
Documentos da Polícia Federal revelam que Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, viajou de primeira classe para Lisboa ao lado de Antônio Carlos Camilos Antunes, conhecido como “careca do INSS”. A viagem aconteceu no dia 8 de novembro de 2024, no voo JJ8148, com passagens que custam entre R$ 14 mil e R$ 25 mil cada uma. Segundo o delator Edson Claro, ex-assessor do careca do INSS, foi o empresário quem pagou a viagem do filho do presidente.
O caso ganhou relevância após a CPMI do INSS tentar investigar essas conexões e encontrar resistência sistemática do governo. A “tropa de choque do Planalto”, como definiu o colunista Elio Gaspari, bloqueou todas as tentativas de ouvir Lulinha na comissão. Mais grave: impediram até mesmo o acesso à lista de passageiros do voo para Lisboa.
Essa blindagem excessiva está funcionando ao contrário. Em vez de proteger, expõe exatamente onde estão os pontos sensíveis da investigação. Quando o governo se desespera para esconder algo, geralmente é porque há muito a esconder.
O timing da viagem chama atenção. Meses depois desse passeio a Lisboa, Lulinha se mudou para Madrid, na Espanha. A mudança súbita para a Europa aconteceu exatamente quando as investigações da CPMI começaram a apertar o cerco em torno de suas atividades.
Seis viagens e uma amizade muito conveniente
Lulinha não viajava apenas com o careca do INSS. A Polícia Federal identificou pelo menos seis viagens que ele fez com a empresária e lobista Roberta Luxinger. Todas com reservas feitas sob o mesmo código localizador, indicando que uma única pessoa pagou as passagens de ambos.
Roberta Luxinger não é uma pessoa qualquer no cenário político brasileiro. Ela é herdeira do ex-banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luxinga, ex-acionista do Credit Suisse, e foi casada com Protógenes Queiroz. Apresenta-se como “bem relacionada em Brasília”, com muitos contatos no governo Lula. É o exemplo perfeito da elite aristocrática socialista da capital federal.
A conexão entre Roberta e a família presidencial vai além dos negócios. Nas redes sociais, ela se declara “best friend forever” de Renata, esposa de Lulinha. As duas são tão próximas que fizeram tatuagens iguais: a letra R com um coração. Essa intimidade familiar facilitaria qualquer esquema de repasse de valores.
Segundo a investigação, Roberta seria o principal elo entre o careca do INSS e Lulinha. O dinheiro não podia ser depositado diretamente na conta do filho do presidente – isso seria muito óbvio. Então, seguia o caminho das empresas de Roberta, que recebiam por “projetos altamente aleatórios”, como descrevem os investigadores.
Mesada de R$ 300 mil e pagamento de R$ 25 milhões
O delator Edson Claro revelou informações explosivas sobre os valores envolvidos no esquema. Segundo ele, Lulinha recebia uma mesada mensal de R$ 300 mil do careca do INSS. Além disso, houve um pagamento único de R$ 25 milhões para o filho do presidente.
Nas conversas interceptadas entre o careca e Roberta Luxinger, eles mencionam cinco parcelas de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão. Mas os R$ 25 milhões aparecem como uma quantia separada, independente da “mesada” mensal. Isso sugere que o esquema era bem mais robusto do que se imaginava inicialmente.
A Polícia Federal tem condições de rastrear esses pagamentos. Se foi realmente o careca quem bancou as viagens de Lulinha, ficará registrado nos sistemas das companhias aéreas. Se Roberta intermediou transferências financeiras, aparecerá na quebra do sigilo bancário dela.
O artigo 332 do Código Penal tipifica essa conduta como tráfico de influência. A investigação já concluiu que não havia “relação de subordinação” entre Lulinha e o careca, mas sim uma “atuação societária”. Os dois frequentavam órgãos públicos juntos, citando projetos que seriam implementados no governo federal.
A fuga para Madrid e o desespero governamental
A mudança de Lulinha para Madrid não foi casual. Aconteceu exatamente quando a CPMI do INSS começou a investigar suas conexões com o careca. A decisão de se estabelecer na Espanha soa como uma fuga estratégica para escapar das investigações.
O comportamento do governo confirma essa suspeita. A resistência em permitir que Lulinha depusesse na CPMI foi sistemática e desesperada. Os deputados do PT fizeram de tudo para blindar o filho do presidente, assim como fizeram com o irmão de Lula.
Essa proteção excessiva entrega o problema. Se não houvesse nada a esconder, por que tamanha resistência? Se a viagem a Lisboa fosse inocente, por que impedir o acesso à lista de passageiros? O desespero do governo está expondo exatamente o que deveria proteger.
Lula chegou a declarar que “se tiver filho meu metido nisso, será investigado”. Mas na prática, a Polícia Federal não precisava de autorização do Planalto para investigar. A autorização era necessária apenas na CPMI, onde os próprios aliados do governo bloquearam qualquer avanço.
