
O regime comunista de Cuba está desmoronando. Após 66 anos de economia planificada, o governo cubano reconheceu publicamente a contração econômica e anunciou medidas desesperadas de abertura ao capital estrangeiro. A ilha que já foi próspera agora importa alimentos tendo um dos solos mais férteis da América Latina. Os apagões duram dias, a infraestrutura desaba e a população foge em massa do país.
A situação é tão crítica que o ministro do comércio exterior, Oscar Perez Oliva, confirmou uma mudança paradigmática: Cuba vai dolarizar a economia e permitir investimentos estrangeiros. O detalhe macabro? O ministro da economia anterior acabou de ser condenado à prisão perpétua mais 20 anos por tentar fazer exatamente isso alguns meses atrás. Agora fazem a mesma política porque não sobrou alternativa.
Segundo fontes internacionais, nunca se fugiu tanto de Cuba como nos últimos anos. O país que proibia investimentos americanos alegando que tornava os cubanos “escravos” agora implora por capital estrangeiro. A revolução de Fidel Castro destruiu uma nação que era extremamente rica antes de 1959, transformando-a numa ilha prisão onde até comida falta.
A teoria dos 70 anos se confirma em Cuba
Existe um padrão histórico no comunismo: ele dura aproximadamente 70 anos antes de colapsar completamente. A União Soviética teve sua revolução em 1917 e quebrou definitivamente no início dos anos 90. Cuba fará 70 anos de comunismo em 2030, e os sinais de colapso já são evidentes cinco anos antes do prazo.
A China escapou dessa regra porque mudou completamente o sistema econômico na época de Deng Xiaoping, no final dos anos 70. Abandonou o comunismo ortodoxo antes da catástrofe total e teve ajuda americana, que queria usar os chineses contra os soviéticos durante a Guerra Fria.
Cuba não tem essas vantagens. Está tentando reformas no pior momento possível, quando já não resta nada a ser feito. A economia cubana morreu, segundo admite o próprio governo. O país importa combustíveis, peças de reposição e até alimentos, sendo que possui terra fértil suficiente para alimentar sua população.
O Partido Comunista cubano já postergou seu nono congresso, sinal claro de que estão batendo cabeça internamente. Ninguém sabe o que fazer, e as acusações cruzadas sobre quem é culpado pela catástrofe já começaram.
O problema do cálculo econômico socialista
Ludwig von Mises explicou em 1921, no paper “Cálculo Econômico no Sistema Socialista”, por que Cuba chegaria inevitavelmente a este ponto. Sem preços livres de mercado, é impossível fazer cálculos econômicos racionais. O governo controla tudo, elimina os preços reais, e a economia funciona apenas na memória dos preços passados.
Depois de algumas décadas, essa memória se esgota. Começam os investimentos errados, o desperdício massivo de recursos, a corrupção desenfreada e, finalmente, o colapso produtivo. É exatamente o que aconteceu na União Soviética e está acontecendo em Cuba agora.
A ilha caribenha vive apagões que duram dias, não horas. A infraestrutura pública se deteriora sem possibilidade de conserto. Os serviços básicos simplesmente não funcionam mais. Cuba se tornou um exemplo vivo de como o socialismo destrói a capacidade produtiva de uma nação.
Quando Mises escreveu sua crítica ao socialismo, muitos o chamaram de reacionário. A História provou que ele estava certo. O cálculo econômico é impossível sem propriedade privada e preços livres. Cuba é mais uma evidência dessa verdade econômica fundamental.
A tentativa desesperada de perestroika cubana
O que Cuba está fazendo agora é exatamente o que Mikhail Gorbachev tentou na União Soviética nos anos 80. A glasnost (abertura de informação) e a perestroika (reestruturação econômica) foram medidas desesperadas para salvar um sistema já morto.
O resultado foi o colapso acelerado da URSS. Por quê? Porque sistemas comunistas e economia de mercado são incompatíveis na mesma estrutura. Quando você tenta misturar hierarquia estatal rígida com livre iniciativa, cria-se um conflito interno destrutivo.
Os funcionários de baixo escalão do regime cubano vão brigar contra os investidores estrangeiros. Vão multar, criar confusões, tentar prevalecer sobre a iniciativa privada. Enquanto isso, o governo central precisará proteger esses mesmos investidores para salvar a economia.
Essa contradição gera uma guerra interna que destrói a base de sustentação política do regime. Na União Soviética, os próprios comunistas acabaram se digladiando. Em Cuba, o mesmo processo já começou com a prisão do ex-ministro da economia.
