
A decisão que quebra 5 meses de silêncio
Alexandre de Moraes autorizou Jair Bolsonaro a conceder sua primeira entrevista em quase seis meses. A conversa está marcada para terça-feira, 23 de dezembro, ao veículo Metrópolis, com duração de uma hora.
A última vez que o ex-presidente falou à imprensa foi em 15 de julho de 2025. Três dias depois, Moraes impôs medidas cautelares que incluem uso de tornozeleira eletrônica e proibição de postar nas redes sociais.
A entrevista acontecerá na carceragem da Polícia Federal, entre 11h30 e 12h30. Segundo as informações disponíveis, foram oferecidas várias possibilidades de veículos de imprensa. Bolsonaro escolheu o Metrópolis para essa primeira conversa.
O formato da entrevista ainda não foi divulgado. Pode ser ao vivo, gravada ou até mesmo por escrito. O que importa é que representa uma quebra no isolamento comunicativo imposto ao ex-presidente.
Outras autorizações do ministro do STF
Além da entrevista, Moraes aprovou outras medidas que envolvem a situação de Bolsonaro. Michele Bolsonaro, esposa do ex-presidente, poderá visitá-lo sem precisar de novas autorizações judiciais.
As visitas da ex-primeira-dama ficaram definidas para terças e quintas-feiras, das 9h às 11h, com duração de 30 minutos cada. Ela deve visitar o marido separadamente de outros visitantes, conforme determinação da Polícia Federal.
Eduardo Antunes Torres, irmão de Michele Bolsonaro, também recebeu autorização para visitar o cunhado. A primeira visita está marcada para terça-feira, dia 23 – o mesmo dia da entrevista ao Metrópolis.
O ministro do STF também autorizou que Bolsonaro receba correspondências. As cartas serão inspecionadas preliminarmente pela segurança antes da entrega, exceto em casos de itens considerados proibidos.
Sessões de fisioterapia durante o banho de sol também foram liberadas. São medidas básicas que qualquer preso comum já deveria ter direito, mas que precisaram de autorização judicial específica neste caso.
A cirurgia que ainda não foi autorizada
Um ponto preocupante permanece em aberto: Moraes não autorizou a cirurgia que Bolsonaro precisa realizar. O procedimento médico ainda depende de nova decisão judicial.
A situação revela o controle total que o sistema judiciário exerce sobre cada aspecto da vida do ex-presidente. Até questões de saúde ficam sujeitas ao aval de um ministro do Supremo.
É uma demonstração clara de como o Estado brasileiro concentra poder nas mãos de poucos. Uma pessoa precisa pedir autorização judicial para receber tratamento médico adequado.
O direito à saúde, previsto na Constituição, fica subordinado a decisões políticas. Isso deveria preocupar qualquer cidadão que valoriza os direitos fundamentais.
Por que essa entrevista importa tanto
Manter Bolsonaro na mídia é fundamental para preservar seu capital político. O ex-presidente possui um capital mediático enorme, mas esse tipo de ativo se corrói quando não é exercitado.
Cinco meses de silêncio forçado representam uma eternidade no mundo político atual. As redes sociais e a comunicação direta com o público se tornaram ferramentas essenciais para qualquer lideranças política.
A entrevista também permite que Bolsonaro confirme diretamente suas posições e decisões. Por mais que seus filhos falem em seu nome, ouvir do próprio protagonista sempre tem peso diferente.
Existe uma diferença importante entre declarações de familiares e palavras diretas do interessado. Nem sempre filhos falam exatamente pelo pai em todas as situações políticas.
O público merece ouvir diretamente de Bolsonaro sobre temas como a escolha de Flávio Bolsonaro para sua sucessão política. A confirmação pessoal elimina dúvidas que possam existir.
O veículo escolhido surpreende
A escolha do Metrópolis como veículo da entrevista chamou atenção. O portal não é conhecido como aliado político de Bolsonaro – pelo contrário, mantém linha editorial mais alinhada à esquerda.
Anteriormente, havia possibilidade de entrevista com Rafael Ferre, do podcast Café com Ferre. O apresentador é apoiador de Bolsonaro e teria ambiente mais favorável para a conversa.
Algumas pessoas criticaram a possível entrevista com Ferre, argumentando que poderia ajudar Tarcísio de Freitas ou outros políticos. Uma posição sem lógica: ninguém manda no que Bolsonaro fala.
A decisão de ir ao Metrópolis pode ser estratégica. Falar para um público não alinhado politicamente amplia o alcance da mensagem. É uma oportunidade de atingir eleitores indecisos ou críticos.
O importante é que a entrevista aconteça, independente do veículo. Qualquer conversa é melhor que o silêncio forçado dos últimos meses.
O controle estatal sobre a comunicação
O caso Bolsonaro expõe algo mais grave: o controle que o Estado exerce sobre a liberdade de expressão no Brasil. Um ex-presidente precisa pedir autorização para dar entrevista.
As medidas cautelares incluem proibição de postar nas redes sociais. É uma forma de mordaça digital que impede o exercício pleno da cidadania política.
Quando o Estado decide quem pode falar, quando pode falar e para quem pode falar, não estamos mais numa democracia. Estamos num sistema autoritário disfarçado de legalidade.
A liberdade de expressão não pode ficar sujeita ao humor de ministros do Supremo. É um direito fundamental que deve ser exercido sem interferência estatal prévia.
“Onde há concentração de poder, há abuso de poder.” O caso demonstra como o sistema judiciário brasileiro acumula poderes que ultrapassam suas funções constitucionais.
O que esperar da entrevista
A conversa de uma hora pode abordar temas cruciais para o futuro da direita brasileira. A sucessão política de Bolsonaro será certamente um dos assuntos principais.
Flávio Bolsonaro tem sido apontado como herdeiro político do pai. A confirmação direta do ex-presidente eliminaria qualquer dúvida sobre essa escolha estratégica.
Outros temas relevantes incluem a situação judicial atual, as condições de prisão e os planos políticos para 2026. São assuntos que interessam diretamente aos milhões de eleitores de Bolsonaro.
A forma como a entrevista será conduzida também importa. O ambiente controlado da Polícia Federal pode limitar a espontaneidade da conversa.
Independente das limitações, será uma oportunidade valiosa para Bolsonaro se comunicar com seus apoiadores. E possivelmente abrir caminho para futuras entrevistas com outros veículos.
O importante é que isso seja apenas o primeiro passo. Uma vez quebrado o silêncio, outros meios de comunicação certamente demonstrarão interesse em conversar com o ex-presidente.
Informação é a melhor defesa contra o autoritarismo. Quando cidadãos têm acesso direto às fontes, podem formar suas próprias opiniões sem intermediários interessados.
E você, acredita que essa entrevista pode marcar o início de uma nova fase na comunicação política de Bolsonaro?


