dezembro 29, 2025

Ludwig M

Volta à Lua em 2026: 4 astronautas vão fazer história em fevereiro

Volta à Lua em 2026: 4 astronautas vão fazer história em fevereiro

Cinquenta anos depois da última missão tripulada à Lua, quatro astronautas estão se preparando para fazer história em fevereiro de 2026. A missão Artemis II da NASA pode ser lançada já em fevereiro de 2026, dois meses antes da data originalmente prevista para abril. A humanidade está prestes a voltar ao satélite natural da Terra após cinco décadas de espera.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em debates públicos e fontes abertas. Não afirma como fatos comprovados condutas ilegais ou ilícitas. Seu objetivo é promover reflexão crítica sobre temas de interesse público.

Os quatro astronautas que farão história

A tripulação da Artemis II é composta por Reid Wiseman, comandante da missão, Victor Glover, piloto, Christina Koch, especialista em missão, e o canadense Jeremy Hansen. Koch será a primeira mulher em órbita lunar. Glover é o primeiro afro-americano selecionado para uma missão Artemis. Estes nomes entrarão para a história como os primeiros seres humanos a viajar além da órbita terrestre baixa desde 1972.

Reid Wiseman nasceu em Baltimore em 1975 e possui dupla formação em engenharia, além de experiência militar como aviador naval e piloto de teste. Ele registrou 165 dias no espaço durante uma missão à Estação Espacial Internacional em 2014. Como comandante da Artemis II, será responsável pela segurança, decisões críticas e coordenação da equipe.

Victor Glover nasceu em 1976 na Califórnia, é comandante da Marinha dos EUA e piloto F/A-18. Tem experiência na Estação Espacial Internacional e em caminhadas espaciais, além de ter pilotado a missão SpaceX Crew-1 em 2021. Na Artemis II, assumirá o papel de piloto, sendo o segundo no comando da missão e supervisionando manobras orbitais e sistemas de navegação críticos.

Christina Koch possui formação em matemática, engenharia elétrica e física, sendo também recipiente da Medalha de Serviço Antártico concedida pelo Congresso dos Estados Unidos. Jeremy Hansen, nascido em Londres, Ontário, Canadá, em 1976, é astronauta da CSA (Agência Espacial Canadense) e o único participante internacional nesta missão. Sua presença simboliza a cooperação internacional no retorno da humanidade à Lua.

A missão que pode mudar tudo em 2026

A Artemis II é um voo de 10 dias no qual uma tripulação de quatro astronautas voará ao redor da Lua, sendo um teste precursor para o primeiro pouso de astronautas na Lua desde 1972. Diferente das missões Apollo, que incluíram pousos lunares, a Artemis II terá como principal foco testar os sistemas da nave Orion e do foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS) em órbita lunar.

A cápsula Orion será montada no topo do foguete SLS, com 98 metros de altura, a partir do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, marcando a primeira vez que esta dupla de espaçonaves voará com seres humanos. A nave orbitará a Terra uma vez antes de seguir em direção à Lua, a uma distância de quase 10.000 quilômetros, antes de regressar à Terra. O pouso será no Pacífico leste, junto à costa de San Diego.

Os astronautas viajarão aproximadamente 7.500 quilômetros além do lado oculto da Lua. Deste ponto de observação, o satélite estará em primeiro plano e a Terra a quase 400.000 quilômetros ao fundo. A tripulação poderá ver partes da Lua que os humanos nunca viram antes, com até 60% da vista do lado oculto da Lua podendo ser única. É uma perspectiva que nenhum ser humano teve desde as missões Apollo.

Jeff Radigan, diretor de voo da Artemis II, enfatizou que os astronautas irão voar pelo menos 9.200 quilômetros além da Lua, superando os limites das missões anteriores. Lá fora, os astronautas não estarão tão protegidos da radiação pelo campo magnético da Terra. A exposição à radiação pode aumentar o risco de câncer e outras doenças degenerativas.

Tecnologia de ponta com preocupações estatais

A Artemis II voará no foguete Sistema de Lançamento Espacial da NASA, construído pela Boeing e Northrop Grumman, e na cápsula Orion, construída pela Lockheed Martin. A missão testará sistemas críticos a bordo da espaçonave Orion, construída pela NASA e Airbus, que foi projetada para suportar vida humana no espaço profundo.

