dezembro 25, 2025

Ludwig M

Datafolha expõe fracasso de Moraes: 34% ainda são bolsonaristas

Datafolha expõe fracasso de Moraes: 34% ainda são bolsonaristas

Uma nova pesquisa Datafolha revelou dados que deixam o establishment político em pânico. Mesmo com Jair Bolsonaro preso e enfrentando múltiplas acusações, 34% dos brasileiros ainda se declaram bolsonaristas. Enquanto isso, 40% se dizem petistas. Os números mostram algo fundamental: a estratégia de Alexandre de Moraes para destruir o bolsonarismo falhou completamente.

A polarização atingiu 74% da população brasileira, segundo o levantamento realizado entre os dias 2 e 4 de dezembro de 2025. Apenas 18% se posicionaram como neutros, 6% disseram não apoiar nenhum dos lados e 1% não soube responder. Esses dados confirmam o que já era evidente: o Brasil está dividido entre duas forças políticas antagônicas.

Para quem ainda acredita em “terceira via” ou no retorno do centro político, os números são um banho de água fria. A realidade matemática é implacável. O equilíbrio de forças políticas tende aos extremos, não ao meio.

O plano fracassado de Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes apostou todas as fichas na destruição do bolsonarismo. O objetivo nunca foi apenas prender Bolsonaro – se fosse isso, ele poderia ter feito no momento em que o ex-presidente retornou ao Brasil em 2023. A meta era muito mais ambiciosa: convencer a população a abandonar Bolsonaro e voltar aos braços do PSDB.

O plano era sofisticado. Primeiro, tornaram Bolsonaro inelegível. Depois, multiplicaram as acusações: roubo de joias, falsificação de cartão de vacina, tentativa de golpe. Por fim, prenderam o ex-presidente, esperando que isso destruísse definitivamente sua influência política. Cada passo foi calculado para desmoralizar não apenas Bolsonaro, mas toda a sua base eleitoral.

Mas os números da Datafolha mostram a dura realidade: 34% dos brasileiros continuam bolsonaristas. Isso representa milhões de pessoas que não se deixaram convencer pela narrativa oficial. Mesmo com toda a pressão midiática, mesmo com Bolsonaro na prisão, mesmo com anos de ataques sistemáticos, mais de um terço do país mantém sua identificação política.

O fracasso de Moraes revela algo fundamental sobre a natureza do apoio político no Brasil. As pessoas não seguem apenas ideias – elas se identificam com figuras. E essa identificação é muito mais resistente do que qualquer estratégia jurídica ou midiática.

O fim do PSDB e a nova polarização

Para entender o presente, é preciso olhar para 2018. Naquele ano, o grande perdedor não foi o PT – foi o PSDB. O partido que dominou a política brasileira por décadas simplesmente desapareceu do mapa. Hoje, é impossível citar um político tucano relevante no cenário nacional.

Antes de 2018, a grande rivalidade era PT versus PSDB. Essa dinâmica funcionou por mais de 20 anos, criando a ilusão de alternância democrática. Mas era apenas teatro político. As diferenças entre os dois partidos eram cosméticas, não estruturais. Ambos defendiam o mesmo modelo de Estado inchado, a mesma social-democracia morna.

Bolsonaro quebrou esse jogo em 2018. Pela primeira vez, surgiu uma oposição real ao sistema. Não era mais a falsa disputa entre PT e PSDB – era uma divisão genuína entre projetos diferentes de país. Por isso a elite política entrou em desespero.

Figuras como João Dória personificam essa frustração. O ex-governador de São Paulo apostou na queda de Bolsonaro, tentou seduzir Sergio Moro para sair do governo, articulou contra Paulo Guedes. Era o arquiteto de uma conspiração para derrubar Bolsonaro e restaurar a velha ordem. Hoje, Dória não conseguiria ganhar nem eleição para síndico de prédio.

Por que a terceira via é uma ilusão matemática

Os dados da Datafolha enterram definitivamente qualquer esperança de terceira via. Com 74% da população polarizada entre petistas e bolsonaristas, não há espaço político no centro. É simples matemática eleitoral.

Em 2026, a escolha será entre Lula e alguém indicado por Bolsonaro – provavelmente Flávio Bolsonaro. Nomes como Caiado ou Ratinho Júnior podem até ser lançados, mas não passarão de figuração. O brasileiro já escolheu seus lados.

Essa polarização não é temporária. Pode durar décadas. A única forma de quebrar esse equilíbrio seria o surgimento de alguém mais radical que Bolsonaro à direita, ou mais radical que Lula à esquerda. Alguém no centro não tem força para disputar com esses polos magnéticos.

A matemática é cruel com os sonhadores do centro. Quando a população está polarizada, as posições intermediárias perdem relevância. É como tentar vender produto morno em mercado que quer quente ou frio.

A identificação pessoal supera as ideias

Um dado curioso da pesquisa revela muito sobre o comportamento político brasileiro. Enquanto 40% se dizem lulistas, apenas 22% se declaram de esquerda. Da mesma forma, 35% se dizem de direita, mas só 34% são bolsonaristas.

Isso mostra algo fundamental: o brasileiro vota mais na pessoa que nas ideias. Existem lulistas que não se consideram de esquerda – o que é um paradoxo, já que Lula representa a extrema-esquerda brasileira. Do outro lado, há pessoas de direita que não são bolsonaristas.

