janeiro 1, 2026

Ludwig M

O Experimento Milei: como a receita libertária conquista o mundo

As eleições legislativas de outubro de 2025 funcionaram como um referendo para o ajuste de Milei. Mesmo com a pobreza ainda em patamares elevados, a coalizão La Libertad Avanza expandiu significativamente sua representação no Congresso, obtendo 40,7% dos votos nacionalmente, sinalizando algo que analistas interpretam como apoio a políticas de redução do Estado. Isso acontece quando os números sugerem que certas estratégias libertárias apresentam resultados econômicos.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.

Argentina quebra ciclo vicioso: superávit pela primeira vez em 14 anos

Segundo dados do Ministério de Economia argentino, o país registrou superávit primário de 1,8% do PIB e financeiro de 0,3% em 2024. Para quem vivia acostumado com déficits crônicos há décadas, o resultado marca o primeiro superávit desde 2010.

O governo reduziu gastos públicos primários em 26,9% real em 2024, incluindo cortes em obras públicas e funcionamento estatal. Não houve mágica, gente. Houve uma estratégia política para fazer o que consideravam necessário, mesmo sendo impopular. Milei priorizou o equilíbrio fiscal através de cortes na máquina pública.

A estratégia desafiou previsões de muitos economistas ortodoxos que alertavam para recessão prolongada e caos social. O resultado? Estimativas do FMI apontam crescimento do PIB de 5% para 2025, contrariando previsões mais pessimistas.

O mais impressionante é que isso aconteceu sem truques contábeis ou empréstimos bilionários do exterior. Isso numa economia que registou défices orçamentais em quase todos os anos da sua história. Quando se para de financiar déficits através de emissão monetária, resultados fiscais diferentes podem emergir. Simples assim.

Hiperinflação domesticada: de 211% para menos de 118%

A inflação argentina fechou 2024 em 117,8%, bem abaixo dos 211,4% de 2023, representando uma redução significativa. Para um país que enfrentava risco de hiperinflação, isso representa a maior desaceleração inflacionária em mais de 15 anos.

A inflação passou do 25% mensual de dezembro de 2023 para 2,7% em dezembro de 2024. Nenhum governo peronista conseguiu feito semelhante em décadas. Aliás, é interpretado por analistas como resultado de políticas diferentes das tradicionalmente aplicadas.

O método não foi controle de preços ou congelamentos — essas receitas que frequentemente falharam na América Latina. Foi exatamente o oposto: liberação da economia e corte do financiamento inflacionário do Estado. No campo monetário, o Banco Central reduziu drasticamente a emissão monetária. Quando se para de imprimir dinheiro para bancar gastos públicos, a dinâmica inflacionária pode mudar naturalmente.

Críticos argumentavam que seria impossível controlar inflação sem recessão devastadora. Os resultados mostram que a inflação tem caído sustentadamente, contradizendo algumas previsões mais pessimistas. A receita libertária apresenta resultados diferentes do esperado.

PIB deve crescer 5% em 2025 enquanto pobreza cai

Após dois anos de recessão, a Argentina deve ter incremento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). É crescimento que analistas interpretam como sustentável — não aquele artificial baseado em gastos públicos que frequentemente termina em crise.

Projeções mantidas pelo FMI apontam crescimento de 5% tanto para 2025 quanto para 2026. Investidores internacionais demonstram maior confiança no país. E por quê? Porque há maior previsibilidade e regras mais claras, segundo analistas.

No segundo semestre de 2024, o percentual de domicílios abaixo da linha da pobreza nas áreas urbanas da Argentina chegou a 38,1%, uma queda de 14,8 pontos percentuales em relação ao primeiro semestre. Resultado que desafia narrativas sobre “política anti-pobre”. Quando a economia apresenta estabilidade, há interpretações de que os mais vulneráveis podem se beneficiar.

Há sinais de que os salários formais começaram a crescer acima da inflação. Segundo dados oficiais, observa-se recuperação do poder adquisitivo em alguns setores. O trabalhador comum pode estar voltando a ganhar dinheiro real, não papel desvalorizado.

Do pária internacional ao exemplo em debate

A mídia internacional, tradicionalmente cética a políticas de direita, agora analisa os números argentinos. Analistas observam que o governo de Milei logrou hitos importantes, incluindo dez meses consecutivos de superávits fiscais, algo inédito na história recente argentina.

Mercados financieros reagiram positivamente. O risco país argentino caiu drasticamente de 2.719 para 560 pontos, indicando maior confiança dos investidores. Mercados não mentem sobre credibilidade. E agora demonstram maior confiança na Argentina do que em muitos países “sérios”.

