
O governo brasileiro acaba de criar mais um mecanismo para socorrer estatais em crise usando dinheiro do contribuinte. Enquanto a dívida pública se aproxima de R$ 10 trilhões – quase 80% do PIB – Brasília insiste em financiar empresas deficitárias como os Correios. O Estado não tem dinheiro próprio. Todo centavo vem do seu bolso.
A justificativa oficial segue o roteiro de sempre: proteger empregos, garantir serviços essenciais, preservar patrimônio público. Na prática, é apenas um canal burocrático para continuar socializando prejuízos de estatais mal administradas. Cada real despejado nessas empresas sai diretamente do trabalhador que paga impostos.
O absurdo fica evidente quando analisamos a situação fiscal do país. A dívida bruta já supera diversos países emergentes em crise. Economistas admitem que deve ultrapassar 80% do PIB em 2025. Mesmo assim, o governo age como se tivesse recursos infinitos para bancar aventuras empresariais fracassadas.
A conta sempre recai no mesmo lugar
Quando o governo fala em “aportar recursos” ou “recompor capital” de estatais, esse dinheiro não vem de cofre mágico. Sai de três fontes: impostos que você paga, dívida que gerará inflação futura ou cortes em áreas como saúde e educação. Não existe almoço grátis em economia.
Se o Tesouro despeja R$ 5 bilhões em uma estatal deficitária, esse montante é retirado de investimentos produtivos ou jogado na dívida pública. O Brasil já tem juros reais entre os mais altos do mundo. Cada novo socorro a empresa estatal piora esse cenário e encarece o crédito para quem realmente produz.
O resultado prático é perverso: quem trabalha e empreende financia quem dá prejuízo. A lógica econômica básica é invertida. Em vez de premiar eficiência, o sistema pune produtividade e subsidia incompetência gerencial. É um modelo que contraria qualquer princípio de mercado saudável.
O impacto vai além do caixa imediato. Quando o governo garante dívidas de estatais, eleva o risco soberano do país. Se a empresa não pagar, a conta recai sobre o Tesouro. Isso se reflete no prêmio de risco dos títulos públicos e pressiona os juros para cima.
Os Correios como exemplo do fracasso estatal
O caso dos Correios ilustra perfeitamente como o modelo é estruturalmente falido. A estatal já foi monopólio absoluto e hoje perde relevância para concorrentes privados muito mais eficientes. Acumula prejuízos recorrentes, problemas gerenciais crônicos, ineficiência logística e folha de pessoal inchada.
O rombo recente foi tão grande que forçou o governo a bloquear bilhões em outras áreas para cobrir o buraco. Em vez de reconhecer que o modelo de estatal comercial é economicamente insustentável, Brasília prefere criar novos mecanismos de aporte. É jogar dinheiro bom atrás do ruim.
Na prática, isso representa forma mais organizada de injetar recursos escassos em estruturas que não conseguem sobreviver no mercado. Qualquer empresa privada com histórico similar dos Correios já teria sido vendida, reestruturada ou teria falido. Mas estatais operam com rede de proteção paga pelo contribuinte.
A diferença fundamental é que empresas privadas têm donos de verdade. Acionistas que sentem prejuízo no bolso e exigem resultados. Estatais são geridas como extensões de ministérios, não como negócios que precisam se sustentar. Não há risco real de falência nem pressão genuína por eficiência.
O risco moral que contamina a gestão
Esse tipo de socorro cria incentivo perverso conhecido por qualquer economista: o risco moral. Se dirigentes de estatais sabem que sempre haverá capitalização ou renegociação de dívidas com aval do Tesouro, a disciplina de custos deixa de ser prioridade. Por que se preocupar com eficiência se o Estado sempre socorre?
A gestão passa a mirar interesses políticos, não resultados econômicos. Estatais viram cabides de emprego, instrumentos eleitorais e fontes de cargos para aliados. O foco deixa de ser competitividade e passa a ser acomodação política. Quem paga essa conta distorcida é o contribuinte comum.
Em empresas privadas, prejuízos recorrentes levam a cortes, venda de ativos ou falência. Em estatais, levam a coletivas de imprensa anunciando “apoio excepcional”. A diferença não é só semântica. É estrutural. Uma pune incompetência, a outra a premia com recursos públicos.
O resultado prático é que recursos escassos são sistematicamente drenados de setores produtivos para manter empresas ineficientes funcionando. É como forçar a sociedade a sustentar zumbis econômicos que deveriam ter desaparecido há muito tempo.
A bomba-relógio da dívida crescente
O impacto fiscal desse modelo não é detalhe técnico. É questão de sobrevivência econômica nacional. Uma dívida que cresce mais rápido que o PIB não é problema do futuro – é bomba-relógio que já está fazendo estragos no presente. Encarece crédito, puxa juros para cima e desvia poupança privada para financiar gasto público improdutivo.
A dívida bruta de R$ 9,9 trilhões já representa 78% do PIB. Esse percentual supera diversos países emergentes que enfrentaram crises fiscais graves. Cada novo mecanismo de apoio a estatais é mais tensão sobre um fio já perigosamente esticado. A matemática não perdoa voluntarismo político.
Quando o governo promete garantir dívidas de estatais, na prática está assumindo passivos contingentes que podem explodir no futuro. Se os Correios ou qualquer outra estatal não conseguir honrar compromissos, o Tesouro vira fiador. É socializar risco privado com garantia pública.