O módulo de serviço contém tanques de água, tanques de oxigênio e nitrogênio para fornecer ar, sistemas de aviônicos e painéis solares para gerar toda a energia necessária para a espaçonave Orion. Mais importante, possui o módulo de propulsão que fornecerá o impulso para levar os astronautas à Lua e trazê-los de volta.

Durante a missão Artemis I, foram identificados problemas no escudo térmico da Orion durante a reentrada na atmosfera terrestre. A NASA assegura que estas questões foram “desde então resolvidas”. Como disse Victor Glover em uma coletiva de imprensa: “Sempre que se fala em fogo, ou se fala em entrada e escudos térmicos, fala-se em paraquedas, são coisas de alto risco que não têm tolerância a falhas. Eles têm que funcionar.”

Aqui emerge uma crítica fundamental: toda essa operação é praticamente estatal, conduzida pela NASA com recursos dos contribuintes americanos. Mais uma vez, vemos um projeto governamental de bilhões de dólares sem objetivos econômicos claros além do prestígio nacional. O setor privado demonstrou capacidade superior em reduzir custos e acelerar inovação espacial.

Enquanto as missões Apollo eram sobre missões de curto prazo, a Artemis foca em “construir uma presença humana sustentável na Lua e ao redor dela”. O objetivo é usar a Lua como trampolim para futuras viagens a Marte, já que é muito difícil ir diretamente da Terra para Marte devido à quantidade de combustível e energia necessária.

Experimentos científicos e riscos humanos

Durante a missão, os astronautas realizarão diversos experimentos, incluindo o projeto Avatar, que usa um chip do tamanho de uma pen USB contendo células cultivadas a partir do sangue da tripulação para avaliar os efeitos da radiação e microgravidade na saúde humana no espaço. Outra experiência monitorará o sono, atividade física e interações dos astronautas a bordo da cápsula, de forma semelhante às pulseiras de fitness, para estudar as mudanças na saúde em tempo real.

Os astronautas coletarão amostras de saliva, que serão analisadas após o regresso à Terra e comparadas com amostras coletadas antes da partida. Outros projetos monitorarão o sono, atividade física, interações a bordo e coletarão amostras para análises posteriores. A tripulação servirá como “cobaias humanas”, com experiências monitorando os efeitos do ambiente espacial no corpo humano. Os cientistas cultivarão amostras de tecido a partir do sangue dos astronautas, antes e depois da jornada.

A tripulação avaliará o desempenho dos sistemas de suporte à vida necessários para gerar ar respirável e remover o dióxido de carbono e o vapor d’água produzidos quando os astronautas respiram, falam ou se exercitam. Será uma oportunidade para testar os sistemas durante períodos de exercício e durante o sono.

A Orion verificará os sistemas de comunicação e navegação para confirmar se estão prontos para a viagem à Lua. Quando a nave viajar ao redor da Lua, o controle da missão dependerá da Rede do Espaço Profundo para se comunicar com os astronautas, enviar imagens para a Terra e comandar a espaçonave. Todos esses testes são essenciais, mas questionável é o custo-benefício de fazê-los através de um programa estatal.

O contexto geopolítico que move bilhões

O programa Artemis da agência espacial é o carro-chefe do esforço dos EUA para levar seres humanos à Lua, uma série de missões multibilionárias que rivaliza com esforço semelhante da China, que tem como meta o pouso de um astronauta na Lua em 2030. O programa Artemis representa um esforço significativo dos Estados Unidos em retomar a liderança na exploração lunar em meio à crescente competição espacial, especialmente com a China.

Esta é a verdadeira motivação: não ciência, não exploração pacífica, mas competição geopolítica. Os Estados Unidos querem chegar à Lua antes da China, e os contribuintes americanos pagarão a conta dessa corrida espacial do século XXI. É o mesmo padrão da Guerra Fria, quando a corrida espacial era mais sobre prestígio nacional que avanço científico.