O luxo da primeira classe pago por terceiros
Voar de primeira classe para a Europa não é privilégio de qualquer cidadão brasileiro. As passagens custam entre R$ 14 mil e R$ 25 mil, com poltronas que reclinam 180 graus e viram camas, serviço personalizado e carta de vinhos com rótulos de até R$ 800.
Para um jovem empresário, mesmo sendo filho do presidente, custear viagens dessa categoria com frequência exigiria uma fonte de renda robusta e constante. As investigações sugerem que essa fonte era exatamente o esquema de tráfico de influência envolvendo o careca do INSS.
Os documentos da PF mostram que Lulinha ocupou a poltrona 6J, enquanto o careca ficou na 3A. Ambos na primeira classe, mas em assentos separados para não chamar atenção. Uma estratégia básica para quem não quer que a proximidade física evidencie a relação de negócios.
A mesma pessoa que pagou a viagem para Lisboa provavelmente bancou outras mordomias. Se o padrão se repetiu ao longo dos meses, estamos falando de centenas de milhares de reais apenas em passagens aéreas premium.
A elite aristocrática socialista em ação
O caso exemplifica perfeitamente como funciona a elite aristocrática socialista brasileira. Roberta Luxinger, herdeira de banqueiro suíço, se movimenta entre o setor privado e o governo com desenvoltura impressionante. Esteve duas vezes na sede do Executivo, obviamente com a ajuda da proximidade com a família presidencial.
Essa classe privilegiada se beneficia diretamente do poder estatal para ampliar seus negócios. Não é mérito empresarial nem competência no mercado. É pura conexão política transformada em vantagem econômica. O cidadão comum paga a conta através dos impostos que financiam os órgãos públicos saqueados.
A intimidade entre Roberta e a esposa de Lulinha facilitava todo o esquema. Tatuagens iguais, declarações de “irmã de alma” e “best friend forever” nas redes sociais criavam o ambiente perfeito para negócios pouco transparentes. Afinal, quem suspeitaria de uma “amizade” tão próxima?
O poder de influência do filho do presidente não vem de capacidade própria ou conhecimento técnico. Vem exclusivamente da possibilidade de “pedir coisa pro pai”. E quando o pai ocupa o cargo mais alto da República, essa influência vale milhões.
Por que isso importa para cada brasileiro
Esse caso não é apenas mais um escândalo político distante da realidade do cidadão comum. Representa algo muito mais grave: a transformação do Estado em instrumento de enriquecimento pessoal de quem está no poder.
O INSS é o órgão responsável pela aposentadoria e benefícios de milhões de brasileiros. Quando seus dirigentes usam a posição para negócios escusos, comprometem exatamente os recursos destinados aos trabalhadores que mais precisam. Cada real desviado é um real a menos para quem contribuiu a vida inteira.
O tráfico de influência distorce completamente as regras do jogo econômico. Enquanto empresários honestos competem em condições normais de mercado, os “amigos do rei” conseguem contratos e facilidades através de conexões políticas. Isso prejudica a concorrência e encarece produtos e serviços para todos.
A blindagem sistemática dessas investigações mostra como o poder público protege seus próprios interesses em detrimento da transparência devida ao povo. O brasileiro paga impostos altíssimos e tem direito de saber como esse dinheiro é usado e quem se beneficia indevidamente dele.
O que vem pela frente
A Polícia Federal tem elementos suficientes para avançar na investigação. Os sigilos bancários quebrados, as listas de passageiros e as conversas interceptadas formam um conjunto probatório robusto. A questão agora é saber se haverá independência suficiente para levar o caso até as últimas consequências.
Lulinha pode ter fugido para a Espanha, mas isso não o coloca fora do alcance da Justiça brasileira indefinidamente. Se comprovado o tráfico de influência, ele poderá responder criminalmente pelos atos praticados em território nacional.
O caso também pode respingar no próprio presidente Lula. Como observam os investigadores, “que poder tem o Lulinha que não é o poder de pedir coisa pro pai dele?”. Se os pedidos realmente aconteceram e resultaram em benefícios irregulares, a responsabilidade sobe na hierarquia.
A pressão pública será fundamental para que as investigações não sejam engavetadas. Quanto mais a sociedade acompanhar e cobrar transparência, menor será a margem para manobras protecionistas do governo.
A elite aristocrática socialista brasileira funciona há décadas sugando recursos públicos através de conexões políticas. Esse caso pode ser a oportunidade de expor definitivamente esse mecanismo e gerar as mudanças institucionais necessárias para coibi-lo.
O brasileiro trabalhador, que sustenta essa festa com seus impostos, merece saber a verdade completa sobre como seu dinheiro foi parar no bolso de quem nunca trabalhou de verdade na vida. A conta sempre chega para quem produz riqueza genuína neste país.
E você, acredita que essas investigações chegarão até o fim ou serão mais uma vez abafadas pelos tentáculos do poder?


