Manifestantes nas ruas do Irã durante protestos recentes contra o regime

janeiro 11, 2026

Ludwig M

Irã: regime corta internet durante repressão a protestos massivos

Milhares de manifestantes têm tomado as ruas do Irã nas últimas duas semanas durante os maiores protestos já vistos no país desde 2022. Segundo a CNN, pelo menos 65 pessoas foram mortas e mais de 2.300 foram presas em todo o Irã. O regime cortou totalmente a internet no dia 8 de janeiro aparentemente para dificultar a comunicação durante a repressão às manifestações.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens de veículos jornalísticos (com links para as fontes). Não afirma a prática de crimes ou ilícitos como fatos comprovados, nem atribui intenções a pessoas ou instituições. As críticas expressas representam a linha editorial do veículo, no exercício da liberdade de opinião. Mencionados que desejarem manifestar-se podem entrar em contato para direito de resposta.

O blackout total como cortina para escalada da violência

Segundo a Iran Human Rights, a partir das 22h do dia 8 de janeiro, a internet foi desligada em todo o Irã. De acordo com a CNN, a organização NetBlocks confirmou que 99% da internet do Irã estava sob blackout na manhã seguinte.

Esta estratégia não é novidade na região. Segundo Alp Toker, diretor da NetBlocks, citado pela CNN, os blackouts nacionais tendem a ser estratégia padrão quando força letal está prestes a ser usada contra manifestantes.

Mas a tática pode ter tido efeito contrário. Um morador de Teerã disse à CNN que o blackout da internet parece ter motivado ainda mais pessoas a sair às ruas. Conforme reportado pela Wikipedia, o bloqueio da internet perturbou a vida cotidiana, incluindo transações digitais e o funcionamento de hospitais, farmácias e bancos.

Números revelam escalada da violência

Os dados sobre mortos variam conforme a fonte. Segundo a CNN, pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas nas últimas duas semanas, de acordo com a agência Human Rights Activists News Agency, baseada nos EUA.

A Iran Human Rights estima que pelo menos 51 manifestantes foram mortos nos primeiros 13 dias, incluindo nove crianças menores de 18 anos.

Segundo o Iran International, as estimativas mais conservadoras indicam que pelo menos 2.000 pessoas podem ter sido mortas nas últimas 48 horas, embora estes números não possam ser verificados independentemente devido ao blackout.

De acordo com informações compiladas pela Wikipedia, seis hospitais em Teerã registraram 217 mortes de manifestantes, principalmente como resultado de tiros de munição real.

Relatos de violência sistemática contra manifestantes

Testemunhos médicos revelam padrões preocupantes na repressão. Segundo reportagem da CNN, antes do blackout da internet, fontes médicas relataram que pelo menos 500 pessoas foram aos hospitais em Teerã com ferimentos nos olhos.

De acordo com testemunho publicado pela CNN, em Shiraz, funcionários médicos atenderam uma mulher que foi baleada na cabeça. “Nunca vi cenas assim na minha vida”, disse um dos trabalhadores médicos em vídeo.

Um hospital chegou ao ponto de entrar em “modo de crise” devido ao volume de feridos oculares. Os relatos sugerem uso sistemático de força contra manifestantes, incluindo contra áreas vitais como cabeça e olhos.

Tecnologia como ferramenta de resistência

Apesar do blackout total, manifestantes encontraram formas de manter comunicação. Segundo a CNN, alguns iranianos conseguiram entrar em contato com o mundo exterior usando terminais contrabandeados da Starlink ou serviço celular de países vizinhos.

O Iran International confirma que, apesar do blackout quase total da internet, vídeos e mensagens continuam chegando através de canais limitados, incluindo usuários da Starlink.

A rede de satélites da Starlink tornou-se gratuita para os manifestantes iranianos. Equipamentos estão sendo contrabandeados para permitir que informações continuem saindo mesmo com a internet cortada, demonstrando como tecnologias descentralizadas podem servir como ferramentas de resistência.

Protestos se espalham nacionalmente

Baseado em dados citados pela CNN, manifestações foram identificadas em 185 cidades em todas as 31 províncias do país. As demonstrações começaram no bazar de Teerã no final de dezembro, inicialmente por questões econômicas.

Conforme reportado, milhares de manifestantes se reuniram em Teerã e em todo o Irã durante a noite de 9-10 de janeiro, gritando “Morte a Khamenei” e “Viva o xá”.

Os protestos seguiram um chamado de Reza Pahlavi para que manifestantes tomassem controle dos centros das cidades e hasteassem a bandeira imperial “leão e sol”.

Segundo a Bloomberg, pelo menos 36 universidades iranianas participaram dos protestos nos últimos treze dias.

Declarações de Trump sobre intervenção

Segundo a PBS, o presidente americano Donald Trump fez declarações sobre estar “armado e pronto para agir” se o regime iraniano atirar e matar manifestantes.

De acordo com reportagem da revista Time, Trump disse que “se o Irã matar violentamente manifestantes pacíficos, os Estados Unidos da América virão em seu socorro”, acrescentando: “Estamos armados e prontos”.

A questão é se desta vez haverá ação concreta ou apenas retórica política. O histórico americano na região é complexo, com décadas de intervenções que criaram resultados mistos.

Regime demonstra sinais de desespero

Segundo a Time, em um discurso na sexta-feira, o Líder Supremo Ali Khamenei disse que o governo “não recuaria” diante dos protestos, sinalizando intensificação da repressão.

O fato de o regime ter cortado totalmente a internet revela o nível de preocupação das autoridades. A Amnesty International declarou que as autoridades iranianas bloquearam deliberadamente o acesso à internet para esconder a verdadeira extensão das graves violações de direitos humanos.

O que está em jogo regionalmente

Os eventos no Irã não são apenas questão interna. O regime dos aiatolás é reconhecido internacionalmente como um dos principais financiadores de grupos considerados terroristas, apoiador de milícias regionais e desenvolvedor de programas nucleares que geram preocupação internacional.

Um Irã com governo diferente poderia representar mudança significativa na dinâmica regional. A questão iraniana toca em um princípio fundamental debatido globalmente: o direito dos povos de se manifestarem contra governos que consideram opressores.

Para observadores internacionais, a situação iraniana serve como exemplo dos desafios enfrentados por sociedades sob regimes autoritários. A tecnologia descentralizada como a Starlink demonstra como ferramentas podem ajudar a contornar censura estatal.

O povo iraniano está buscando direitos que são considerados fundamentais em democracias: liberdade de expressão, direito de manifestação pacífica e participação política. Esta luta ressoa com valores defendidos por comunidades que valorizam liberdades individuais.

Diante destes eventos, permanece a pergunta: como a comunidade internacional deve responder quando regimes usam força excessiva contra manifestações pacíficas? E qual o papel da tecnologia e comunicação livre neste contexto?

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 11/01/2026 14:34

Fontes

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