dezembro 30, 2025

Ludwig M

Petro decreta novo estado de emergência e troca comando militar

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, decretou estado de emergência econômica e fez mudanças no comando das Forças Armadas a menos de cinco meses das eleições no país. Segundo fontes oficiais, o governo declarou estado de emergência econômica e social em todo território colombiano após arquivamento da reforma tributária no Congresso. A decisão seguiu a rejeição pelo Congresso de um projeto de financiamento que buscava arrecadar cerca de 4,2 bilhões de dólares para o orçamento de 2026. Simultaneamente, Petro anunciou mudanças na cúpula militar, alegando que o objetivo é garantir “a segurança e democracia” em 2026.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em debates públicos e fontes abertas. Não afirma como fatos comprovados condutas ilegais ou ilícitas. Seu objetivo é promover reflexão crítica sobre temas de interesse público.

Emergência econômica: mais impostos sem aprovação do Congresso

Quando o Congresso diz “não”, Petro simplesmente muda as regras do jogo. Sob o decreto de emergência, o governo está autorizado a emitir decretos legislativos com força de lei para lidar com a situação fiscal, reorganizar o orçamento e adotar medidas urgentes que normalmente exigiriam aprovação do Congresso. Na prática, isso significa uma coisa bem simples: Petro pode aumentar impostos por decreto, sem passar pelo Legislativo. A medida, formalizada no Decreto 1390, concede ao Poder Executivo 30 dias para emitir decretos com força de lei.

Os números falam por si só. Entre 2023 e 2024, o déficit fiscal aumentou em 2,5 pontos percentuais, e analistas esperam que o déficit possa exceder 7% do PIB em 2025. Para os críticos, essa situação fiscal caótica é resultado direto das políticas expansivas do governo esquerdista. Os gastos públicos sob Petro, eleito em 2022, explodiram para níveis que excedem os gastos durante a pandemia. O orçamento do governo nacional colombiano é de aproximadamente 134 bilhões de dólares em 2025.

Aqui está a diferença crucial: o Congresso colombiano, diferentemente do brasileiro, tem mostrado resistência às tentativas de aumentar a carga tributária. Mas quando o Estado não consegue financiar seus excessos pela via democrática, que caminho sobra? O autoritarismo, claro. Petro argumentou que os novos recursos devem vir apenas dos “mega-ricos que se beneficiaram da política econômica”, enquadrando a medida como um retorno limitado desses ganhos à sociedade.

O presidente sinalizou sua intenção de taxar os “mega-ricos”, potencialmente ressuscitando disposições da reforma fracassada, como aumentar o imposto sobre movimentações financeiras de 0,4% para 0,5% por transação. É a velha cantilena: quando o governo precisa de dinheiro, sempre tem alguém que “não está pagando sua parte justa”. Afinal, é mais fácil culpar os produtivos do que admitir os próprios erros.

A terceira troca de comando militar em menos de três anos

O general Hugo Alejandro López assumirá como Comandante Geral das Forças Militares de Colômbia. O vice-almirante Harry Ernesto Reyna ocupará o cargo de Chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Militares. Mas aqui está o detalhe preocupante: Esta é a terceira mudança no comando das Forças Militares que Petro realiza durante seu governo. Em 2022, retirou 40 almirantes e generais das Forças Armadas. Posteriormente, em maio de 2024, reconfigurou toda a cúpula devido à crise de segurança.

Três trocas em menos de três anos? Isso não é administração, segundo críticos é aparelhamento. Um dos aspectos centrais na trajetória de López Barreto é seu papel como membro da delegação do governo na mesa de diálogo com o Exército de Liberação Nacional (ELN). Ou seja, o novo comandante das Forças Armadas é alguém que passou boa parte do tempo negociando com guerrilheiros. Conforme análise de Gabriel Silva, ex-ministro de Defesa, “o presidente busca defender e justificar ante a opinião pública os resultados de sua política de paz total de cara às próximas eleições. Para isso, pretende contar com o respaldo dos militares”.

