
Ministros do governo Lula avaliam que a candidatura de Flávio Bolsonaro para 2026 não passa de projeto para 2030. Acreditam que será fácil derrotar quem carrega o sobrenome Bolsonaro. O próprio presidente deu ordens para o PT não atacar o senador, preferindo enfrentá-lo nas urnas. Mas os dados mostram uma realidade diferente: 39% dos brasileiros consideram o governo Lula pior que o de Bolsonaro.
A estratégia petista repete o mesmo cálculo equivocado que Jair Bolsonaro fez em 2022. Na época, o ex-presidente poderia ter impedido a candidatura de Lula, mas preferiu enfrentá-lo por acreditar que seria mais fácil. O resultado todos conhecem. Agora, Lula comete erro semelhante ao subestimar a força política do nome Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro não apenas assumiu a liderança do movimento político do pai, como também ocupou seu lugar na sede do PL. Responde pelas redes sociais da família e se posiciona como sucessor natural. Para a esquerda, isso deveria ser motivo de preocupação, não de alívio.
Por que 2026, não 2030: a matemática política que o PT ignora
A tese de que Flávio Bolsonaro concorre para se projetar para 2030 não faz sentido matemático. Se não for Flávio em 2026, o candidato natural seria Tarcísio de Freitas. Caso Tarcísio vença, terá direito à reeleição em 2030, bloqueando qualquer tentativa de Flávio até 2034.
Além disso, há grande possibilidade de Jair Bolsonaro recuperar seus direitos políticos até 2030. As decisões controversas de Alexandre de Moraes podem ser anuladas, devolvendo ao ex-presidente a elegibilidade. Isso tornaria desnecessária uma candidatura de Flávio quatro anos mais tarde.
O cenário atual favorece uma candidatura forte de Flávio em 2026. O governo Lula perdeu sustentação no Congresso Nacional, com o centrão abandonando o governo. Sem maioria na Câmara, o presidente não consegue aprovar projetos importantes, caracterizando um final antecipado de mandato.
A estratégia petista de não atacar Flávio revela medo. Segundo reportagem da revista Veja, auxiliares de Lula consideram que “no duelo de rejeições, o petismo vence qualquer candidato que carrega o sobrenome Bolsonaro”. Essa avaliação pode custar caro ao PT.
O jogo perigoso da rejeição que pode derrubar Lula
A aposta na rejeição do nome Bolsonaro é uma estratégia arriscada. Rejeição é um número volátil, que muda conforme a situação econômica e política do país. Com o governo Lula enfrentando dificuldades crescentes, a tendência é que sua própria rejeição aumente até 2026.
A pesquisa do Poder360 já mostra sinais preocupantes para o petismo. Quando 39% da população considera o governo atual pior que o anterior, isso indica mudança no humor do eleitorado. O número tende a crescer se os problemas econômicos se agravarem.
Historicamente, governos em final de mandato enfrentam desgaste natural. Inflação, desemprego, escândalos políticos e crises econômicas costumam pesar contra quem está no poder. Lula não está imune a essa dinâmica, mesmo com sua experiência política.
O erro de cálculo pode ser fatal. Da mesma forma que Bolsonaro subestimou a capacidade de recuperação de Lula, o PT pode estar subestimando a força política de Flávio. O sobrenome que carrega não é apenas herança: é marca consolidada junto ao eleitorado de direita brasileiro.
Flávio cresce enquanto o governo Lula definha
Enquanto ministros petistas fazem piada com a candidatura de Flávio, o senador assume posições cada vez mais relevantes. Ocupou o lugar do pai na sede do PL, comanda as redes sociais da família e articula com lideranças políticas pelo país. Não são movimentos de quem pensa em 2030.
O crescimento político de Flávio acontece em paralelo ao enfraquecimento do governo federal. Lula perdeu a capacidade de articulação que caracterizou seus primeiros mandatos. O centrão, peça-chave para aprovação de projetos, migrou para a oposição em busca de melhores oportunidades eleitorais.
Essa dinâmica favorece candidatos de oposição. Sem conseguir entregar resultados concretos para a população, o governo se torna alvo fácil para críticas. Problemas como inflação, desemprego e insegurança pública tendem a ser atribuídos a quem está no poder.
Flávio tem ainda a vantagem de representar continuidade de um governo que, mesmo controverso, deixou saudades em parte significativa do eleitorado. A comparação direta entre os dois períodos administrativos pode favorecer a narrativa bolsonarista de que “era melhor antes”.
O centrão abandonou o barco antes do naufrágio
A debandada do centrão representa o fim prático do governo Lula. Sem essa base de apoio, o presidente não consegue aprovar nenhuma agenda relevante no Congresso. Restam apenas decretos e medidas administrativas de impacto limitado.
