dezembro 15, 2025

Ludwig M

Bitcoin sempre cai mais de 20% após evento de sexta-feira

Bitcoin sempre cai mais de 20% após evento de sexta-feira

A tempestade perfeita que se aproxima

Na sexta-feira, dia 19 de dezembro de 2025, três eventos historicamente devastadores para o Bitcoin acontecem simultaneamente. O rompimento da bandeira de baixa já está em andamento, a bruxaria tripla chega ao seu último episódio do ano, e o Banco do Japão elevará as taxas de juros com 98,2% de probabilidade. Nunca antes tantos fatores negativos se alinharam numa única data.

Os números não mentem. Nos três eventos anteriores de “triple witching” em 2025, o Bitcoin despencou consistentemente. Em março, a queda foi de 16%. Em junho, 7,7%. Em setembro, mais 7,5%. Agora chegamos ao quarto e último evento do ano, com o mercado já fragilizado pela perda do suporte técnico crucial.

O que torna essa situação ainda mais preocupante é a sobreposição com o histórico japonês. Toda vez que o Japão aumentou as taxas de juros recentemente, o Bitcoin sofreu quedas superiores a 20%. Em março de 2024, a queda foi de 23%. Em julho do mesmo ano, 26%. Em janeiro de 2025, impressionantes 31,8%.

Para os investidores que entraram no topo dos 126 mil dólares, a perspectiva é ainda mais sombria. Com o rompimento da bandeira de baixa confirmado, o preço pode buscar a região entre 60 e 70 mil dólares. Isso representa uma correção de mais de 40% em relação aos picos históricos.

Triple witching: quando a bruxaria vira pesadelo

O “triple witching” ou bruxaria tripla acontece na terceira sexta-feira de março, junho, setembro e dezembro. Nessa data, três tipos de derivativos vencem simultaneamente: opções de ações, opções de índices e futuros de índices. O volume massivo de negociações cria volatilidade extrema em todos os mercados, incluindo as criptomoedas.

O padrão se repetiu com precisão matemática ao longo de 2025. Cada evento trouxe pressão vendedora significativa para o Bitcoin. O que mais chama atenção é a consistência das quedas, sempre na faixa de dois dígitos, mesmo em contextos de mercado diferentes.

Curiosamente, após cada correção provocada pela bruxaria tripla, o Bitcoin não apenas recuperou o patamar anterior, mas o superou significativamente. Isso sugere que o evento funciona como uma espécie de limpeza técnica, eliminando posições alavancadas e preparando terreno para novos movimentos de alta.

O problema é que dessa vez o contexto é diferente. O Bitcoin já vinha perdendo força técnica, com o rompimento da bandeira de baixa em andamento. A bruxaria tripla pode ser apenas o catalisador final para uma correção mais profunda.

Japão dispara o gatilho da correção global

Com probabilidade de 98,2%, o Banco do Japão elevará as taxas de juros na sexta-feira. Especialistas econômicos já antecipam que esse movimento fará o Bitcoin despencar para a região de 63 mil dólares. O histórico recente comprova a correlação devastadora entre as decisões monetárias japonesas e o preço das criptomoedas.

A explicação está no carry trade. Investidores globais se endividam em yen (moeda japonesa) a juros baixos para comprar ativos de risco, incluindo Bitcoin. Quando o Japão eleva as taxas, essa estratégia se torna menos atrativa, forçando o fechamento massivo de posições.

Em março de 2024, a primeira surpresa veio com uma queda de 23% no Bitcoin logo após a elevação japonesa. Em julho, nova alta de juros provocou correção de 26%. O movimento mais recente, em janeiro de 2025, resultou em queda brutal de 31,8%.

O que preocupa analistas é a sincronização perfeita entre o triple witching e a decisão japonesa. Ambos os eventos acontecem no mesmo dia, criando uma pressão vendedora sem precedentes. O mercado de criptomoedas, que opera 24/7, não terá tempo para digestão entre um choque e outro.

Bandeira de baixa confirma o cenário pessimista

O rompimento da bandeira de baixa está acontecendo exatamente no momento mais crítico. Após formar um mastro gigantesco desde os 126 mil dólares até a base atual, o Bitcoin perdeu o suporte do canal ascendente que vinha mantendo alguma estabilidade.

A análise técnica é implacável nessas situações. Quando uma bandeira de baixa é rompida, a tendência é o preço buscar uma distância equivalente à altura do mastro. No caso atual, isso aponta para a região entre 60 e 70 mil dólares, exatamente onde os especialistas esperam que o Bitcoin chegue após os eventos de sexta-feira.

Existe uma pequena divergência entre analistas sobre o traçado exato da bandeira. Alguns consideram que o rompimento já está confirmado, medindo pelos corpos das velas. Outros, mais conservadores, traçam a linha de suporte pelos pavios, sugerindo que ainda há uma pequena margem de segurança.