Por que a China conseguiu e Cuba não conseguirá
A China teve dois fatores cruciais que Cuba não possui: timing correto e apoio americano. Deng Xiaoping fez as reformas antes da economia chinesa entrar em colapso total. Ainda havia recursos, estrutura produtiva e margem para manobra.
Além disso, os Estados Unidos tinham interesse estratégico em fortalecer a China contra a União Soviética. Investiram massivamente no país e transferiram tecnologia. Era uma jogada geopolítica para enfraquecer os soviéticos, e funcionou perfeitamente.
Cuba está na situação oposta. A economia já colapsou completamente. Não há recursos internos, a infraestrutura está destruída e a população foge em massa. Os Estados Unidos não têm interesse algum em ajudar o regime comunista cubano a sobreviver.
A Venezuela, único aliado relevante de Cuba, também está quebrada. Não há parceiros econômicos dispostos a bancar a reconstrução da ilha. O regime cubano está sozinho, tentando reformas quando já não há tempo nem recursos para implementá-las adequadamente.
O colapso da hierarquia comunista em Cuba
Todo regime comunista acaba em brigas internas quando entra em colapso. A estrutura hierárquica rígida não consegue lidar com o fracasso econômico sem procurar culpados. Em Cuba, isso já está acontecendo de forma dramática.
A condenação do ex-ministro da economia à prisão perpétua mais 20 anos por fazer exatamente o que o governo faz agora mostra o desespero do regime. Primeiro puniram quem tentou abrir a economia, agora fazem a mesma coisa porque não sobrou escolha.
O adiamento do nono congresso do Partido Comunista cubano revela que as lideranças estão em guerra interna. Ninguém quer assumir a responsabilidade pelo desastre, e todos procuram bodes expiatórios para o fracasso inevitável do socialismo.
Essa dinâmica destrutiva acelera o colapso. Enquanto os dirigentes brigam entre si, a economia continua despencando e a população continua fugindo. É o mesmo padrão que destruiu a União Soviética e todos os outros regimes comunistas da História.
As consequências para o povo cubano
Quem paga o preço do colapso comunista é sempre o povo. Os cubanos enfrentam escassez de alimentos, apagões intermináveis, falta de medicamentos e ausência total de perspectivas. A ilha que já foi próspera se transformou numa prisão a céu aberto.
A fuga massiva de cubanos nos últimos anos mostra o desespero da população. Famílias inteiras arriscam a vida no mar para escapar do paraíso socialista. Os que ficam enfrentam uma realidade cada vez mais dura, sem esperança de melhoria.
A abertura econômica que o governo promete pode até atrair alguns investidores inicialmente. Mas a incompatibilidade entre o sistema comunista e a economia de mercado tornará esses investimentos arriscados e provavelmente prejudiciais.
O povo cubano merecia liberdade econômica desde 1959. Agora, depois de décadas de sofrimento, talvez tenha uma chance real de recuperar a prosperidade perdida. Mas isso só acontecerá com a queda definitiva do regime comunista, não com reformas cosméticas.
A lição histórica que Cuba confirma
Cuba é mais uma prova de que o socialismo não funciona em lugar nenhum, em época nenhuma, sob circunstância nenhuma. Não é questão de má implementação ou falta de recursos. É uma falha intrínseca do sistema que elimina os mecanismos de cálculo econômico racional.
A teoria de Mises sobre a impossibilidade do cálculo econômico socialista se confirma novamente. Sem propriedade privada e preços livres, qualquer economia está fadada ao colapso. Cuba levou 66 anos para chegar ao fundo do poço, mas era questão de tempo.
A experiência cubana deveria servir de vacina contra experimentos socialistas em outros países. Infelizmente, cada geração parece precisar reaprender essas lições na pele, ignorando as evidências históricas abundantes.
O comunismo tem prazo de validade. Cuba está confirmando mais uma vez essa verdade amarga, construída sobre décadas de sofrimento humano desnecessário.
O regime comunista de Cuba está com os dias contados. Todas as tentativas desesperadas de reforma não conseguirão salvar um sistema que já morreu por dentro. A abertura ao capital estrangeiro é o último suspiro de quem sabe que não há mais saída dentro do socialismo.
A pergunta que fica é: quantos cubanos ainda terão que sofrer até que essa experiência fracassada chegue definitivamente ao fim?