O ciclo vicioso é evidente: mais garantias elevam risco soberano, que aumenta juros, que agrava déficit nominal, que pressiona ainda mais a dívida. Cada socorro a estatal deficitária alimenta esse círculo destrutivo que corrói a capacidade de investimento genuinamente produtivo no país.
O histórico desastroso do Estado empresário
A lista de estatais problemáticas é extensa e conhecida: Correios, companhias estaduais de saneamento, empresas de trens urbanos, distribuidoras de energia, companhias de docas. Em praticamente todos os setores onde o governo insiste em ser empresário, o padrão se repete: ineficiência, aparelhamento político e prejuízo crônico.
Estatais são usadas como instrumentos eleitorais, não como negócios sustentáveis. Investimentos seguem calendário político, não lógica de mercado. Licitações priorizam critérios ideológicos sobre eficiência técnica. O resultado é desperdício sistemático de recursos que poderiam gerar riqueza genuína se fossem geridos por iniciativa privada.
O histórico de investimento público no Brasil comprova essa incompetência crônica. Os mesmos governos que hoje falam em salvar estatais já torraram bilhões em refinarias fantasmas, estádios superfaturados e rodovias inacabadas. Dar mais instrumentos para esse modelo sobreviver é insistir no erro comprovado.
A diferença entre gestão pública e privada não é questão ideológica – é questão prática. Empresas privadas quebram se forem mal geridas. Estatais recebem aportes e continuam dando prejuízo. Uma é disciplinada pelo mercado, a outra é sustentada pelo Estado com dinheiro de quem trabalha.
A falácia dos empregos “protegidos”
Defensores do modelo sempre recorrem ao argumento dos empregos. Dizem que sem aportes milhares de funcionários seriam demitidos. O que não dizem é que manter empregos improdutivos com dinheiro público destrói empregos produtivos que poderiam surgir se o capital não fosse drenado para cobrir prejuízos.
Emprego mantido à força em estatal falida não é política social – é subsídio para grupo específico pago por toda a sociedade. Na forma de menos crescimento, menos investimento privado e mais impostos para todos. É privilegiar poucos às custas de muitos, distorcendo a economia inteira.
A lógica é simples: recursos mal alocados em estatais deficitárias são recursos que não chegam a setores dinâmicos da economia. Cada real jogado nos Correios é um real que não vai para empresa de tecnologia, startup inovadora ou indústria competitiva. O custo de oportunidade é gigantesco.
Países que privatizaram setores inteiros não experimentaram desemprego em massa – experimentaram realocação produtiva. Trabalhadores migraram de empresas ineficientes para setores competitivos. A economia ganhou dinamismo e a produtividade geral aumentou. É o mercado funcionando como deve funcionar.
A única solução real: privatização ampla
A solução séria, honesta e sustentável é a mesma de sempre: privatização ampla e irrestrita. Vender, fatiar, conceder, abrir capital. Qualquer modelo que retire do Estado a responsabilidade direta por operações empresariais que não consegue administrar competentemente.
Empresas privadas têm donos interessados em lucro e sobrevivência. Se forem mal geridas, quebram e dão lugar a concorrentes mais eficientes. É a seleção natural do mercado funcionando. O capital arrecadado com privatizações pode ser usado para reduzir dívida pública e aliviar pressão sobre juros.
Privatização não é remédio para todos os males econômicos, mas é a única forma de romper o cordão umbilical que conecta pagador de impostos a aventuras empresariais estatais fracassadas. É devolver ao mercado a função de alocar recursos de forma eficiente, premiando competência e punindo incompetência.
O governo deveria se perguntar: quais empresas podem ser vendidas para reduzir dívida? Como transformar estatais em concessões ou operações privadas? Como usar produto dessas vendas para amortizar títulos públicos? Em vez disso, sempre pergunta como criar mais estrutura para despejar dinheiro em empresas que não funcionam.
O caminho para romper o ciclo vicioso
Enquanto o governo insistir em ser empresário incompetente, o ciclo destrutivo continuará. Mais aportes levarão a mais prejuízos, que exigirão mais socorros, financiados por mais impostos ou mais dívida. É modelo insustentável que ignora tanto aritmética básica quanto lógica econômica elementar.
O novo mecanismo para socorrer estatais é exatamente o oposto do que deveria ser feito. É mais um capítulo na velha história de um Estado sem dinheiro tentando bancar gestor incompetente usando bolso de quem trabalha. Não vai funcionar porque contraria realidade econômica.
A única forma séria de resolver problema das estatais é tirar o Estado do negócio. Privatizar sem medo de manchete e usar cada centavo obtido para frear escalada da dívida pública. Qualquer alternativa é forma sofisticada de empurrar conta que será cobrada com juros do mesmo pagador de sempre.
Não é ainda o fim do parasita gigante chamado Estado, mas é o caminho mais próximo disso que temos disponível. A liberdade econômica começa quando paramos de financiar compulsoriamente incompetência estatal disfarçada de política pública.
O contribuinte brasileiro merece algo melhor que ser refém eterno de estatais deficitárias geridas como cabides de emprego político. A pergunta que fica é: até quando aceitaremos pagar essa conta sem fim?


