dezembro 29, 2025

Ludwig M

2026 será brutal: Por que milionários estão abandonando o Brasil

O Brasil deve registrar a saída de 1.200 milionários em 2025, com transferência de US$ 8,4 bilhões para o exterior, segundo consultoria Henley & Partners. Enquanto isso, a carga tributária brasileira bateu recorde histórico em 2024, atingindo 34,24% do PIB. Não é coincidência que essas duas informações façam parte da mesma realidade brasileira.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em debates públicos e fontes abertas. Não afirma como fatos comprovados condutas ilegais ou ilícitas. Seu objetivo é promover reflexão crítica sobre temas de interesse público.

A fuga dos que entendem de dinheiro

O Brasil ocupa a 6ª posição mundial em perda de milionários, atrás de Reino Unido, China, Índia, Coreia do Sul e Rússia. Os destinos preferidos incluem Estados Unidos, especialmente Flórida, Portugal, Ilhas Cayman, Costa Rica e Panamá. Esses números revelam uma tendência preocupante: quem tem conhecimento financeiro está saindo do país.

Entre os motivos estão insegurança urbana, instabilidade política, alta carga tributária e busca por melhor qualidade de vida. Enquanto países como China e Índia começam a recuperar parte de sua elite financeira, o êxodo brasileiro é majoritariamente unilateral. O movimento não é apenas de indivíduos isolados, mas de uma classe inteira que perdeu a confiança no país.

Entre os fatores que motivam essa migração global estão preocupações com segurança, ambiente político, tributação elevada e busca por melhor qualidade de vida. Indivíduos com alto patrimônio são geralmente os primeiros a deixar um país quando percebem deterioração nas condições. A lógica é simples: capital é móvel, fronteiras não o prendem.

O problema não está apenas na saída desses milionários. Essa migração representa não apenas uma perda de capital, mas também uma fuga de know-how, investimentos e influência econômica, afetando negativamente a inovação, o consumo interno e a geração de empregos qualificados. Quando a elite financeira abandona o país, leva consigo muito mais do que dinheiro.

O cerco tributário de 2026

O ano de 2026 será um marco na tributação brasileira. A partir de 1º de janeiro de 2026, haverá tributação na fonte de 10% sobre lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas em montante superior a R$ 50.000 por mês. Essa retenção deve ser realizada por todas as empresas, inclusive as optantes pelo Simples Nacional.

O Presidente sancionou a Reforma Tributária da Renda, que propõe isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e cria a Tributação Mínima para Altas Rendas. As mudanças entram em vigor a partir de janeiro de 2026. Na prática, o governo está fechando todas as válvulas de escape fiscal.

Qualquer profissional, herdeiro ou empresário que receba dividendos acima de R$ 50 mil por mês de uma mesma empresa estará sujeito à tributação. Empresários, sócios majoritários, herdeiros e profissionais liberais devem arcar com mais impostos. O limite de R$ 50 mil mensais pode parecer alto, mas atinge diretamente a classe empreendedora.

A nova legislação não para por aí. Essa nova tributação não afeta diretamente a maioria dos autônomos, mas o impacto principal é para sócios de empresas e pessoas com rendimentos elevados. O governo está mirando especificamente na classe produtiva do país.

Autônomos na mira do fisco

Se você pensou em fugir para a informalidade, o governo já se antecipou. Segundo dados da transcrição, a partir de 2026 a emissão de nota fiscal passa a ser obrigatória para autônomos. A medida amplia o controle fiscal, eliminando a possibilidade de atuar na informalidade sem tributação.

Mesmo quem trabalha por conta própria não escapa. A nova legislação força autônomos a emitirem documentos fiscais, aumentando a carga burocrática e tributária. Não há mais refúgio na prestação de serviços independentes.

Para profissionais que faturam valores significativos, a mudança representa um golpe duplo: mais burocracia e mais impostos. Com a chegada do IRPFM, a estratégia de só abrir CNPJ para fugir do imposto de pessoa física pode não ser suficiente para quem fatura acima de R$ 600 mil anuais.

A estratégia governamental é clara: não deixar nenhuma forma de atividade econômica fora do alcance tributário. Cada mudança na legislação reduz as opções dos trabalhadores e empreendedores.

Dinheiro em espécie sob controle

Você poderia pensar: “Vou usar só dinheiro vivo, nada de banco”. Mas o governo também fechou essa porta. Segundo informações da transcrição, restrições ao uso de grandes quantias em dinheiro foram aprovadas pela CCJ, proibindo o uso de dinheiro em espécie em transações comerciais ou profissionais acima de R$ 10.000.

O limite de R$ 10.000 para operações em dinheiro não é casual. Representa uma tentativa de controlar todas as transações de valor significativo no país. Profissionais independentes e pequenos empresários ficam impossibilitados de manter reservas em dinheiro.

A legislação prevê exceções “em situações justificadas”, mas quem decide o que é justificado? Na prática, essas exceções servem para um grupo específico: os próprios políticos, que historicamente encontram formas de justificar suas movimentações financeiras.

Para o trabalhador comum, não há escapatória. O cerco se fecha em todas as direções: empresas pagam mais impostos, autônomos são obrigados a se formalizar, e mesmo o dinheiro em espécie tem limites rígidos de uso.

