O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou 2026 tentando repetir a mesma fórmula que funcionou em 2022. Mas as pesquisas mostram um cenário preocupante: 57% dos brasileiros consideram que ele não deveria se candidatar à reeleição, e 56% afirmam que ele não merece ser reeleito. Desta vez, o jogo pode ser muito diferente.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções subjetivas a pessoas ou instituições, nem questiona a legitimidade dos Poderes da República ou equipara o Brasil a regimes autoritários. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
A Estratégia do Passado em 2026
Começou o ano eleitoral e as redes sociais foram novamente bombardeadas com imagens do “Lula atlético”. A primeira-dama Janja publicou fotos do presidente na praia de Marambaia, mostrando que ele está forte e saudável. A estratégia? Idêntica à usada em 2022.
A iniciativa surge como resposta direta à reportagem da revista The Economist que sugeriu que Lula está muito velho para concorrer novamente. Em 2022, a mesma tática foi empregada – com jornalistas elogiando até mesmo “as coxas do Lula” para demonstrar sua vitalidade física.
Segundo analistas, essa repetição de estratégia revela um problema fundamental: Lula está encarando a eleição de 2026 exatamente como encarou a de 2022. Aparentemente, não percebe que a situação política é fundamentalmente diferente agora.
O presidente tenta replicar uma receita que funcionou por uma margem mínima há quatro anos. Mas os números atuais mostram empate técnico entre Lula e diversos adversários, incluindo Michelle Bolsonaro com 23% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 19%, Eduardo Bolsonaro com 18% e Tarcísio de Freitas com 17%.
O Cenário Eleitoral Mudou Drasticamente
As pesquisas de aprovação mostram uma realidade dura: a desaprovação a Lula varia entre 49% e 52%, enquanto a aprovação fica entre 42% e 48%. Diferentemente de 2022, quando conseguiu mobilizar o eleitorado contra Bolsonaro, agora Lula é o alvo principal das críticas.
A situação de 2026 será mais parecida com a de 2018 do que com a de 2022. Em 2018, Lula era “vidraça”, não a “pedra”. Agora, após quatro anos no poder, acumula desgastes e não pode mais se posicionar como outsider ou vítima do sistema.
A rejeição à candidatura de Lula atingiu 66% em pesquisa da Genial/Quaest, representando crescimento em relação aos 62% de março e 52% de janeiro. Entre os independentes – grupo crucial para qualquer vitória eleitoral – a rejeição chega a impressionantes 66%.
O presidente se vendeu em 2022 como líder de uma “frente ampla” contra Bolsonaro, mas governou exclusivamente com a esquerda radical. Essa contradição criou uma desilusão especialmente forte entre eleitores de centro-esquerda que acreditaram na promessa de moderação.
Aliás, onde está aquela moderação prometida? Sumiu assim que as urnas se fecharam.
A Questão do TSE e a Mudança de Comando
Um dos elementos mais significativos para 2026 é a mudança no comando do Tribunal Superior Eleitoral. A ministra Cármen Lúcia deixará a presidência em junho de 2026, passando o comando para o ministro Kassio Nunes Marques, que supervisionará as eleições.
Nunes Marques foi indicado por Jair Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal, assim como André Mendonça, que assumirá a vice-presidência do TSE. Essa mudança na composição da Corte Eleitoral representa uma diferença fundamental em relação a 2022.
Críticos apontam que em 2022 houve um “dedão na balança” do TSE que favoreceu Lula. Proibições de associar o petista a temas negativos – como sua proximidade com Nicolás Maduro – foram determinantes para o resultado apertado daquele pleito.
Com a nova composição, há expectativa de que o ambiente eleitoral seja diferente. Nunes Marques tem um perfil mais conservador e demonstra preferir que a Justiça Eleitoral evite ser um “terceiro turno” dos pleitos, dando atenção ao resultado obtido nas urnas.
E por sinal, que tal se a Justiça Eleitoral voltasse a ser apenas isso: eleitoral? Não um tribunal de censura prévia.
Os Números que Preocupam o Planalto
Fontes próximas ao governo do presidente Lula já projetam uma eleição difícil em 2026. Auxiliares avaliam que mesmo com resultados expressivos, as entregas do governo não são suficientes para garantir a vitória. O diagnóstico interno reconhece a necessidade de disputar narrativas e valores.
A alta rejeição não se distribui uniformemente. Os índices de quem entende que Lula não deveria se candidatar são maiores entre evangélicos (69%), pessoas com ensino superior (67%) e moradores da região Sul (67%). Entre eleitores de Bolsonaro em 2022, a rejeição atinge 90%.
Para especialistas, a falta de clareza sobre o tamanho exato da rejeição permite que ambos os lados interpretem os números a seu favor. Mas a tendência geral aponta para um cenário mais complicado para o petista do que em eleições anteriores.
