A novela Três Graças registrou uma queda significativa de audiência em dezembro de 2025, chegando a 14,4 pontos em sua pior performance . Uma queda considerável para uma produção que havia alcançado 24,2 pontos em novembro. A proximidade temporal com eventos políticos controversos gera debates no meio televisivo sobre os fatores que influenciam o comportamento da audiência brasileira.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem estabelece relações causais definitivas. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.
Manifestações políticas dividem opinião pública
Em dezembro de 2025, diversos eventos políticos marcaram o cenário nacional, incluindo manifestações tanto favoráveis quanto contrárias à anistia para envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. O tema gerou amplo debate na sociedade, com diferentes setores se posicionando publicamente sobre as questões judiciais em andamento.
Segundo reportagens, artistas e personalidades públicas participaram de diversos eventos relacionados ao tema, expressando suas posições políticas. Críticos argumentam que quando celebridades se posicionam sobre assuntos controversos, isso pode impactar a percepção do público sobre seus trabalhos artísticos.
A participação de figuras públicas em debates políticos é um direito constitucional, mas analistas do mercado televisivo observam que há uma tendência do público brasileiro de reagir a posicionamentos que considerem distantes de suas próprias convicções. A coincidência temporal entre eventos políticos e mudanças na audiência alimenta especulações, embora correlação não implique necessariamente em causalidade.
Estudiosos do comportamento de audiência apontam que o brasileiro médio tem se mostrado mais seletivo quanto ao entretenimento que consome, especialmente quando há questões políticas envolvidas. Essa tendência reflete mudanças mais amplas no consumo de mídia no país.
Números confirmam desafios da novela
Segundo dados do mercado televisivo, Três Graças acumula média de 22 pontos na Grande São Paulo, repetindo o desempenho morno da antecessora e ficando atrás do Jornal Nacional praticamente todos os dias.
Os dados mostram que Três Graças sofre uma perda consistente de audiência ao longo de cada capítulo, com a trama começando na casa dos 25 pontos e terminando com cerca de 20. Essa oscilação representa uma queda equivalente a quase 400 mil domicílios só na Grande São Paulo.
A situação levou a emissora a tomar medidas emergenciais. Executivos determinaram reforço nas ações de divulgação, e a dramaturgia abriu um novo grupo de discussão para entender por que o público não está acompanhando a novela.
Entre as estratégias adotadas está a escalação de Viviane Araújo para viver par romântico com o ex-marido Belo na trama, medida que evidencia a busca desesperada por recursos que possam reverter a situação.
Globo enfrenta crise sistêmica em 2025
O problema de Três Graças se insere em um contexto mais amplo de dificuldades da Rede Globo. O Fantástico fechou 2025 com a pior audiência em 52 anos, sinalizando uma rejeição mais ampla aos produtos da emissora.
Segundo dados consolidados do início do ano de 2025, a Globo registrou em dezembro de 2024 sua pior audiência mensal da história, com 9,9 pontos na Grande São Paulo, ficando pela primeira vez abaixo dos dois dígitos.
O cenário reflete uma transformação estrutural no consumo de entretenimento. Dados da Kantar Ibope mostram que o streaming e os vídeos online ultrapassaram pela primeira vez um terço da audiência nacional em agosto de 2025, chegando a 33,5% dos aparelhos ligados.
Transformações no consumo de mídia
A queda na audiência televisiva tradicional não é fenômeno isolado da Globo. Representa uma mudança geracional e tecnológica que afeta todo o mercado de televisão aberta. As novas gerações preferem conteúdo sob demanda, personalizado e sem interrupções comerciais.
O problema é que esse crescimento no streaming não compensa a perda na televisão linear. O modelo de negócios da TV aberta ainda depende fundamentalmente da audiência ao vivo para venda de publicidade. Quando a audiência migra, o impacto financeiro é direto e significativo.
Analistas do setor apontam que a politização excessiva da programação pode acelerar esse processo de migração. O telespectador que busca entretenimento puro encontra alternativas nas plataformas digitais, que oferecem variedade sem a carga ideológica que permeia muito do conteúdo televisivo atual.
YouTube, Netflix e outras plataformas crescem enquanto a TV tradicional encolhe. Essa migração representa não apenas uma mudança de hábito, mas uma transformação cultural profunda na forma como os brasileiros consomem entretenimento.
Lições de mercado para o futuro da televisão
O caso de Três Graças ilustra os desafios que as emissoras tradicionais enfrentam num mercado em transformação. O público brasileiro demonstra estar mais exigente e menos tolerante com conteúdo que não atenda suas expectativas de entretenimento.
A fórmula que funcionou por décadas — novelas que ditavam tendências culturais — precisa ser repensada para o Brasil contemporâneo. A sociedade está mais plural, mais informada e com acesso a alternativas de entretenimento que antes não existiam.
Para produtoras e emissoras, a mensagem é clara: é necessário reconectar-se com o público. O entretenimento deve ser a prioridade, oferecendo histórias que divirtam, emocionem e engajem, independentemente de agendas políticas ou sociais.
A Globo terá que escolher entre manter certas práticas ou adaptar-se ao novo mercado. As audiências são o termômetro mais preciso dessa relação com o público, e os números de dezembro de 2025 enviaram uma mensagem inequívoca sobre a necessidade de mudanças.
O mercado livre funciona pela lei da oferta e demanda. Quando o público não se identifica com o produto oferecido, simplesmente migra para alternativas. A Globo, como qualquer empresa, está sujeita a essas leis econômicas básicas.
O futuro da televisão brasileira dependerá da capacidade das emissoras de se adaptarem a esse novo cenário. Três Graças é apenas um sintoma de uma transformação maior que está redefinindo todo o setor de entretenimento no país.
Resta observar se as mudanças necessárias serão implementadas a tempo de reverter essa tendência de queda ou se assistiremos a uma reestruturação completa do modelo televisivo brasileiro nos próximos anos.



