dezembro 23, 2025

Ludwig M

Faria Lima rende-se: Flávio já conquistou quem o rejeitava

Faria Lima rende-se: Flávio já conquistou quem o rejeitava

O encontro entre Flávio Bolsonaro e André Esteves marca uma mudança radical no cenário político brasileiro. Segundo o colunista Lauro Jardim, a Faria Lima que inicialmente descartava completamente o filho do ex-presidente como candidato viável, agora já coloca os pés no chão e reconhece sua inevitabilidade. O que parecia impossível há poucos meses tornou-se realidade: o mercado financeiro brasileiro está negociando com quem considerava inviável.

A resistência inicial da Faria Lima baseava-se na preferência clara por Tarcísio de Freitas. O governador paulista sempre foi visto como a opção mais palatável para o setor financeiro – um político técnico, sem os arroubos do pai, capaz de unir direita e centro. Mas as pesquisas mudaram tudo. Quando a Queste mostrou Flávio Bolsonaro à frente nas intenções de voto, o jogo virou definitivamente.

André Esteves, dono do BTG Pactual, recebeu o senador em sua própria residência para uma conversa longa e detalhada. Não se trata apenas de cortesia política. O encontro representa o reconhecimento de que Flávio Bolsonaro será, muito provavelmente, o candidato da direita em 2026. E quando você tem essa certeza, precisa conversar – independentemente das preferências pessoais.

O movimento estratégico do filho do ex-presidente segue o mesmo roteiro que deu certo em 2018. Jair Bolsonaro conquistou a confiança do mercado ao indicar Paulo Guedes como futuro ministro da Fazenda. Agora, Flávio percorre a Faria Lima em busca de nomes que possam dar credibilidade econômica à sua candidatura. A fórmula que funcionou uma vez pode funcionar novamente.

O fim da terceira via que nunca existiu

A consolidação em torno de Flávio Bolsonaro enterra definitivamente os sonhos de uma terceira via no Brasil. Muitos analistas apostavam que surgiria um candidato de centro, capaz de superar a polarização entre Lula e Bolsonaro. A matemática política, porém, é implacável. O país vive um equilíbrio bipartidário de facto, onde apenas duas forças conseguem mobilizar votos suficientes para vencer eleições presidenciais.

Não existe cavaleiro branco montado em corcel imaculado que salvará o Brasil da polarização. O que existe é uma disputa clara entre duas visões de país: a esquerda representada pelo PT e a direita que se organizou em torno do bolsonarismo. Quem não entendeu isso ainda está vivendo no passado, sonhando com o retorno de um PSDB que não volta mais.

A própria postura de Tarcísio de Freitas confirma essa leitura. O governador paulista sempre deixou claro que só seria candidato caso os filhos do ex-presidente não quisessem disputar. Ele sabia exatamente o que aconteceria: o nome Bolsonaro carrega consigo toda a força eleitoral da direita brasileira. Não há como competir com isso dentro do mesmo campo político.

As pesquisas apenas confirmaram o óbvio. Flávio Bolsonaro cresceu nas intenções de voto porque herda naturalmente a base eleitoral do pai. Esse eleitorado não vai abandonar o sobrenome que representa suas convicções para apoiar um nome técnico, por melhor que seja. A política tem dessas: tradição e identificação pessoal pesam mais que competência gerencial.

Centrão embarca na onda: Kassab já negocia com Flávio

O movimento mais surpreendente vem de Gilberto Kassab, líder histórico do centrão brasileiro. O presidente do PSD já articula colocar Romeu Zema como vice de Flávio Bolsonaro, abandonando os planos de lançar Ratinho Júnior como candidato próprio. Quando Kassab muda de posição, é sinal de que os ventos políticos mudaram definitivamente de direção.

A mudança de Kassab não é gratuita. Ratinho Júnior, que seria o candidato presidencial do PSD, rapidamente anunciou que disputará o Senado pelo Paraná. A mensagem é clara: as pesquisas mostraram que não há espaço para um terceiro nome forte na direita. Melhor negociar cedo e garantir boas posições na futura administração do que insistir numa candidatura fadada ao fracasso.

A articulação envolvendo Zema como vice tem lógica eleitoral evidente. O governador mineiro possui alta popularidade em Minas Gerais, estado que Bolsonaro perdeu em 2022. Conquistar Minas é fundamental para qualquer candidato que queira derrotar Lula. O ex-presidente mantém força considerável no estado, especialmente nas regiões mais pobres e no interior.

Em troca do apoio de Zema, Kassab espera que o PSD tenha respaldo de Flávio Bolsonaro para eleger o próximo governador de Minas Gerais. Trata-se de uma negociação típica da política brasileira: você me ajuda nacionalmente, eu te ajudo localmente. O centrão funciona assim há décadas e continuará funcionando independentemente de quem ocupe o Planalto.

São Paulo, Minas e Distrito Federal: a matemática da vitória

O grande desafio de Flávio Bolsonaro está nos três estados onde seu pai perdeu votos decisivos em 2022: São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. A boa notícia é que as pesquisas já mostram reversão dessa tendência em Brasília. O eleitorado local conhece bem o senador e aprova seu desempenho no Congresso Nacional.

Em São Paulo, a estratégia passa necessariamente pela Faria Lima e pela classe média alta que votou contra Bolsonaro na eleição passada. Esse eleitorado queria o retorno do PSDB, sonhava com um candidato liberal moderado, rejeitava o que via como radicalismo bolsonarista. Agora percebe que não há alternativa viável no campo da direita.

O perfil mais moderado de Flávio Bolsonaro pode ajudar nessa conquista. Diferentemente do pai, ele não cultiva polêmicas desnecessárias nem faz declarações que assustam o mercado financeiro. Sua imagem é de um político pragmático, capaz de dialogar com diferentes setores sem abrir mão dos princípios conservadores.

