
A cúpula do Mercosul de dezembro de 2025 terminou sem duas conquistas que Lula considerava fundamentais para marcar sua presidência no bloco. O acordo comercial com a União Europeia, adiado mais uma vez por pressão da França e Itália, e uma declaração conjunta sobre a Venezuela foram os grandes fracassos diplomáticos do encontro. Após 25 anos de negociações, o Brasil perdeu mais uma oportunidade histórica de integração comercial com o maior bloco econômico do mundo.
O presidente brasileiro queria usar seus últimos dias na presidência rotativa do Mercosul para selar o acordo com a União Europeia. A presidência do bloco muda a cada seis meses, e em janeiro de 2026 será assumida pelo Paraguai. Lula havia adiado a cúpula original de novembro justamente na expectativa de conseguir essa assinatura histórica.
Mas a estratégia fracassou completamente. Não apenas o acordo comercial não saiu, como o Brasil ficou isolado na defesa do regime de Maduro na Venezuela. Nem mesmo o Uruguai, governado pela esquerda, teve coragem de apoiar a posição brasileira sobre a situação venezuelana.
O contraste foi evidente quando Javier Milei defendeu abertamente as pressões de Trump contra o regime venezuelano, enquanto Lula insistia em tratar Maduro como um presidente legítimo.
Como a esquerda brasileira destruiu o acordo em 2019
A tragédia deste fracasso tem raízes profundas na sabotagem política de 2019. Naquele ano, o acordo União Europeia-Mercosul estava praticamente fechado para ser assinado durante o governo Bolsonaro. Todas as negociações técnicas haviam sido concluídas após décadas de trabalho diplomático.
Foi então que a esquerda brasileira, em parceria com grupos europeus, lançou uma campanha massiva contra o acordo. O argumento foi simples e devastador: alegaram que as florestas da Amazônia estavam “pegando fogo” sob Bolsonaro, tornando o Brasil um parceiro comercial inadequado para os europeus ambientalmente conscientes.
A operação envolveu celebridades internacionais como Leonardo DiCaprio, Cristiano Ronaldo e Mark Ruffalo. O objetivo era claro: impedir que Bolsonaro tivesse o mérito político de assinar um acordo histórico, mesmo que isso prejudicasse profundamente os interesses brasileiros no longo prazo.
A estratégia funcionou no curto prazo, mas criou um monstro que agora devora as próprias ambições de Lula. Os argumentos anti-ambientais fornecidos pela esquerda brasileira deram munição definitiva aos agricultores franceses e italianos, que agora protestam com esterco e lixo em frente à residência de Macron.
O mais irônico é que os dados de desmatamento em 2025 são piores que os de 2019, mas isso não importa mais para a narrativa. O estrago político já estava feito, e a França conseguiu convencer a Itália a exigir mais “proteções” para seu setor agrícola.
Agricultores europeus seguram o acordo por tempo indeterminado
A pressão dos produtores rurais europeus se intensificou drasticamente nos últimos meses. Na Bélgica, manifestantes jogaram batatas em protesto. Na França, agricultores despejaram esterco em frente à casa do presidente Macron. O movimento se espalhou pela Itália, criando uma frente política impossível de ser ignorada pelos governos locais.
Esses protestos não surgiram do nada. Eles se baseiam nos mesmos argumentos que a esquerda brasileira ajudou a construir em 2019: o Brasil seria um concorrente “desleal” por ter condições climáticas privilegiadas e custos de produção menores. A diferença é que agora esses argumentos ganharam vida própria e se voltaram contra qualquer governo brasileiro.
Do ponto de vista econômico, os agricultores europeus têm razão ao se preocupar. O Brasil realmente tem vantagens comparativas enormes na produção agrícola. Melhores condições climáticas, terras mais baratas e técnicas de manejo mais eficientes tornam a competição praticamente impossível para muitos produtores europeus.
Mas essa é exatamente a lógica do comércio internacional. As trocas comerciais beneficiam ambos os lados quando cada país se especializa naquilo que faz melhor. Os consumidores europeus pagariam menos pelos alimentos, enquanto os produtores brasileiros teriam acesso a produtos industriais europeus mais sofisticados.
