Manifestantes gritaram “Nós apoiamos o Hamas aqui” numa área majoritariamente judaica do Queens, em Nova York. No dia seguinte, os mesmos políticos de esquerda que antes defendiam os palestinos e criticavam Israel passaram a chamar o Hamas de “organização terrorista”. O que pode ter motivado essa mudança tão rápida?
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A mudança súbita que levanta questionamentos
O prefeito Zohran Mamdani, recém-eleito em Nova York, sempre foi crítico de Israel. Até quinta-feira desta semana. Segundo reportagem da CBS News, o protesto aconteceu numa quinta-feira à noite, em frente a uma sinagoga no bairro de Kew Gardens Hills, região com grande população judaica ortodoxa. Conforme reportagem da Fox News, os manifestantes cantaram “Say it loud, say it clear, we support Hamas here” (Digam alto, digam claro, apoiamos o Hamas aqui).
Na sexta pela manhã, Mamdani mudou completamente o discurso. De acordo com a CBS News, ele declarou: “Chants in support of a terrorist organisation have no place in our city” (Cantos de apoio a uma organização terrorista não têm lugar em nossa cidade). A mesma linha que Alexandria Ocasio-Cortez (AOC) usou para condenar os manifestantes.
A governadora Kathy Hochul seguiu a mesma linha. Segundo a Fox News, ela declarou: “Hamas is a terrorist organization that calls for the genocide of Jews” (Hamas é uma organização terrorista que pede o genocídio dos judeus). A procuradora-geral Letitia James foi ainda mais direta: “Hamas is a terrorist organisation. We do not support terrorists. Period”.
O que se observou foi uma condenação coordenada, como se as autoridades tivessem recebido orientações semelhantes. Três autoridades de esquerda que historicamente apoiaram a “causa palestina” agora chamavam o Hamas de terrorista simultaneamente.
O protesto que mobilizou a comunidade judaica
Conforme reportagem da Jewish Telegraphic Agency, a manifestação aconteceu em Kew Gardens Hills, um bairro do Queens com população considerável de judeus ortodoxos. O protesto foi realizado em frente a um evento que promovia investimentos imobiliários americanos em Jerusalém.
As imagens se espalharam rapidamente. Segundo reportagem do New Kerala, o vídeo dos cânticos pró-Hamas se espalhou amplamente nas redes sociais depois de ser postado por um jornalista israelense. O vídeo viralizou e chegou aos olhos de milhares de judeus americanos que tradicionalmente votam no Partido Democrata.
Conforme a mesma reportagem, a situação escalou com manifestantes de ambos os lados gritando ameaças e slogans abusivos uns contra os outros numa rua bloqueada pela polícia. Segundo a Combat Antisemitism Movement, alguns manifestantes dirigiram insultos antissemitas aos contra-manifestantes pró-Israel.
A reação política rápida pode ser interpretada como resposta à pressão de uma base eleitoral importante. Judeus americanos tradicionalmente votam no Partido Democrata. A mudança de posição pode refletir preocupações eleitorais sobre manter essa base de apoio.
As promessas que enfrentam a realidade
Mamdani foi eleito prometendo mudanças significativas para Nova York. Segundo análise do Legal Insurrection, a condenação de Mamdani refletiu uma mudança em relação à sua resposta a um protesto similar em novembro. Em novembro, numa situação parecida, ele ainda defendia os manifestantes. Agora mudou quando a pressão política se intensificou.
O problema é que promessas de campanha e implementação prática são desafios diferentes. Mamdani prometeu congelar as tarifas de ônibus e metrô em Nova York. Na realidade, as tarifas continuaram subindo no início do mandato. Prometeu mercearias estatais com comida subsidiada para a população de baixa renda – uma proposta que enfrenta obstáculos práticos significativos.
Quando a retórica encontra a realidade administrativa, políticos frequentemente ajustam seus discursos. É isso que se observa com a posição sobre o Hamas. Durante meses, o Hamas foi tratado como “movimento de resistência” pelos mesmos políticos. Agora é classificado como “organização terrorista” em questão de horas.
A estratégia política comum é prometer soluções através de mais controle estatal e gastos públicos. Quando a implementação encontra obstáculos, o discurso se ajusta e novos responsáveis são identificados. Esse padrão se repete consistentemente na política contemporânea.
O debate sobre financiamento externo de movimentos
Há análises segundo as quais o financiamento russo para movimentos de esquerda americanos pode estar enfrentando dificuldades. Historicamente, Moscou tem apoiado grupos esquerdistas ao redor do mundo, incluindo nos Estados Unidos. Com sanções econômicas e dificuldades para vender petróleo, há quem interprete que Moscou tem menos recursos para manter sua rede de influência global.
A administração Trump intensificou medidas contra os navios petroleiros da “frota cinza” russa. Sem conseguir vender petróleo com facilidade, Putin tem menos recursos para distribuir entre grupos que promovem instabilidade política em países rivais. É como um sistema de financiamento que perde suas fontes de receita.