Criptomoedas: o último refúgio atacado

Se você apostou em criptomoedas para preservar patrimônio, prepare-se para mais uma surpresa. A partir de 2026, haverá tributação de lucros e dividendos acima de R$ 50.000 por mês, com alíquota de 10% na fonte, além de tributação de dividendos pagos a investidores não residentes.

Para criptomoedas especificamente, segundo dados da transcrição, as regras do imposto sobre cripto ativo no Brasil mudam em 2026, prevendo o fim da isenção de R$ 35.000 para vendas mensais e aplicação de alíquota única de 17,5% sobre ganhos de capital para pessoas físicas.

A estratégia do governo foi inteligente: primeiro pediu para declarar “de graça”, só para saber quem possuía criptomoedas. Agora que a maior parte já declarou, a regra muda. Quem foi honesto e declarou seus bitcoins agora enfrenta tributação pesada.

Não há mais refúgio digital. O que antes era isento agora rende quase um quinto do lucro para o governo. A liberdade financeira digital está sendo sistematicamente destruída.

Recordes de tributação que ninguém pediu

A carga tributária brasileira bateu recorde em 2024, somando 34,1% do PIB pelo formato tradicional e 32,2% pela nova metodologia, representando aumento de dois pontos percentuais. Esses números não são abstratos – representam menos dinheiro no bolso de cada brasileiro.

Houve aumento da carga tributária em todos os entes da federação – federal, estadual e municipal. Dos dois pontos percentuais de alta, 70% é responsabilidade do governo federal. A União lidera o processo de aumentar a pressão sobre o contribuinte.

O aumento decorre principalmente das elevações no PIS/Pasep, Cofins e ICMS, seguidos pelo IPI e IRRF. O crescimento do PIS/Cofins está associado à reversão de desonerações sobre combustíveis. Cada alívio dado no passado vira cobrança redobrada no presente.

O Brasil já tinha uma das maiores cargas tributárias do mundo. Agora bate recordes históricos. Enquanto isso, a qualidade dos serviços públicos não acompanha o aumento da arrecadação.

A concorrência entre países que o Brasil ignora

Enquanto o Brasil aperta o cerco, outros países fazem o contrário. Segundo dados da transcrição, no Paraguai a tributação de criptomoedas para pessoas físicas é praticamente zero – 0% para ganhos obtidos fora do país, devido ao princípio de territorialidade fiscal.

Em Portugal, ganhos de capital de ativos detidos por mais de um ano estão isentos de impostos. Se você comprou Bitcoin em anos anteriores e mora em Portugal, não paga nada sobre esses ativos. O contraste com o Brasil é gritante.

A lógica da concorrência funciona para países também. Quanto mais um país pressiona determinado setor, maior o incentivo para outros países não fazerem isso, atraindo empresas e capital. O Brasil está perdendo essa competição.

Para um programador brasileiro que trabalha para clientes internacionais, mudar para o Paraguai significa pagar zero de imposto sobre essa renda. Para quem possui criptomoedas adquiridas no Brasil, viver em Portugal pode significar isenção total.

O que fazer diante do inevitável

A situação é clara: 2026 trará mudanças drásticas na tributação brasileira. Quem pode se mover está se movendo. Entre os países dos BRICS, todos registraram déficits menores na perda de milionários, exceto o Brasil, que teve piora em seu desempenho.

Existem opções para quem está disposto a planejar. Países com custo de vida baixo, salários altos em moeda local, benefícios para aposentados e diversas facilidades para diferentes perfis estão disponíveis. O primeiro passo é sempre o mais difícil.

A saída da elite envia mensagem péssima para o investidor estrangeiro. A lógica é simples: se os próprios brasileiros estão desistindo do país, por que alguém de fora deveria investir? A fuga de milionários aumenta a percepção de risco e afasta capital externo.

Para quem ainda não tem outra cidadania, é essencial começar a planejar. Seja por casamento, investimento ou ascendência, ter um plano B se tornou necessidade, não luxo. Não depender somente de um país é questão de sobrevivência financeira.

A realidade que poucos querem ver

O governo não está cometendo erros por incompetência. Cada medida é calculada para aumentar arrecadação e controle sobre a população. A estratégia é clara: fechar todas as saídas e forçar o pagamento.

O movimento drena a economia e gera perda de capital. O dinheiro que sai deixa de financiar novas empresas, gerar empregos ou movimentar o mercado imobiliário. Como ocorre no Reino Unido, a arrecadação de impostos também cai. Ironicamente, aumentar impostos pode diminuir arrecadação.

Sem os milionários e empresários, quem fica paga a conta. O governo perde contribuintes importantes e o dinheiro que eles gastariam. Esse rombo fiscal limita a capacidade do Estado de investir, criando um ciclo vicioso. É a espiral descendente em ação.

O macaco não muda a árvore de lugar. O macaco muda de árvore. Você pode tentar reformar o sistema ou pode procurar um lugar onde suas habilidades sejam valorizadas e sua produtividade não seja confiscada.

Diante de tudo isso, a pergunta que fica é: até quando você vai aceitar ser sócio involuntário de um governo que só sabe cobrar mais?

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