O problema é que a política doméstica europeia não funciona com base na lógica econômica. Funciona com base na pressão de grupos organizados. E os agricultores europeus estão muito bem organizados, ao contrário dos consumidores que se beneficiariam do acordo.
Brasil perde credibilidade internacional por causa da Venezuela
Se o fracasso do acordo comercial já era constrangedor, a posição brasileira sobre a Venezuela transformou o constrangimento em humilhação diplomática. Lula defendeu que uma eventual intervenção americana na Venezuela seria “uma catástrofe humanitária para o hemisfério”.
A declaração ignora completamente que a catástrofe humanitária já existe há anos sob o comando de Maduro. Milhões de venezuelanos fugiram do país. A economia foi destroçada pela gestão socialista. Pessoas passam fome enquanto os dirigentes do regime vivem no luxo com recursos do petróleo estatal.
Milei não perdeu a oportunidade de contrastar com a posição brasileira. O presidente argentino declarou que “a Argentina acolhe com satisfação a pressão dos Estados Unidos e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano. O tempo da timidez nessa questão já passou”.
A diferença entre os dois discursos é gritante. Enquanto Lula fala em “direito internacional” e “potências extrarregionais”, Milei foca na libertação de um povo oprimido por uma ditadura. Enquanto o brasileiro se preocupa com precedentes diplomáticos, o argentino se preocupa com direitos humanos básicos.
O resultado prático foi que a cúpula do Mercosul terminou sem qualquer declaração conjunta sobre a Venezuela. Nem mesmo o Uruguai, governado pela esquerda, quis se associar à defesa do regime de Maduro. O Brasil ficou completamente isolado em sua posição.
Consequências econômicas do isolamento diplomático brasileiro
O duplo fracasso da cúpula do Mercosul terá consequências econômicas duradouras para o Brasil. Sem o acordo com a União Europeia, o país continuará dependente de um mercado interno limitado e de parceiros comerciais questionáveis como China e Rússia.
O Mercosul anunciou que tentará acelerar outros 11 acordos comerciais menores, incluindo negociações com os Emirados Árabes Unidos. Mas esses acordos não compensam nem de longe o tamanho e a importância do mercado europeu. É como trocar um elefante por uma dúzia de ratos.
Para o consumidor brasileiro, isso significa preços mais altos e menos opções de produtos importados. Sem a concorrência europeia, as empresas brasileiras podem manter preços elevados e qualidade questionável. O protecionismo disfarçado de “soberania nacional” sempre é pago pelo bolso do trabalhador.
Para as empresas brasileiras que poderiam exportar para a Europa, representa oportunidades perdidas de crescimento e modernização. O acesso ao mercado europeu forçaria uma melhoria na qualidade e eficiência da produção nacional. Sem essa pressão externa, a tendência é a acomodação e o atraso tecnológico.
O agronegócio brasileiro, que seria o grande beneficiado do acordo, perde a chance de diversificar seus mercados. A dependência excessiva da China se torna ainda mais perigosa quando o principal cliente também é um rival geopolítico dos Estados Unidos.
A diplomacia de Lula coleciona fracassos pelo mundo
O fracasso na cúpula do Mercosul não é um caso isolado na diplomacia brasileira atual. Lula conseguiu se alinhar sistematicamente com os regimes mais questionáveis do planeta, sem obter qualquer benefício concreto para o Brasil.
Na questão israelense, o governo brasileiro expôs um antissemitismo aberto que danificou relações comerciais e diplomáticas com um dos países mais inovadores do mundo. Na guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula adotou posições ambíguas que desagradaram tanto aos americanos quanto aos europeus.
O flerte com uma “moeda alternativa ao dólar” pode ser interessante para China e Rússia, que querem quebrar a hegemonia americana. Mas para o Brasil, essa proposta não traz benefício algum. Pelo contrário, marca o país como adversário dos Estados Unidos sem oferecer vantagens compensatórias reais.