A Estratégia de Campanha e Suas Limitações
O presidente tenta repetir a estratégia de 2022 com o vice Geraldo Alckmin, apresentando-se como uma “frente ampla”. Mas desta vez, muitos eleitores sabem exatamente o que esperar de um governo Lula. A surpresa e a expectativa de moderação não existem mais.
Alckmin, que deveria representar o centro no governo, teve “zero importância” na gestão atual. Nenhum economista ou pessoa mais de centro foi chamado para posições relevantes. O governo se concentrou exclusivamente na agenda da esquerda radical.
Para 2026, o governo planeja explorar pautas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, tarifa zero no transporte urbano e o fim da escala 6×1. A estratégia aposta no discurso da “justiça tributária” e em bandeiras de forte apelo popular.
Entretanto, críticos argumentam que essas medidas representam mais Estado, mais gastos e mais interferência na economia. Para defensores do livre mercado, são promessas que aumentam a dependência do cidadão em relação ao governo, ao invés de promover autonomia e liberdade econômica.
Afinal, quem paga a conta dessas “gratuidades”? O contribuinte, sempre ele.
O Problema da Associação com Maduro
Um dos grandes desafios de Lula em 2026 será lidar com sua proximidade reconhecida com o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Em 2022, era proibido fazer essa associação durante a campanha. Agora, com a mudança no TSE, essa restrição pode não existir.
Após ganhar a eleição de 2022, Lula imediatamente recebeu Maduro no Palácio do Planalto e fez declarações amenizando a situação na Venezuela. Apoiadores chegaram a exibir bandeiras venezuelanas em eventos oficiais do governo brasileiro.
A questão venezuelana é especialmente sensível porque expõe a contradição entre o discurso democrático de Lula e suas alianças internacionais. Para muitos eleitores, especialmente os de centro, essa proximidade representa um problema moral e político significativo.
A liberdade para discutir esses temas durante a campanha pode representar um obstáculo importante para a reeleição petista. É difícil defender a democracia enquanto se mantém alianças próximas com regimes autoritários.
A Oposição e o Cenário de Segundo Turno
Interlocutores do governo avaliam que o nome de Flávio Bolsonaro favorece Lula, tornando o terreno mais fácil para uma reeleição do que se a disputa fosse com Tarcísio de Freitas. O senador tem maior dificuldade de engajar o centrão e eleitores moderados por sua ligação natural com o clã Bolsonaro.
Mas mesmo contra Flávio Bolsonaro, os números não são confortáveis para Lula. Os nomes do campo da direita mais próximos de Bolsonaro têm entre 17% e 23% das intenções de voto, com Michelle Bolsonaro registrando o maior percentual (23%).
A diferença em relação a 2022 é que agora Lula não pode mais se beneficiar da rejeição específica a Bolsonaro. O ex-presidente está inelegível, mas seus filhos e aliados carregam parte desse capital político sem carregar todo o desgaste pessoal de Jair Bolsonaro.
Para defensores da liberdade econômica, qualquer candidato que se oponha claramente ao estatismo lulista representa uma oportunidade. O importante é que o debate se concentre em propostas concretas: menos impostos, menos burocracia, mais liberdade para empreender e escolher.
O Peso do Estado e os Riscos para a Democracia
Lula certamente usará todo o peso do Estado a seu favor, como é tradição em eleições brasileiras. Programas sociais, obras públicas e benefícios diversos serão anunciados estrategicamente durante o ano eleitoral. Mas mesmo essa vantagem pode ter limitações.
O problema é que o uso da máquina pública para fins eleitorais representa uma distorção democrática grave. Quando o governo usa recursos de todos os brasileiros para promover um candidato específico, ele quebra o princípio da igualdade de condições na disputa eleitoral.
Além disso, o Brasil vive uma situação fiscal complicada. Cada novo programa ou benefício anunciado significa mais endividamento público ou mais impostos no futuro. É o cidadão quem paga a conta, sempre.
A estratégia de Lula de se agarrar ao passado – seja com as fotos na praia ou com programas reciclados – demonstra falta de perspectiva de futuro. O país precisa de renovação, não de repetição de fórmulas que já mostraram suas limitações.
Como disse um crítico: “Não é incompetência. É projeto.” O projeto é manter o poder usando os recursos de todos os brasileiros. E isso deveria preocupar qualquer pessoa que valoriza a liberdade e a democracia.
Os números mostram que a maioria dos brasileiros está cansada dessa dinâmica. A alta rejeição a uma nova candidatura de Lula – 57% consideram que ele não deveria se candidatar – reflete o desejo de mudança, de renovação, de algo diferente do que já conhecemos. Resta saber se esse sentimento se traduzirá em votos nas urnas.
E você, acredita que repetir estratégias do passado é suficiente para enfrentar os desafios do futuro? O debate está apenas começando.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 11/01/2026 18:04



