O mercado de Bitcoin assistiu em janeiro de 2026 a uma sequência de eventos que levanta questões sobre coordenação e timing no mercado institucional. Morgan Stanley protocolou pedido para lançar ETFs de Bitcoin em 6 de janeiro, um dia antes da MSCI reverter completamente sua proposta de excluir empresas de Bitcoin dos índices.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.
A proposta da MSCI que abalou o mercado em outubro
Em 10 de outubro de 2025, a MSCI lançou consulta pública propondo excluir empresas com mais de 50% dos ativos em criptomoedas dos seus índices globais. A justificativa técnica alegava que tais empresas operavam mais como fundos de investimento do que negócios tradicionais.
A proposta atingia 39 empresas, incluindo a Strategy (antiga MicroStrategy) e outras companhias do setor cripto. Analistas estimavam que a exclusão poderia forçar vendas de até US$ 15 bilhões em ativos digitais.
O anúncio provocou queda imediata de aproximadamente US$ 12 mil no preço do Bitcoin no mesmo dia, iniciando um período de volatilidade que se estendeu por meses.
A conexão histórica entre MSCI e Morgan Stanley
É importante contextualizar que MSCI significa Morgan Stanley Capital International, empresa que se tornou independente do Morgan Stanley apenas em 2009. Em 1986, Morgan Stanley licenciou os direitos aos índices da Capital International, criando a marca MSCI.
Embora as empresas sejam hoje independentes, a MSCI administra mais de 246 mil índices diários que servem de referência para US$ 18,3 trilhões em ativos globalmente. Suas decisões impactam diretamente onde trilhões de dólares são investidos mundialmente.
Para empresas como a Strategy, que possui mais de 99% do seu valor empresarial em Bitcoin, a exclusão dos índices significaria perder acesso ao capital institucional que sustenta suas operações.
A controversa reversão em janeiro de 2026
Após meses de pressão da indústria cripto, a MSCI anunciou em 7 de janeiro de 2026 que manteria as empresas de criptomoedas em seus índices, revertendo completamente a proposta de outubro.
O timing gera questionamentos no mercado. Apenas um dia antes, em 6 de janeiro, Morgan Stanley havia protocolado na SEC pedidos para lançar ETFs de Bitcoin e Solana, marcando sua entrada oficial no mercado que havia sido pressionado por meses pelas ameaças da MSCI.
A reversão da MSCI fez o Bitcoin subir cerca de 1%, negociando em torno de US$ 93.500, enquanto ações da Strategy dispararam 6% no after-hours.
Morgan Stanley entra no mercado bilionário de ETFs
Os ETFs spot de Bitcoin já acumulam US$ 123 bilhões em ativos líquidos totais, equivalentes a 6,57% da capitalização total do Bitcoin. Desde o início de 2026, as entradas líquidas nesses produtos superaram US$ 1,1 bilhão.
Morgan Stanley opera um braço massivo de gestão de patrimônio com milhares de consultores que abriram acesso cripto para clientes em outubro do ano passado. Ao lançar seus próprios ETFs, o banco pode integrar verticalmente esses produtos nas carteiras dos clientes, mantendo taxas de gestão internas em vez de pagá-las aos concorrentes.
O impacto da incerteza regulatória nos pequenos investidores
Durante os meses de incerteza criados pela proposta da MSCI, pequenos investidores sofreram as consequências da volatilidade. As ações da Strategy despencaram quase 48% em 2025, arrastando junto milhares de pequenos investidores.
Enquanto isso, grandes instituições com acesso a informações privilegiadas e capital suficiente conseguiram navegar melhor pela volatilidade. A diferença de acesso à informação e capacidade de capital cria vantagens estruturais que tornam o jogo desigual.
Questões sobre coordenação de mercado
A sequência temporal dos eventos levanta questionamentos no debate público sobre coordenação entre grandes instituições. A proposta da MSCI criou meses de pressão vendedora no mercado, seguida pela entrada do Morgan Stanley exatamente quando as pressões foram removidas.
A decisão da MSCI de pausar e ampliar sua revisão reflete as preocupações levantadas pela indústria sobre potencial distorção nos mercados de capital e desencorajamento à inovação na intersecção entre finanças tradicionais e ativos digitais.
Críticos do mercado interpretam a sequência como um exemplo de como grandes instituições podem influenciar preços através de ameaças regulatórias e acesso privilegiado à informação, questionando se ainda podemos chamar isso de livre mercado.
O futuro da regulação dos ETFs de cripto
A MSCI anunciou que conduzirá uma consulta mais ampla sobre como classificar empresas orientadas a investimentos, sinalizando que mudanças futuras nas regras ainda podem remodelar o setor.
Para a indústria cripto, o episódio representa tanto uma vitória quanto um alerta. Embora as empresas de Bitcoin tenham permanecido nos índices por ora, a facilidade com que uma única instituição pode abalar mercados inteiros expõe a fragilidade do sistema atual.
Conclusão: quando o timing levanta questionamentos
O episódio envolvendo MSCI e Morgan Stanley ilustra como decisões de grandes instituições podem impactar mercados globais. A sequência temporal dos eventos – proposta em outubro, meses de pressão, entrada do Morgan Stanley em janeiro, reversão da MSCI no dia seguinte – gera debates sobre coordenação e fairness nos mercados financeiros.
Independentemente das intenções, o caso expõe como poucos players podem influenciar trilhões através de índices e decisões corporativas. Para investidores individuais, isso reforça a importância de entender que grandes instituições sempre terão vantagens informacionais e de capital que tornam os mercados estruturalmente desiguais.
O Bitcoin foi criado para escapar dessas manipulações centralizadas, mas à medida que grandes bancos e fundos dominam o mercado cripto, os velhos padrões de Wall Street migram para o novo sistema. A questão que permanece é se conseguiremos preservar os ideais descentralizadores do Bitcoin em um mundo cada vez mais dominado por gigantes institucionais.
Fontes
- CoinDesk – Morgan Stanley files for bitcoin and solana ETFs
- CoinDesk – Strategy surges on MSCI decision
- Bitcoin Magazine – MSCI’s decision on Bitcoin treasury companies
- Bloomberg – Morgan Stanley Files for Bitcoin and Solana ETFs
- CoinDesk – Bitcoin ETFs BlackRock’s Top Revenue Source
- Wikipedia – MSCI
- Bitcoin Ethereum News – MSCI decision



