tipo de manipulação – e não gosta do que vê.

Além disso, o episódio mostra como a tecnologia pode ser uma faca de dois gumes na política. Se hoje o PT usa IA para “melhorar” Lula, amanhã outros partidos podem usar as mesmas ferramentas contra ele. É uma corrida armamentista digital que pode facilmente sair do controle de todos os envolvidos.

As consequências para a democracia

Quando políticos normalizam o uso de conteúdo artificial para fins eleitorais, abrem um precedente extremamente perigoso. Se hoje é aceitável “melhorar” músculos digitalmente, o que será considerado aceitável amanhã? Alterar declarações? Criar discursos que nunca aconteceram? Onde fica o limite?

A democracia depende fundamentalmente de informação verdadeira para funcionar adequadamente. Quando líderes políticos deliberadamente distorcem a realidade, mesmo que seja “apenas” numa foto de praia, estão corroendo as bases do debate público democrático. Como fazer escolhas eleitorais informadas com base em informações falsas?

O problema não é apenas técnico, mas profundamente ético. Políticos que mentem sobre coisas simples como a própria aparência física certamente mentirão sobre questões mais complexas e importantes. A credibilidade, uma vez perdida, é extraordinariamente difícil de recuperar.

Para o cidadão comum que trabalha e paga impostos, episódios como esse reforçam a percepção de que a classe política vive numa realidade completamente paralela. Enquanto a população lida com inflação real, desemprego concreto e violência urbana, os políticos se preocupam em parecer mais jovens nas redes sociais.

Vivemos tempos estranhos, em que é aparentemente mais fácil alterar a realidade digitalmente do que melhorar a vida das pessoas concretamente. Infelizmente, parece ser exatamente essa a escolha que nossos líderes estão fazendo conscientemente. A pergunta que não quer calar é: até quando a população vai aceitar viver nessa simulação digital enquanto os problemas reais continuam sem solução à vista?

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 12/01/2026 07:03

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