A esquerda americana tem histórico de posições antissemitas mais pronunciadas que a direita. A União Soviética perseguiu judeus durante décadas. Hoje há quem aponte que a Rússia patrocina o Green New Deal e financia movimentos ambientalistas que impactam a economia americana. É um padrão histórico documentado, não uma novidade.
Se o financiamento externo realmente diminuiu, isso pode explicar por que vários movimentos de esquerda estão recuando simultaneamente. Sem financiamento adequado, é difícil manter militância organizada. Sem militância, não há pressão sobre políticos. Sem pressão, os políticos adotam posições mais moderadas que agradam o eleitorado mediano.
A pauta esquerdista que enfrenta resistência eleitoral
O principal desafio da esquerda moderna é que suas propostas não geram entusiasmo no eleitorado. As pessoas analisam as propostas esquerdistas e concluem: “Isso não resolve meus problemas”. Controle de preços, aumento de impostos, mais burocracia – nenhuma dessas medidas melhora diretamente a vida do trabalhador comum.
A estratégia atual é prometer benefícios amplos para reconquistar eleitores. Mamdani prometeu congelamento de aluguéis, mercearias estatais e transporte público gratuito. São promessas desafiadoras de implementar numa economia de mercado. Nova York já tem controle de aluguéis há décadas – resultado: os aluguéis estão entre os mais caros do país.
Quando você congela preços, os produtos podem sumir das prateleiras. Quando controla aluguéis, os apartamentos podem ficar escassos. Quando promete transporte gratuito, a qualidade pode despencer. São dinâmicas econômicas básicas que a esquerda frequentemente ignora por razões ideológicas.
A informação descentralizada mudou o jogo político. Hoje qualquer pessoa pode verificar se as promessas de um político se cumpriram. Não é mais possível ocultar contradições por muito tempo. Os eleitores descobrem discrepâncias e podem punir nas urnas quem os decepcionou.
Por que a estratégia política fracassou
O que se observa na esquerda pode ser o desmoronamento de uma estratégia que dependia do controle da narrativa. Na era da internet, informações contraditórias se espalham rapidamente. Quando Mamdani defendia posições controversas em novembro e condenou em janeiro, a contradição ficou evidente para todos.
Políticos esquerdistas frequentemente tentam agradar públicos diferentes simultaneamente. Apoiam movimentos controversos para agradar militantes, mas condenam quando descobrem que isso afasta eleitores moderados. É um jogo duplo que funcionava quando a mídia tradicional controlava a informação.
Hoje as redes sociais mostram contradições em tempo real. Um vídeo de 30 segundos pode destruir anos de construção de imagem política. Não é mais viável ter posições diferentes para regiões diferentes da mesma cidade.
A esquerda está perdendo força globalmente porque suas soluções estatistas frequentemente não funcionam. Venezuela, Cuba, Coreia do Norte – todos os exemplos socialistas fracassaram economicamente. As pessoas percebem que liberdade econômica traz prosperidade, enquanto controle estatal frequentemente traz pobreza.
O futuro do movimento esquerdista americano
A mudança súbita em relação ao Hamas revela um movimento político em crise profunda. Quando você precisa mudar de opinião completamente em 24 horas, isso indica perda de controle da situação. Não é estratégia política planejada – pode ser desespero eleitoral.
A tendência é que mais contradições apareçam nos próximos meses. Políticos esquerdistas terão que escolher entre manter a base radical ou conquistar o centro político. Como as duas opções são incompatíveis, a tendência é fragmentar o movimento internamente.
Sem financiamento externo robusto e sem apoio popular genuíno, a esquerda radical americana pode estar vivendo momentos de influência limitada. O que se viu com o Hamas pode se repetir com outras pautas polêmicas nos próximos anos.
O eleitor americano demonstra cansaço com promessas não cumpridas e experimentos sociais fracassados. Prefere políticos que resolvam problemas práticos, não ideólogos que inventam crises para justificar mais poder estatal. É uma lição aplicável a qualquer democracia do mundo.
Informação é poder. Quando as pessoas têm acesso à informação real, frequentemente escolhem liberdade ao invés de controle. É por isso que regimes autoritários sempre atacam a imprensa livre e as redes sociais descentralizadas.
A verdade tem uma vantagem natural sobre a mentira: ela não precisa ser defendida com censura ou violência. Ela se defende quando as pessoas têm liberdade para buscá-la e compartilhá-la. E é isso que parece estar acontecendo com a esquerda americana hoje.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 11/01/2026 15:34
Fontes
- CBS News – Pro-Hamas chant during protest outside Queens synagogue sparks outrage
- Fox News – Hochul, AOC, Mamdani slam ‘we support Hamas’ chants
- Jewish Telegraphic Agency – Hochul condemns protesters at Queens synagogue
- Legal Insurrection – What’s Behind the Democrats’ Sudden Pivot on Hamas
- New Kerala – NYC Mayor Condemns Pro-Hamas Chant at Queens Synagogue



