janeiro 4, 2026

Ludwig M

CELAC encerra reunião sem consenso sobre Venezuela: divisão expõe isolamento de Lula na América Latina

A reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) terminou sem consenso para publicar uma nota conjunta sobre o ataque militar dos Estados Unidos na Venezuela. Segundo a CNN apurou com fontes do governo brasileiro, a ausência de uma declaração oficial evidencia divergências políticas entre os países que integram a CELAC.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.

O fracasso diplomático que expõe a realidade sul-americana

O chanceler Mauro Vieira representou o Brasil na reunião extraordinária da CELAC que aconteceu por videoconferência com os 33 países da região. O resultado gera debates sobre o que analistas interpretam como constrangedor para o governo brasileiro: um bloco historicamente mais alinhado à esquerda não conseguiu formar consenso contra uma ação americana.

Essas divergências, segundo especialistas consultados por veículos de imprensa, refletem uma mudança profunda na geopolítica regional que muitos ainda se recusam a aceitar. A CELAC, que reúne 33 países do hemisfério, enfrenta atualmente uma profunda divisão interna que reflete as diferentes posições ideológicas dos governos da região.

A CELAC foi criada para ser um contrapeso à influência americana na região. Seus 33 membros excluem propositalmente Estados Unidos e Canadá. Se nem esse grupo consegue concordar em criticar Trump, isso levanta questionamentos sobre se a América Latina ainda está disposta a bancar o confronto ideológico tradicional.

O resultado da reunião alimenta o debate sobre se o discurso anti-americano perdeu força na região. Há quem interprete que muitos países já perceberam ser mais vantajoso manter relações pragmáticas com Washington do que embarcar em aventuras geopolíticas custosas.

Apenas seis países se posicionaram contra Washington

Em comunicado conjunto divulgado neste domingo, apenas Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai condenaram o ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Note-se que são exatamente os países com governos de tendência mais à esquerda.

Brasil sob Lula, Chile ainda sob Boric, Colômbia de Gustavo Petro, México de Claudia Sheinbaum e Uruguai com seu presidente de centro-esquerda. A Espanha aparece porque Pedro Sánchez frequentemente se alinha às pautas da esquerda internacional.

O comunicado manifestou preocupação com “qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais”. É uma linguagem diplomática que críticos interpretam como direcionada à intenção americana de administrar o petróleo venezuelano.

Mas aqui está o ponto central levantado por analistas: dos 33 países da América Latina e Caribe, apenas seis se dispuseram a assinar um papel criticando os Estados Unidos. Isso alimenta debates sobre o tamanho do isolamento da esquerda regional.

Por que a maioria dos países ficou calada

A realidade geopolítica atual é que a maior parte dos governos latino-americanos já é de direita ou centro-direita. Argentina com Milei celebrou a operação americana, assim como outros países – todos esses governos não demonstraram interesse em confrontar Washington por causa da Venezuela.

Há quem interprete que eles entenderam que Maduro representa aspectos controversos do autoritarismo: corrupção, narcotráfico, repressão e migração forçada. Por que defender um regime que, segundo dados internacionais, foi associado ao êxodo de 8 milhões de venezuelanos?

Além disso, analistas sugerem que esses governos percebem que Trump não está interessado em “conquistar” a América Latina no sentido tradicional. Ele busca principalmente que a região não se torne base para China e Rússia – uma demanda considerada compreensível do ponto de vista geopolítico americano.

Os países que ficaram calados na CELAC, segundo essa leitura, fizeram a escolha pragmática: preferem parcerias econômicas com os Estados Unidos a aventuras ideológicas custosas. Venezuelanos refugiados em seus territórios certamente devem ver com bons olhos essa decisão.

O cálculo político questionável para Lula

Há interpretações de que o governo brasileiro esperava usar a crise venezuelana para fortalecer sua liderança regional e criar um movimento anti-Trump na América Latina. A estratégia seria clara: transformar a questão venezuelana em bandeira da “resistência democrática” ao que alguns chamam de “imperialismo americano”.

Mas o cálculo político parece ter saído diferente do esperado. Em vez de fortalecer Lula como líder regional, a situação expôs seu relativo isolamento. A maioria dos vizinhos simplesmente não demonstrou interesse em bancar confronto com Washington por causa de Maduro.

Críticos apontam que Lula teria apostado na carta errada. Ao invés de focar em temas que realmente unem a região – como comércio, infraestrutura e desenvolvimento -, alguns questionam se não preferiu embarcar numa cruzada ideológica que poucos países estão dispostos a apoiar.