Essa identificação pessoal explica por que é ilusão achar que a direita encontrará um substituto fácil para Bolsonaro. Não existe. Assim como a esquerda não tem substituto para Lula. A política brasileira funciona na base do carisma pessoal, não da coerência ideológica.

No caso de Flávio Bolsonaro, a transferência de votos pode ser ainda mais eficiente que para outros nomes da direita. Primeiro, ele carrega o sobrenome Bolsonaro. Segundo, é filho do ex-presidente. Terceiro, tem o apoio explícito do pai. Esses três fatores garantem uma identificação muito forte com a base bolsonarista.

O Nordeste e a força da desinformação

Os dados regionais revelam outro aspecto importante da política brasileira. O Nordeste, região tradicionalmente lulista, é paradoxalmente uma das mais conservadoras do país. Mais conservadora que o Sudeste e o Sul em questões de costumes e valores.

Essa contradição existe porque o voto nordestino é baseado em mitologia, não em informação. O “mito Lula” ainda funciona na região, mas essa realidade está mudando. À medida que a informação se descentraliza e chega a todos os cantos do país, a verdade sobre o lulismo fica mais evidente.

O Nordeste vota em Lula por gratidão mal direcionada, não por afinidade ideológica. A população nordestina é conservadora, religiosa, empreendedora. Valores completamente opostos ao que Lula e o PT representam. Quando essa percepção se espalhar, o mapa eleitoral brasileiro pode mudar drasticamente.

A informação descentralizada é a maior ameaça ao poder da esquerda. Por isso a obsessão com regular redes sociais e combater as chamadas “fake news”. Não é defesa da verdade – é proteção da narrativa oficial.

As implicações para 2026

Com esses dados em mãos, é possível fazer projeções realistas para a próxima eleição presidencial. Será uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Não há terceira opção viável no horizonte político brasileiro.

Flávio Bolsonaro tem chances muito significativas de vitória. Primeiro, porque herda a base sólida do pai – esses 34% de bolsonaristas declarados. Segundo, porque existe uma parcela silenciosa de apoiadores que tem vergonha de se declarar bolsonarista devido à pressão midiática, mas vota na direita na urna.

Lula, por sua vez, enfrenta o desgaste natural de estar no poder. Governar é diferente de fazer oposição. Os problemas econômicos e sociais do país recaem sobre quem está no Palácio do Planalto. Isso historicamente prejudica candidatos à reeleição.

A polarização também favorece quem está fora do poder. É mais fácil mobilizar uma base quando se está na oposição. O discurso de mudança sempre soa mais atraente que o de continuidade, especialmente em um país com tantos problemas estruturais.

O fracasso da estratégia lawfare

O uso do sistema judicial para fins políticos – conhecido como lawfare – mostrou suas limitações no caso Bolsonaro. Mesmo preso, mesmo acusado de múltiplos crimes, mesmo com toda a máquina do Estado funcionando contra ele, Bolsonaro mantém sua relevância política.

Isso deveria servir de lição para futuras tentativas de manipulação judicial. O brasileiro pode não ter sofisticação intelectual em questões ideológicas, mas tem intuição política aguçada. Consegue distinguir entre justiça legítima e perseguição política.

O lawfare funciona quando há consenso social sobre a culpa do alvo. No caso de Bolsonaro, esse consenso nunca existiu. Pelo contrário, cada nova acusação reforçava a percepção de perseguição entre seus apoiadores.

Alexandre de Moraes pode ter salvado sua conta bancária e a de seus colegas no STF, mas pagou um preço alto em legitimidade. Hoje é visto por mais de um terço do país como um perseguidor político, não como um guardião da democracia.

A democracia brasileira em xeque

Os dados da Datafolha revelam mais que preferências eleitorais – mostram o estado da democracia brasileira. Um país onde 74% da população está polarizada é um país em tensão permanente.

Essa polarização não é natural. Foi construída artificialmente através de decisões políticas e judiciais controversas. O uso do Estado para perseguir adversários políticos criou um clima de guerra civil permanente no país.

A responsabilidade por essa situação recai sobre quem controlou as instituições nos últimos anos. Alexandre de Moraes e seus aliados no STF transformaram o Supremo Tribunal Federal em um instrumento de poder político. Perderam a aura de imparcialidade que sustenta qualquer democracia saudável.

O resultado está aí: um país dividido ao meio, onde metade desconfia da outra metade, onde as instituições perderam legitimidade, onde o diálogo político se tornou impossível. Isso não é democracia – é uma bomba-relógio social.

Os dados da Datafolha são um retrato fiel do Brasil atual: polarizado, desconfiado, dividido. Um país onde a política virou guerra e a justiça virou arma. Alexandre de Moraes queria destruir o bolsonarismo e salvar a “democracia”. Conseguiu apenas o oposto: fortaleceu Bolsonaro e enfraqueceu as instituições. O tiro saiu pela culatra de forma espetacular.

Diante desse cenário, uma pergunta permanece no ar: será que o Brasil conseguirá sair dessa polarização destrutiva, ou estamos condenados a décadas de guerra política permanente?

Fontes

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