A diferença prática é mínima. O Bitcoin está numa zona limite, onde qualquer pressão adicional pode confirmar definitivamente a quebra do suporte. Os eventos de sexta-feira podem ser exatamente o catalisador que faltava para selar essa ruptura técnica.

Média de 100 períodos: a última linha de defesa

No gráfico semanal, existe ainda uma esperança técnica para os otimistas. A média móvel de 100 períodos, localizada em 85.089 dólares, ainda não foi rompida. Essa linha tem funcionado como o principal suporte desde o início do ciclo de alta, e sua manutenção é crucial para qualquer cenário de recuperação.

No momento atual, o Bitcoin está cotado em 85.899 dólares, mantendo-se ligeiramente acima dessa média crítica. O gráfico semanal fecha aos domingos, então ainda há tempo para o preço se consolidar acima ou abaixo desse nível determinante.

Caso a média de 100 seja preservada, o próximo alvo seria a resistência na média de 50 períodos, localizada próxima aos 100 mil dólares. Essa seria a configuração ideal para uma possível recuperação, mesmo diante dos eventos negativos da sexta-feira.

O problema é que os choques esperados para o final da semana podem ser grandes demais para que qualquer suporte técnico resista. Historicamente, quando eventos fundamentais se sobrepõem a sinais técnicos negativos, o resultado raramente favorece os compradores.

Michael Saylor contra-ataca no momento mais crítico

Em meio ao caos técnico e fundamental, surge uma figura conhecida fazendo exatamente o oposto do que a análise sugere. Michael Saylor e sua empresa MicroStrategy compraram mais 10.645 Bitcoins por aproximadamente 1 bilhão de dólares, pagando uma média de 92 mil dólares por unidade.

A ironia é cruel. Saylor comprou a 92 mil, e logo depois o preço despencou para 85 mil. Ele ganhou a fama de “comprador de topo”, sempre adquirindo Bitcoin nos piores momentos técnicos possíveis. Ou ele sabe de algo que o mercado não sabe, ou está repetindo o padrão de sempre.

Essa compra contraria toda a lógica técnica e fundamental do momento. Com três eventos negativos convergindo para a mesma data, a decisão de Saylor parece no mínimo questionável. Mas historicamente, suas apostas “irracionais” se mostraram lucrativas no longo prazo.

A estratégia da MicroStrategy sempre foi de acumulação contínua, independentemente do cenário de curto prazo. Para Saylor, correções são oportunidades, não ameaças. Resta saber se dessa vez ele está certo ou se finalmente encontrou um mercado que não perdoa nem os otimistas mais convictos.

Brasil perde milionários enquanto cripto despenca

O movimento de saída de capital não se limita ao Bitcoin. Dados de migração de milionários em 2025 mostram que 1.000 milionários deixaram o Brasil neste ano, colocando o país entre os que mais perderam capital humano e financeiro.

Os destinos preferidos incluem Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Itália, Suíça, Arábia Saudita, Singapura, Portugal, Grécia, Canadá e Austrália. Esses países oferecem maior estabilidade econômica, menor tributação e frameworks regulatórios mais favoráveis para investimentos.

A coincidência temporal não é acidental. Investidores sofisticados antecipam movimentos de mercado e ajustam suas estratégias pessoais e geográficas antes que as crises se materializem. A fuga de milionários pode ser um indicador antecedente de turbulências econômicas maiores.

Para o mercado de criptomoedas, isso significa menos liquidez doméstica e maior dependência de fluxos internacionais. Quando esses fluxos se invertem, como pode acontecer após os eventos de sexta-feira, a correção tende a ser ainda mais severa em países periféricos.

Estratégia para sobreviver à tempestade

Diante desse cenário, a tentação é vender tudo e esperar a poeira baixar. Mas historicamente, as melhores oportunidades de acumulação surgem exatamente nos momentos de maior pessimismo. Bitcoin abaixo de 70% do topo histórico sempre foi zona de compra, não de venda.

Para quem está 100% comprado desde os topos, vender agora seria o pior timing possível. É melhor acumular gradualmente nas quedas do que se desfazer de posições na região que historicamente marca fundos de correção.

A região entre 60 e 70 mil dólares, para onde apontam as análises, representa desconto de 30 a 45% em relação aos picos. Essas são as faixas onde investidores pacientes constroem patrimônio, não onde destroem posições por desespero.

O segredo é entender que eventos como o triple witching e mudanças de juros no Japão são temporários. Suas consequências duram semanas, não anos. Quem conseguir manter a calma e usar a volatilidade a seu favor sairá dessa correção mais forte do que entrou.

A sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, pode entrar para a história como mais um dia de oportunidades disfarçadas de crise. Os mesmos eventos que derrubam preços no curto prazo criam as condições para os próximos movimentos de alta. A questão é ter estômago e capital para aproveitar a turbulência.

E você, está preparado para a tempestade perfeita que se aproxima?

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