“Filhotes de Milei” emergem pelo planeta

O fenômeno não se limita à Argentina. Jovens políticos em diferentes países começam a adotar propostas similares de redução do Estado. Na Polônia, Espanha e outros países europeus, candidatos emergem defendendo políticas de “motosserra no sistema”. A receita libertária vira referência em debates globais.

É sempre a mesma fórmula: menos impostos, menos regulamentações, menos interferência estatal na economia. O que antes era considerado “ultraliberalismo radical” agora integra programas eleitorais mainstream em democracias desenvolvidas. Quando suas ideias viram mainstream, há interpretações de que se acertou na direção.

Até políticos de esquerda perceberam a tendência e começam a incorporar elementos do discurso. Quando a esquerda adota elementos da direita, analistas interpretam como sinal de que a direita identificou questões relevantes.

Esquerda brasileira observa: sem resposta para o sucesso vizinho

A esquerda brasileira entra 2026 observando atentamente os resultados do país vizinho. O modelo estatista que defendiam por décadas é questionado diante dos resultados concretos argentinos. Enquanto Milei implementa cortes de impostos e Estado, autoridades brasileiras mantêm carga tributária elevada e máquina pública expandida.

Mercados internacionais demonstram maior confiança na Argentina libertária do que no Brasil estatista, segundo indicadores financeiros. É constrangedor para alguns, mas reflete percepções de risco dos investidores.

A estratégia da oposição brasileira se desenha com clareza: copiar elementos do modelo Milei adaptados à realidade nacional. Propostas de redução de impostos, corte de gastos públicos e desregulamentação ganham força entre eleitores cansados do gigantismo estatal. Afinal, por que continuar pagando caro por serviços públicos de qualidade questionável?

O problema conceitual da esquerda é estrutural: ela precisa de Estado grande para implementar políticas redistributivas. Mas quando o Estado para de drenar recursos da economia, há interpretações de que todos ganham — especialmente os mais pobres.

Informação livre acelera revolução das mentalidades

Com acesso à informação descentralizada, cidadãos comparam resultados entre países em tempo real. Não adianta mais esconder fracassos ou inventar sucessos. Os números da economia argentina chegam instantaneamente aos brasileiros através de redes sociais. A transparência forçada acelera mudanças de mentalidade.

Essa democratização da informação destrói narrativas ultrapassadas. Analistas reconhecem que houve melhorias na confiança, no crédito, nos salários reais, como resultado de um processo de desinflação, segundo observações do FMI.

A velha narrativa de que “Estado resolve tudo” perde credibilidade quando o país vizinho prospera fazendo exatamente o contrário. Políticos tradicionais percebem que o discurso mudou. Mesmo esquerdistas agora prometem corte de impostos e redução burocrática para ganhar votos. A agenda libertária deixou de ser nicho ideológico para virar necessidade eleitoral.

2026: liberdade com proposta versus estatismo sem rumo

O cenário para 2026 se desenha com clareza cristalina. De um lado, forças políticas com agenda definida de redução do Estado, inspiradas no modelo argentino. Do outro, grupos presos ao passado, sem alternativa viável ao modelo que enfrenta questionamentos mundialmente.

Mesmo enfrentando resistências, a popularidade de Milei se mantém após reformas impopulares — algo inédito na política latino-americana. Por quê? Porque parte da cidadania interpreta que existe um rumo distinto ao dos anos anteriores, segundo análises eleitorais.

A diferença entre direita e esquerda hoje não é mais ideológica — é pragmática. Quem tem proposta concreta para resolver problemas reais versus quem só oferece mais do mesmo que já enfrentou questionamentos? A resposta está clara como água para muitos eleitores.

O tempo dos debates teóricos acabou. Milei alcançou progressos fiscais significativos desde que assumiu o poder em dezembro de 2023. Resultados falam infinitamente mais alto que promessas vazias.

O grande experimento liberal argentino sugere que a alternativa ao estatismo não só existe como apresenta resultados práticos. Resta saber se outros países terão coragem de seguir o exemplo ou continuarão presos aos modelos do passado. A história julgará quem escolheu a liberdade e quem insistiu na dependência estatal.

A pergunta que fica no ar é: quantos “Mileis” surgirão pelo mundo antes que a velha política admita sua necessidade de renovação?


Fontes e Referências

  1. La Nación – Superávit fiscal Argentina 2024
  2. Swiss Info – Projeções FMI para Argentina
  3. Wikipedia – Eleições Legislativas Argentina 2025
  4. El Financiero – Redução da pobreza Argentina
  5. Emol – Inflação Argentina 2024
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