dezembro 18, 2025

Ludwig M

Desembargador que determinou prisão do TH Joias foi preso por Moraes

Desembargador que determinou prisão do TH Joias foi preso por Moraes

Um desembargador que havia determinado a prisão do deputado TH Joias acabou sendo preso pelo ministro Alexandre Moraes. Macário Judice Neto, do TRF2, coordenava a operação Oricalco contra o mesmo político que posteriormente seria alvo da Polícia Federal. A contradição levanta questões sobre os verdadeiros motivos das prisões.

O caso revela mais uma faceta da concentração de poder nas mãos de Moraes. O ministro determinou que o desembargador compartilhasse todas as informações de uma investigação sigilosa, tratando tribunais independentes como subordinados do STF.

A velocidade anormal desse processo e as conexões políticas envolvidas sugerem motivações que vão além da aplicação da lei. O alvo real pode ser o governador Cláudio Castro, potencial candidato ao Senado em 2026.

Dois mandados para uma mesma prisão: o sequestro da operação estadual

Em julho de 2025, TH Joias foi preso por dois mandados simultâneos. Um da Polícia Federal e outro da operação Oricalco, coordenada pelo desembargador Macário Judice Neto no TRF2. Não existe necessidade jurídica de dois mandados para uma prisão. A duplicidade revela a disputa de poder entre instâncias.

A operação Oricalco já investigava as ligações do deputado com o Comando Vermelho. O trabalho estadual estava em andamento quando a PF assumiu o protagonismo. O mesmo padrão se repetiu na operação Carbono Oculto em São Paulo, onde o governo federal sequestrou investigações estaduais.

Essa prática faz parte da estratégia do governo Lula de centralizar a segurança pública. A PEC da Segurança Pública tramita no Congresso com esse objetivo. Quando o Estado não consegue aprovar suas mudanças por lei, as impõe pela força.

O desembargador Macário não estava protegendo TH Joias. Pelo contrário, havia determinado sua prisão antes mesmo da PF agir. Se houve vazamento de informações, não foi para beneficiar o deputado investigado.

STF determina obediência de tribunais independentes

Alexandre Moraes ordenou que o TRF2 compartilhasse todas as informações da operação Oricalco. Não foi um pedido de cooperação entre tribunais. Foi uma determinação, como se existisse hierarquia entre cortes independentes.

Na estrutura judicial brasileira, o STF não comanda outros tribunais. Cada instância tem autonomia plena em suas competências. O Supremo é apenas a última instância recursal, não o chefe dos demais tribunais.

Essa quebra institucional representa um precedente perigoso. Se ministros do STF podem ordenar outros tribunais, a separação de poderes vira ficção. O Judiciário se transforma em extensão da vontade de poucos.

A cooperação entre tribunais sempre existiu e é saudável. Mas ela acontece por solicitação e acordo mútuo, não por imposição hierárquica. A diferença é fundamental para a manutenção do Estado de Direito.

O vazamento que expôs Rodrigo Bacelar

TH Joias sabia que seria preso. Apagou celulares e computadores antes da chegada da PF. Alguém o avisou com antecedência suficiente para destruir provas. O vazamento comprometeu a investigação e permitiu que evidências fossem eliminadas.

Com um celular novo, TH Joias cometeu o erro que o entregou. Mandou mensagem para Rodrigo Bacelar perguntando sobre “carnes no freezer” e se a PF as pegaria. A mensagem provou que Bacelar foi quem o alertou sobre a operação.

Rodrigo Bacelar, presidente da ALERJ, foi preso em 3 de setembro de 2025 por esse vazamento. As mensagens no celular novo de TH Joias foram a prova definitiva da participação de Bacelar no esquema.

Resta saber quem avisou Bacelar. A suspeita inicial recaiu sobre o desembargador Macário, mas a lógica não se sustenta. Por que ele avisaria sobre uma prisão que ele mesmo havia determinado?

A estratégia fracassada para atingir Cláudio Castro

O verdadeiro alvo dessa operação pode ser o governador Cláudio Castro. Ele tem grandes chances de disputar o Senado em 2026 e incomoda o establishment. A operação no Complexo do Alemão lhe deu visibilidade nacional e fortaleceu a direita.

O problema da estratégia é que Castro e Bacelar não são mais aliados. Eles já foram parceiros políticos no passado, mas romperam há tempos por divergências. Conectar Castro a Bacelar não faz sentido no cenário político atual.

Segundo informações vazadas ao G1, o desembargador Macário tentou reconciliar os dois políticos. Seria amigo de ambos e teria trabalhado para reconstruir a aliança. Mas não há evidências de que tenha conseguido.

A prisão de Macário pode ser uma tentativa desesperada de criar essa ponte. Se não conseguiu conectar Castro diretamente a Bacelar, Moraes busca um intermediário que justifique a conexão.

Concentração de poder sem limites

Alexandre Moraes já demonstrou que manda no Executivo e no Legislativo. O que ele determina, Lula cumpre. O que ele ordena, o Congresso obedece de cabeça baixa. Agora estende esse controle aos demais tribunais.

O padrão se repete: quem se opõe, é preso. Quem questiona, vira alvo. O método funciona porque ninguém teve coragem suficiente para resistir efetivamente. O medo paralisa as instituições.

Essa concentração de poder não tem base constitucional. É construída pela força e mantida pela intimidação. Qualquer semelhança com ditaduras históricas não é coincidência.

A Justiça brasileira perde capacidade institucional a cada episódio. Quando um ministro se coloca acima das regras, todo o sistema perde credibilidade. O Estado de Direito vira Estado de um homem só.

Informações sigilosas que viram manchete

Processos sigilosos, investigações secretas e decisões reservadas vazam sistematicamente para veículos alinhados. O G1 teve acesso privilegiado a detalhes da investigação que deveriam estar sob sigilo.

A seletividade dos vazamentos revela o jogo. Informações que favorecem a narrativa oficial chegam à imprensa. Dados que poderiam questionar as ações ficam guardados a sete chaves.

Esse controle da informação é uma arma poderosa. Permite construir narrativas, influenciar a opinião pública e justificar ações questionáveis. O cidadão recebe apenas a versão que interessa ao poder.

Quando o Estado controla que informações chegam ao público, a democracia já morreu. Transparência seletiva é opacidade disfarçada.

As eleições de 2026 já começaram

A velocidade anormal desses processos não é coincidência. Investigações que deveriam levar meses estão sendo concluídas em semanas. A pressa tem nome: eleições de 2026.

Cláudio Castro representa uma ameaça real ao establishment. Governador jovem, com boa avaliação e potencial nacional. Exatamente o perfil que precisa ser neutralizado antes que cresça demais.

A estratégia é antiga: usar o aparato estatal para inviabilizar adversários políticos. Se não conseguem vencer no voto, vencem na prisão. A democracia vira teatro para consumo externo.

O recado está dado para todos os políticos de oposição: quem crescer demais vira alvo. O sistema se protege eliminando ameaças antes que se tornem irreversíveis.

A combinação de poder judicial concentrado, mídia alinhada e oposição intimidada cria o ambiente perfeito para a perpetuação no poder. O Brasil de 2026 pode ser muito diferente do que imaginamos hoje.

Resta saber se as instituições e a sociedade encontrarão forças para reagir a essa escalada autoritária. O tempo está se esgotando e as próximas eleições podem ser as últimas com algum resquício de competitividade real.

E você, acredita que ainda há tempo para reverter essa concentração de poder ou o sistema já passou do ponto de não retorno?

Fontes

Compartilhe:

Deixe um comentário