A missão é a precursora tripulada da Artemis 3, um esforço de pouso lunar muito mais complexo, atualmente planejado para 2027, usando uma variante lunar da nave Starship da SpaceX. Os dados obtidos na Artemis 2 serão essenciais para a missão Artemis 3, que deverá levar humanos a pousar novamente na superfície da Lua, potencialmente no Polo Sul lunar. Para isso, a NASA contará com a nave Starship, desenvolvida pela SpaceX.

Curiosamente, a NASA terá que depender da SpaceX, uma empresa privada, para a parte mais complexa da missão. Isso demonstra que o setor privado já superou a capacidade estatal em várias áreas da exploração espacial. A pergunta que fica é: por que não deixar toda a operação para empresas privadas desde o início?

Custos ocultos de um projeto estatal

O programa Artemis representa bilhões de dólares em gastos públicos sem retorno econômico imediato. A primeira fase da missão Artemis ocorreu em novembro de 2022 e teve duração de 25 dias, quando a espaçonave orbitou a Lua, enfrentando problemas no escudo térmico durante sua reentrada na atmosfera terrestre. Problemas que custaram tempo e dinheiro dos contribuintes para resolver.

Empresas privadas como a SpaceX revolucionaram a indústria espacial com foguetes reutilizáveis e custos drasticamente reduzidos. Enquanto isso, o programa Artemis segue o modelo tradicional da NASA: enormes gastos, cronogramas atrasados e componentes não reutilizáveis. A maior parte do foguete SLS é descartada após cada lançamento, gerando desperdício astronômico.

A diferença é clara: quando uma empresa privada gasta seu próprio dinheiro, busca eficiência. Quando o governo gasta dinheiro dos outros, a preocupação é o prestígio político. Charlie Blackwell-Thompson, diretor de lançamento da missão Artemis, mencionou que ajustes estavam sendo feitos na aeronave antes do lançamento. Cada “ajuste” significa mais custos para o contribuinte.

O programa espacial chinês avança com determinação, enquanto os americanos gastam fortunas em burocracia estatal. A competição deveria ser vencida pela eficiência do mercado livre, não pelo tamanho do orçamento governamental. Infelizmente, a NASA representa o oposto: concentração de poder, ineficiência estrutural e gastos sem limite claro.

O que vem depois da missão

O comandante Reid Wiseman deu o tom em uma coletiva, dizendo aos astronautas: “Victor, Christina, Jeremy, vamos à Lua”. Ele enfatizou que a Artemis 2 continua sendo uma missão de teste. “Nós simplesmente não nos ancoramos em datas. Vamos lançar quando o veículo estiver pronto, quando esta equipe estiver pronta”, observando que a tripulação poderia retornar logo após a decolagem, passar vários dias na órbita da Terra ou prosseguir para a volta lunar.

“Pretendemos manter esse compromisso”, disse Lakiesha Hawkins, funcionária sênior interina da unidade de exploração da NASA. Ela acrescentou que a prontidão das espaçonaves SLS e Orion poderia potencialmente justificar uma data de lançamento anterior, mas as considerações de segurança orientarão a data de lançamento da missão.

Originalmente prevista para abril de 2026, a janela de lançamento da Artemis 2 poderá abrir já no dia 5 de fevereiro. “A janela de lançamento pode abrir já no dia 5 de fevereiro, mas queremos enfatizar que a segurança é nossa maior prioridade”, afirmou Lakiesha Hawkins. É louvável a preocupação com segurança, mas questionável é o modelo de financiamento.

Após décadas de promessas não cumpridas de bases lunares e viagens a Marte, o programa Artemis pode representar uma nova era ou apenas mais uma demonstração de força política. A diferença desta vez é que empresas privadas estão forçando o governo a acelerar o passo. A competição do setor privado está empurrando a inovação para frente, enquanto a burocracia estatal tenta acompanhar.

A volta à Lua em 2026 será histórica, mas também será cara. Muito cara. E quem paga a conta não são os políticos que tomam as decisões, mas os contribuintes que trabalham para financiar os sonhos espaciais de Washington. Cinquenta anos depois, a humanidade voltará à Lua. A pergunta é: valeu a pena esperar tanto tempo por um projeto estatal quando o setor privado poderia ter chegado lá mais rápido e mais barato?

E você, acredita que programas espaciais devem ser conduzidos pelo Estado ou deixados para a iniciativa privada? A corrida espacial do século XXI está apenas começando.

Fontes

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