Partidos como PP, PL, Republicanos e União Brasil calculam que é melhor se posicionar na oposição para 2026. Essa migração não acontece por acaso: reflete pesquisas internas que mostram tendência de vitória da direita na próxima eleição presidencial.
O movimento do centrão é sempre pragmático, nunca ideológico. Quando esses partidos abandonam um governo, é porque identificaram que o ciclo político está chegando ao fim. Aconteceu com Dilma Rousseff em 2016, e se repete agora com Lula em 2025.
Para Flávio Bolsonaro, essa situação é uma oportunidade. Com o centrão disponível para negociação, pode construir uma coalizão ampla que garanta governabilidade desde o primeiro dia de um eventual mandato. É exatamente o que falta ao governo atual.
A consolidação da dinastia política Bolsonaro
Uma vitória de Flávio em 2026 consolidaria definitivamente o nome Bolsonaro como sinônimo de direita no Brasil. Acabaria com as pretensões do PSDB, de Ciro Gomes e de outros grupos políticos que sonham ocupar esse espaço no espectro político nacional.
A sequência seria natural: depois de Flávio viria Carlos, depois Eduardo, e assim por diante. Uma dinastia política que se estenderia por décadas, similar ao que acontece em outras democracias pelo mundo. Para a esquerda, seria o pior cenário possível.
O próprio afastamento de Ciro Gomes da disputa nacional já representa vitória estratégica para os Bolsonaro. O ex-ministro decidiu concorrer ao governo do Ceará, removendo uma alternativa que poderia dividir votos anti-Lula em 2026.
Essa consolidação não aconteceria apenas no plano federal. A família Bolsonaro tem representantes espalhados por vários estados, criando uma rede política nacional que independe de alianças tradicionais. É um ativo político que Lula e o PT não possuem mais.
Quando a estratégia vira tiro no pé
A ordem de Lula para não atacar Flávio Bolsonaro pode ser o maior erro estratégico do petismo em 2025. Ao permitir que o senador cresça sem contestação, o governo oferece campo livre para consolidação da candidatura que mais teme.
O cálculo petista considera apenas a rejeição atual, ignorando que dois anos são uma eternidade na política brasileira. Crises econômicas, escândalos de corrupção, problemas internacionais ou questões de segurança pública podem mudar completamente o cenário eleitoral.
Além disso, Flávio tem tempo para trabalhar sua imagem e reduzir eventuais resistências. Pode modular discurso, ampliar bases de apoio e construir propostas que atraiam eleitores indecisos. Tudo isso sem enfrentar ataques sistemáticos do governo ou da mídia alinhada.
“Quando o governo promete facilidade na eleição, é porque já perdeu”, resume a situação. A confiança excessiva do PT pode se transformar no combustível necessário para uma derrota acachapante em 2026.
O que os números realmente dizem sobre 2026
A pesquisa que mostra 39% dos brasileiros considerando o governo Lula pior que o de Bolsonaro é apenas um indicativo de tendência. Em contexto de empate técnico, pequenas variações podem definir eleições presidenciais.
Mais importante que o número atual é a direção da curva. Se a tendência é de piora na avaliação do governo, Flávio Bolsonaro parte em vantagem para 2026. Governos em declínio raramente conseguem reverter a percepção pública nos meses finais de mandato.
A vantagem de Flávio sobre outros possíveis candidatos de direita, como Tarcísio de Freitas, está justamente na herança política que carrega. Não precisa construir nome ou reconhecimento nacional: já possui uma base eleitoral consolidada que vota no sobrenome, não apenas na pessoa.
Para o eleitorado conservador brasileiro, Flávio representa continuidade de políticas que aprovaram entre 2019 e 2022. Marco temporal, agenda armamentista, liberalização econômica e posicionamento em costumes são bandeiras que mantêm apelo junto a milhões de brasileiros.
A matemática é simples: se o governo Lula continuar perdendo popularidade, qualquer candidato de oposição se torna competitivo. Se esse candidato ainda carregar o nome Bolsonaro, as chances de vitória aumentam exponencialmente. É exatamente isso que o PT parece não compreender em sua estratégia para 2026.
O erro de subestimar adversários políticos custou caro a muitos governos ao longo da história brasileira. Lula, que se beneficiou desse mesmo erro em 2022, agora comete equívoco idêntico. A diferença é que, desta vez, pode pagar o preço mais alto: ver consolidada no poder a família política que mais combateu nos últimos anos.
Resta saber se o PT perceberá o equívoco antes que seja tarde demais. Ou se assistirá, incrédulo, à vitória de quem considerava adversário fácil de derrotar.
Diante desse cenário, uma pergunta se impõe: será que a esquerda brasileira está preparada para enfrentar não apenas uma, mas várias gerações da família Bolsonaro no poder?