O resultado é que o Brasil se isolou dos parceiros comerciais mais importantes e se aproximou de autocracias que não oferecem mercados significativos nem tecnologias avançadas. É uma diplomacia que só faz sentido sob a ótica ideológica da esquerda internacional, mas é desastrosa do ponto de vista dos interesses nacionais brasileiros.
Segundo a Gazeta do Povo, este novo fracasso confirma que “o Brasil voltou” apenas para ocupar o lado errado da história. A promessa de protagonismo internacional se transformou em coleção de constrangimentos diplomáticos.
Livre comércio: a solução que a política não permite
A verdade inconveniente é que tanto Brasil quanto Europa se beneficiariam enormemente de um acordo comercial amplo e sem restrições. O livre comércio não é um jogo de soma zero onde um lado ganha e outro perde. É um jogo onde todos ganham, consumidores e produtores eficientes de ambos os lados.
Os agricultores europeus perderiam mercado, sim. Mas os consumidores europeus ganhariam produtos mais baratos e de melhor qualidade. As indústrias brasileiras sofreriam com a concorrência europeia, mas os consumidores brasileiros teriam acesso a produtos mais sofisticados por preços menores.
A lógica é simples: quando você compra algo voluntariamente, é porque considera aquele produto mais valioso que o dinheiro que está pagando. Quando alguém vende algo voluntariamente, é porque considera o dinheiro recebido mais valioso que o produto entregue. Ambos os lados ganham na transação.
O problema é que a política funciona com base na pressão de grupos organizados, não na lógica econômica geral. Agricultores europeus são poucos, mas organizados e barulhentos. Consumidores europeus são muitos, mas dispersos e silenciosos. Adivinhe qual grupo tem mais influência política.
No Brasil acontece o mesmo fenômeno ao contrário. Industriais brasileiros são poucos e organizados, então conseguem pressionar contra acordos que aumentariam a concorrência. Consumidores brasileiros são muitos, mas não se organizam politicamente para defender preços menores e qualidade melhor.
O custo político da sabotagem ideológica
O caso do acordo União Europeia-Mercosul deveria servir de lição sobre os perigos da politicagem de curto prazo. A esquerda brasileira preferiu sabotar um acordo benéfico para o país apenas para negar uma vitória política a Bolsonaro. O resultado é que agora nem Lula consegue colher os benefícios que negou ao antecessor.
Essa é a lógica destrutiva do “quanto pior, melhor”. A ideia de que vale a pena prejudicar o país se isso também prejudica adversários políticos. Mas os efeitos dessa estratégia sempre se voltam contra quem a pratica, porque a economia não obedece a preferências partidárias.
Quando a esquerda brasileira entregou argumentos anti-ambientais para europeus usarem contra o Brasil, imaginou que poderia controlá-los depois. Acreditou que bastaria Lula voltar ao poder para que os europeus esquecessem os argumentos recebidos e assinassem o acordo tranquilamente.
A realidade se mostrou bem diferente. Os agricultores europeus não ligam se quem governa o Brasil é Bolsonaro ou Lula. Eles se importam apenas com a proteção de seus mercados contra a concorrência brasileira. E agora têm argumentos “científicos” e “ambientais” para justificar essa proteção.
De acordo com o Terra, especialistas europeus já questionam se o acordo sairá algum dia. Enquanto no Brasil ainda se fala em “adiamento”, na Europa cresce o ceticismo sobre a viabilidade política do projeto.
A diplomacia brasileira atual parece incapaz de entender que ações têm consequências que vão além do ciclo eleitoral imediato. Decisões tomadas por motivos eleitorais criam fatos políticos que persistem por décadas. E no final, quem paga a conta é sempre o cidadão comum, que fica sem acesso a melhores produtos por preços mais baixos.
O Brasil perdeu uma oportunidade histórica de integração com o mundo desenvolvido por pura mesquinhez política interna. E pode levar décadas para que outra oportunidade similar apareça no horizonte.
Diante de tantos fracassos diplomáticos e econômicos, fica a pergunta: até quando o Brasil vai aceitar ser refém de uma diplomacia ideológica que só prejudica os interesses nacionais?