A estratégia é cristalina: colocar no comando pessoas ideologicamente alinhadas, não necessariamente as mais competentes. Como Petro já havia anunciado como candidato, ele buscaria novas lideranças entre os mais jovens. E desde que nomeou Iván Velásquez como ministro da Defesa, era óbvio que qualquer pessoa ligada a irregularidades seria preterida. É o que críticos classificam como aparelhamento das instituições – a esquerda sabe que para implementar sua agenda, precisa controlar quem tem as armas.

Por sinal, o timing não é coincidência. Faltando poucos meses para as eleições, críticos argumentam que Petro quer garantir que os comandantes militares sejam leais a ele pessoalmente, não à instituição ou à democracia. O general Hugo Alejandro López Barreto assumirá como comandante-geral das Forças Militares, substituindo o almirante Francisco Cubides. O major-general Royer Gómez assume o comando do Exército.

Assembleia Constituinte: o projeto autoritário em curso

Além da emergência econômica e das trocas militares, Petro continua avançando com seu projeto mais ambicioso: reescrever as regras do jogo. O governo anunciou a intenção de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para reformar a Constituição do país. A proposta foi apresentada pelo ministro da Justiça, Eduardo Montealegre, e segundo ele, o objetivo é “construir as bases da transformação que a Colômbia necessita”.

Montealegre explicou que a Constituinte seria composta por 71 delegados, divididos igualmente entre homens e mulheres, e que o projeto busca “impulsionar o programa social que a caverna não deixou o primeiro governo de esquerda desenvolver”. A linguagem é reveladora, não é mesmo? Quem se opõe aos projetos da esquerda não é oposição democrática – é “caverna”. É a típica retórica de quem quer eliminar qualquer resistência ao seu projeto de poder.

O projeto para convocar a Assembleia Nacional Constituinte não foi bem recebido por vários setores do país, que criticam tanto a iniciativa quanto o momento escolhido – a apenas cinco meses das eleições legislativas de março de 2026. “Brincar com uma Constituinte a poucos meses de uma eleição presidencial é incendiar a democracia com fósforos eleitorais”, afirmou o candidato à presidência Juan Manuel Galán.

É um clássico manual autoritário, página por página: quando não consegue implementar suas políticas pelas vias institucionais normais, simplesmente muda as regras. Em junho, Petro anunciou que nas eleições legislativas de março de 2026 “será entregue uma cédula para convocar” esse mecanismo. A iniciativa foi contestada por vários setores, incluindo especialistas em direito constitucional. Afinal, por que convencer quando se pode tentar impor?

O déficit explode enquanto Petro culpa os “ricos”

Enquanto isso, os mercados já estão mandando seu recado. A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota da Colômbia ainda mais dentro do grau especulativo na semana passada, indicando a persistência de grandes déficits fiscais. A agência rebaixou a classificação soberana de BB+ para BB. É o mercado sinalizando que a situação fiscal está completamente insustentável.

O déficit fiscal pode se ampliar para 7,5% do PIB em 2026 sem uma reforma tributária, afirmou Petro. Mas qual é a solução proposta? Cortar gastos públicos? Eliminar programas ineficientes? Claro que não. A solução é sempre a mesma: mais impostos sobre quem produz. Petro especificou que os poderes de emergência seriam utilizados com os super-ricos, um grupo que, segundo ele, beneficiou-se desproporcionalmente das políticas econômicas anteriores. O governo de esquerda pretende arrecadar aproximadamente 4,19 bilhões de dólares mediante impostos especiais.

É sempre a mesma narrativa demagógica: os problemas do Estado são culpa dos “ricos” que não pagam sua “parte justa”. O mandatário qualificou a medida como justiça fiscal, insistindo que quem tem grandes ganhos deve contribuir para prevenir um colapso financeiro estatal. Mas adivinha quem realmente paga essa conta no final? A classe média e os trabalhadores – sempre eles.

Por sinal, vale lembrar: quem criou esse buraco fiscal foi o próprio governo com seus gastos excessivos e políticas populistas. O gasto público cresce junto com o endividamento, sem aumento substancial da arrecadação. Entre 2023 e 2024, o déficit fiscal subiu 2,5 pontos percentuais. Agora quer que a sociedade produtiva pague pelos erros da gestão esquerdista. É privatizar os prejuízos e socializar os custos – mas ao contrário.