Minas Gerais representa o maior desafio geográfico. O estado possui regiões muito distintas, com perfis eleitorais completamente diferentes. Zema como vice pode ajudar significativamente, especialmente na região metropolitana de Belo Horizonte e no interior desenvolvido. Nas regiões mais pobres, a disputa será mais acirrada contra a máquina petista.

O mercado financeiro e o pragmatismo eleitoral

André Esteves pode não ser o nome mais querido entre libertários e conservadores, mas sua influência no mercado financeiro brasileiro é inegável. Conversar com ele faz parte do jogo político real, não do mundo ideal onde só conversamos com quem pensamos igual. Política não é clube da Luluzinha – é negociação constante com pessoas que têm interesses diversos.

O setor financeiro brasileiro quer previsibilidade e estabilidade. Não gosta de surpresas nem de declarações que movimentem dólar e bolsa sem necessidade. Por isso preferia Tarcísio, visto como mais técnico e menos sujeito a arroubos retóricos. Mas se a opção é entre Flávio Bolsonaro e mais quatro anos de Lula, a escolha fica mais fácil.

O governo Lula só aumenta impostos, complica a vida do setor produtivo e gasta sem controle. A equipe econômica petista vive em conflito interno, sem conseguir apresentar um plano coerente de longo prazo. Para quem trabalha com mercado, isso é insuportável. Flávio representa a esperança de voltar a ter uma política econômica responsável.

A estratégia do senador de buscar um nome forte para a área econômica segue o manual político correto. Paulo Guedes deu credibilidade à candidatura do pai em 2018, mesmo com todas as críticas posteriores. Um nome respeitado no mercado pode tranquilizar investidores e atrair recursos importantes para a campanha de 2026.

Caiado isolado e o mapa da direita em 2026

Ronaldo Caiado parece ser o único governador de direita que ainda não embarcou na onda Flávio Bolsonaro. O goiano mantém discurso próprio e pode representar algum tipo de resistência interna no campo conservador. Mas sua influência geográfica é limitada – fora do Centro-Oeste, poucos eleitores conhecem verdadeiramente o governador de Goiás.

A postura de Caiado pode estar relacionada a suas ambições próprias ou a discordâncias programáticas com o bolsonarismo. O governador criou vários impostos em Goiás, política que destoa da agenda liberal defendida pela direita nacional. Essas diferenças podem gerar atritos numa eventual aliança eleitoral.

O mapa da direita para 2026 vai ficando mais claro. Tarcísio se reelege em São Paulo e permanece como reserva estratégica nacional. Ratinho Júnior disputa o Senado no Paraná e articula sua sucessão no governo estadual. Zema pode ir como vice na chapa presidencial, abrindo espaço para o PSD governar Minas Gerais.

Resta saber se Caiado vai aceitar essa arrumação ou se tentará criar algum tipo de movimento próprio. A tendência é que, mais cedo ou mais tarde, ele também reconheça a inevitabilidade de Flávio Bolsonaro e negocie seu espaço na futura coalizão. Na política brasileira, ficar isolado raramente compensa no longo prazo.

A velocidade da consolidação surpreende

A rapidez com que a direita se organizou em torno de Flávio Bolsonaro surpreendeu até observadores mais atentos. Esperava-se um processo mais longo, com mais resistências e negociações. Mas as pesquisas eleitorais aceleraram decisões que poderiam levar meses para acontecer.

Quando a Queste mostrou Flávio à frente de Tarcísio nas intenções de voto, o jogo mudou completamente. Lideranças que apostavam em candidaturas próprias rapidamente recalcularam suas estratégias. Kassab abandonou Ratinho Júnior, a Faria Lima começou a conversar, até mesmo setores mais resistentes passaram a considerar a inevitabilidade do senador.

Essa velocidade pode ser positiva para a direita. Uma candidatura consolidada cedo permite mais tempo para construir alianças, captar recursos e estruturar campanhas estaduais. Também evita o desgaste de uma primária interna prolongada, que sempre beneficia o adversário principal – no caso, Lula.

Por outro lado, consolidações muito precoces podem gerar acomodação e falta de preparo adequado. Flávio Bolsonaro terá que provar que consegue sustentar uma candidatura presidencial com a pressão e o escrutínio que isso envolve. Ser senador é muito diferente de disputar o Planalto.

O que isso significa para 2026

A consolidação precoce de Flávio Bolsonaro como candidato da direita muda completamente o cenário eleitoral de 2026. Não haverá terceira via forte, não haverá dispersão de votos no campo conservador, não haverá surpresas de última hora. O confronto será direto: Flávio versus Lula, sem meias medidas.

Para o mercado financeiro, isso traz previsibilidade. Mesmo quem preferia Tarcísio agora sabe com quem deve negociar. As incertezas diminuem, os investimentos podem ser planejados, as estratégias empresariais ganham horizonte mais claro. Wall Street adora previsibilidade, e Faria Lima também.

Para a esquerda, a situação fica mais complicada. Lula terá que enfrentar um adversário que carrega o nome Bolsonaro mas sem os desgastes da presidência anterior. Flávio não foi presidente durante a pandemia, não tomou as decisões controversas, não acumula o peso de quatro anos de governo. É Bolsonaro sem os arranhões do poder.

A campanha de 2026 promete ser ainda mais polarizada que a de 2022. Não haverá candidatos moderadores, não haverá opções intermediárias com chances reais. O eleitor brasileiro terá que escolher entre dois projetos antagônicos de país, sem meio termo ou terceira opção viável.

E você, acredita que essa consolidação precoce em torno de Flávio Bolsonaro é positiva para a direita brasileira?

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