Há quem levante preocupações de que essa postura pode prejudicar os interesses comerciais brasileiros. Empresas nacionais dependem do mercado americano, e criar atritos desnecessários com Washington pode não beneficiar ninguém, exceto os políticos que lucram com o discurso anti-americano.

Trump deixa claro sua posição sobre influência externa

A ação na Venezuela enviou uma mensagem clara para toda a América Latina: os tempos de tolerância a governos que usam recursos chineses ou russos para se manter no poder através de eleições controversas acabaram, segundo a interpretação de apoiadores da operação.

Essa é a parte que mais incomoda setores da esquerda brasileira: sabem que as eleições de 2026 terão que ser disputadas em campo mais neutro, sem interferências externas significativas. Não haverá dinheiro venezuelano, cubano, chinês ou russo para bancar campanhas ou operações de desinformação, segundo essa leitura.

O recado é simples para quem interpreta assim: países podem ter governos de esquerda, mas precisam chegar ao poder e se manter nele através de eleições limpas e transparentes. Maduro perdeu essa legitimidade há muito tempo, segundo críticos, e agora paga o preço.

Para políticos brasileiros que planejavam usar recursos externos para influenciar 2026, a mensagem de Trump é cristalina segundo seus apoiadores: esqueçam essa possibilidade. A eleição será decidida pelos brasileiros, sem interferência de potências estrangeiras.

A esquerda brasileira busca alternativas

O fracasso da CELAC representa mais do que uma derrota diplomática para alguns analistas: simboliza o fim de uma era na política latino-americana. A esquerda regional perdeu o apoio externo que a sustentava e agora precisa competir em igualdade de condições eleitorais, segundo essa interpretação.

Sem financiamento venezuelano, sem apoio logístico cubano, sem operações de desinformação russas e sem investimentos políticos chineses, os partidos de esquerda precisarão convencer eleitores apenas com propostas concretas para melhorar suas vidas – ao menos é o que sugerem críticos.

É um cenário que gera apreensão para quem se acostumou a contar com recursos externos e manipulação de informação, segundo essa leitura. Agora terão que disputar no voto, defendendo políticas públicas eficazes e gestão competente.

A reação de alguns veículos alinhados com a esquerda mostra exatamente isso segundo críticos: sabem que perderam as ferramentas que usavam para se manter no poder. Por isso a grande repercussão sobre “imperialismo americano” – é o lamento de quem perdeu o jogo antes mesmo dele começar, sugerem analistas conservadores.

O isolamento relativo de Lula na América Latina

A situação atual expõe Lula em relativo isolamento em sua tentativa de liderar uma frente anti-americana na região. Até mesmo países tradicionalmente alinhados com o Brasil hesitaram em assinar um documento confrontando Washington diretamente.

Essa divisão deixa o Brasil numa posição que analistas consideram constrangedora: líder de um grupo cada vez menor de países dispostos ao confronto direto.

O presidente brasileiro apostou que sua experiência internacional e prestígio regional lhe dariam influência suficiente para unir a América Latina contra Trump. Mas a realidade geopolítica mudou: há interpretações de que a região não quer mais conflito com os Estados Unidos por causa de regimes autoritários.

Esse isolamento relativo pode ter consequências práticas para o Brasil segundo analistas: redução da capacidade de negociação em questões comerciais, enfraquecimento da posição em organismos multilaterais e possível prejuízo a investimentos americanos no país.

A estratégia de confronto com Washington só funciona se você tiver aliados dispostos a bancar o custo desse confronto, sugerem especialistas. Quando você fica relativamente sozinho nessa posição, pode se tornar refém de suas próprias declarações extremistas.

O fracasso da CELAC em emitir uma nota conjunta contra Trump expõe uma verdade que gera debates: o Brasil de Lula pode estar cada vez mais isolado numa América Latina que escolheu o pragmatismo político sobre a aventura ideológica. Quando nem os aliados tradicionais topam bancar o confronto com Washington, talvez seja hora de repensar a estratégia diplomática.

Diante de tudo isso, a pergunta que fica é: até quando o governo brasileiro vai insistir numa política externa que pode estar isolando o país de seus vizinhos e prejudicando nossos interesses comerciais? O debate está aberto.


Fontes e Referências

  1. Jovem Pan – Confirmação que CELAC terminou sem consenso
  2. CNN Brasil – Divergências políticas entre países da CELAC
  3. Agência Brasil – Comunicado conjunto de 6 países
  4. CNN Brasil – Análise sobre divisões na CELAC
  5. Infobae – Argentina liderou bloco contra consenso
  6. BeInCrypto – Divisão da América Latina nas reações
Compartilhe:

Deixe um comentário