Congresso resiste, mas Judiciário pode ceder

Felizmente, ainda existe alguma resistência institucional. Poucas horas após o decreto ser publicado, o pré-candidato presidencial de direita Abelardo De la Espriella apresentou uma ação na Corte Constitucional, desafiando a declaração como abuso. O tribunal está considerando convocar uma sessão extraordinária para estudar a viabilidade do decreto. Essa é uma diferença crucial entre Colômbia e Brasil: lá ainda existe resistência real nas instituições.

O decreto gerou uma onda de críticas da oposição e do setor empresarial, que consideram haver uma extrapolação constitucional, alegando que para uma emergência econômica ser válida, a lei requer uma situação extraordinária e imprevista. Se não for assim, Petro estaria abusando de seu poder para eludir o debate democrático.

A Corte Constitucional da Colômbia tem agora a decisão sobre o decreto. Se determinar que a emergência não cumpre com o limiar de perturbação inoportuna, poderia anular a medida. Petro advertiu que tal rejeição dispararia a classificação de risco país e desencadearia uma grave crise econômica. É a chantagem clássica do populista: ou vocês aceitam meu autoritarismo ou eu quebro o país.

E mais: o setor privado já demonstra preocupação real. A Associação Nacional de Empresas da Colômbia (ANDI) e a Câmara Colombiana da Construção advertiram que a medida gera incerteza jurídica que poderia frear o investimento. É simples assim: quando o Estado se torna imprevisível, o capital foge e o emprego desaparece. Quem paga? O cidadão comum.

Brasil e Colômbia: o mesmo roteiro autoritário

O que acontece na Colômbia deveria servir de alerta vermelho para o Brasil. O roteiro é praticamente idêntico: governo de esquerda que gasta sem controle fiscal, cria um problema estrutural, culpa os “ricos” pela crise, tenta implementar mais impostos, e quando o Congresso resiste, usa decretos de emergência para contornar a democracia. Se isso não funcionar, aparelha as instituições. E se ainda assim não der certo, segundo críticos, parte para o golpe.

Petro é o laboratório vivo do que pode acontecer no Brasil se Lula decidir radicalizar de vez. A diferença é que na Colômbia o Congresso ainda tem espinha dorsal para resistir aos aumentos de impostos. No Brasil, nosso Legislativo é historicamente mais complacente com os desmandos do Executivo. Isso pode nos tornar ainda mais vulneráveis ao mesmo tipo de autoritarismo gradual.

A troca sistemática de comandantes militares é especialmente alarmante. Nos primeiros dias de seu mandato, o presidente esquerdista colombiano Gustavo Petro aposentou 52 generais. Trata-se da maior varredura na história da Colômbia. Segundo críticos, não é modernização das Forças Armadas – é aparelhamento puro para garantir lealdade pessoal ao líder, não às instituições democráticas.

Aliás, as democracias raramente morrem de uma vez só. Elas são corroídas aos poucos, quase imperceptivelmente: primeiro vem a crise fiscal “inevitável”, depois os decretos de emergência “necessários”, em seguida o aparelhamento das instituições “para a governabilidade”, e por fim a mudança da Constituição “para aprofundar a democracia”. É sempre a mesma receita autoritária, testada e aprovada.

O tempo está se esgotando para a democracia colombiana. Com as eleições marcadas para maio de 2026, Petro tem poucos meses para consolidar definitivamente seu projeto de poder. A questão não é mais se ele tentará – é se as instituições colombianas conseguirão resistir. E se não conseguirem, o exemplo pode muito bem inspirar outros governos de esquerda na região a seguir exatamente o mesmo caminho. O Brasil não pode se dar ao luxo de ignorar esses sinais cada vez mais evidentes.

Diante de tudo isso, a pergunta que não quer calar é: ainda há tempo de reverter essa escalada autoritária, ou já ultrapassamos o ponto de não retorno? A resposta pode determinar o futuro de toda a América Latina.

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