dezembro 13, 2025

Ludwig M

Oracle desaba 11% na bolsa após aposta bilionária em IA

Oracle desaba 11% na bolsa após aposta bilionária em IA

A Oracle registrou uma queda brutal de 11% em suas ações na bolsa americana após revelar os resultados do último trimestre. O motivo não foi apenas a receita de 16 bilhões de dólares, que ficou abaixo das expectativas do mercado. O verdadeiro problema está na aposta arriscada da empresa: ela está se endividando massivamente para construir infraestrutura de inteligência artificial.

Os números mostram uma situação preocupante. Enquanto o lucro da Oracle ainda cresce, o fluxo de caixa despencou para território negativo no último trimestre. A empresa está torrando praticamente tudo que ganha para comprar equipamentos e montar data centers gigantescos voltados para IA.

É uma estratégia de “tudo ou nada” que está deixando investidores nervosos. A Oracle, tradicionalmente sólida no mercado de banco de dados, decidiu apostar seu futuro inteiro numa única carta: a inteligência artificial.

O endividamento explosivo que assusta Wall Street

O que mais preocupa o mercado é o nível de endividamento da Oracle. A empresa está contraindo dívidas em proporções absurdas para financiar sua entrada no mercado de IA. Como qualquer grande corporação, ela não vai ao banco pedir empréstimo. Em vez disso, emite títulos no mercado financeiro.

O problema é que o risco de crédito da Oracle explodiu. Os investidores agora exigem taxas de juros mais altas para emprestar dinheiro para a empresa. Isso encarece ainda mais o financiamento dos projetos de inteligência artificial, criando um ciclo vicioso.

A situação lembra o velho ditado do mercado: “na corrida do ouro, quem ganha dinheiro é quem vende as pás”. A Oracle está comprando as pás – no caso, placas de vídeo da Nvidia e outros equipamentos – apostando que será uma das mineradoras de sucesso.

Mas e se a tecnologia que ela está comprando hoje ficar obsoleta amanhã? Esse é o fantasma que assombra os investidores.

A ameaça da obsolescência tecnológica que pode quebrar a empresa

Michael Burry, o investidor famoso por prever a crise de 2008, já alertou sobre um problema sério: a depreciação acelerada dos equipamentos de IA. As empresas estão gastando fortunas em chips que podem ficar obsoletos em dois anos.

A Oracle está comprando milhares de placas GPU da Nvidia para seus data centers. Essas placas, originalmente criadas para jogos, se mostraram eficazes para processar inteligência artificial. Mas o Google já desenvolveu as TPUs (Tensor Processing Units), que seriam superiores às GPUs para IA.

Se as TPUs realmente se provarem melhores, toda a infraestrutura que a Oracle está construindo pode virar sucata antes mesmo de começar a dar lucro. Seria como construir uma fábrica inteira e descobrir que a tecnologia de produção mudou no meio do caminho.

O precedente histórico não é animador. Na bolha das empresas pontocom de 2000, muitas companhias investiram pesado em infraestrutura de fibra ótica, achando que seria essencial para o futuro da internet. Depois descobriram que satélites e outras tecnologias eram mais eficientes para longas distâncias.

Os ecos da bolha pontocom de 2000

A situação atual da Oracle traz memórias desconfortáveis do crash de 2001. Naquela época, empresas como Nortel e Cisco eram as “vendedoras de pás” da revolução da internet. Todo mundo sabia que a internet seria o futuro – e de fato foi – mas a infraestrutura necessária foi superestimada.

Essas empresas passaram cabos de fibra ótica por rodovias inteiras nos Estados Unidos e no Brasil. Investiram bilhões numa infraestrutura que depois se mostrou desnecessária ou ineficiente. Quando a bolha estourou, essas companhias “sólidas” foram junto.

A diferença é que hoje existe uma rede complexa de investimentos cruzados entre as empresas de IA. A Oracle investe na OpenAI, que tem acordos com outras empresas de tecnologia, que compram da Nvidia, que investe em outras companhias do setor. É uma teia de relações financeiras interconectadas.

Essa interdependência não é necessariamente um problema – empresas sempre compraram umas das outras. Mas cria uma vulnerabilidade sistêmica. Se uma peça importante dessa engrenagem falhar, pode arrastar outras junto.

A aposta “all in” que pode salvar ou destruir a Oracle

A Oracle não está apenas diversificando para a área de IA. Ela está fazendo uma aposta existencial. A mensagem da empresa é clara: “ou conquistamos nosso espaço na inteligência artificial ou seremos expulsos do mercado”.

É uma lógica que faz sentido em parte. O mercado de banco de dados, onde a Oracle sempre foi forte, pode realmente perder relevância no futuro. Se a IA transformar completamente como as empresas lidam com dados, ficar fora dessa revolução seria suicídio comercial.

Mas existe uma diferença entre investir numa nova área e apostar toda a empresa numa única tecnologia. A Oracle está fazendo a segunda opção. Se acertar, os acionistas que aguentaram a pressão serão recompensados generosamente.

Se errar, uma empresa tradicionalmente sólida pode simplesmente desaparecer. É o risco do “tudo ou nada” num mercado que muda na velocidade da luz.

O que os números reais revelam sobre o futuro da empresa

Os resultados do último trimestre contam uma história preocupante. A receita de 16 bilhões de dólares ficou abaixo do esperado, mas não foi isso que derrubou as ações. O problema está no fluxo de caixa negativo e no endividamento crescente.

A empresa está gastando mais do que ganha para financiar a expansão em IA. Isso seria aceitável se fosse temporário e estratégico. Mas os números sugerem um padrão perigoso: a Oracle está queimando caixa numa velocidade alarmante.

O mercado financeiro é implacável com empresas que perdem a confiança dos investidores. Uma vez que a percepção muda, não importa se a estratégia estava certa. Se os acionistas começam a vender, a empresa entra numa espiral descendente que pode ser fatal.

A queda de 11% em um dia é significativa para uma empresa do porte da Oracle. Representa bilhões de dólares em valor de mercado que simplesmente evaporaram porque os investidores perderam a confiança na estratégia da companhia.

Por que esta pode não ser ainda a bolha da IA estourando

Apesar dos sinais preocupantes, é provável que ainda seja cedo para o estouro completo da bolha da inteligência artificial. As quedas pontuais de empresas como a Oracle podem ser correções naturais de mercado, não o colapso de todo o setor.

A diferença entre uma correção saudável e o estouro de uma bolha está na extensão e duração do movimento. Por enquanto, temos empresas específicas enfrentando problemas específicos, não uma debandada geral do setor de tecnologia.

Além disso, ao contrário da bolha pontocom, a inteligência artificial já está produzindo resultados concretos. Não são apenas promessas futurísticas – a tecnologia está sendo usada e gerando valor real para empresas e consumidores.

O risco maior não é a IA ser uma farsa, mas sim algumas empresas terem apostado na tecnologia errada ou no momento errado. A Oracle pode estar nessa situação: apostando pesado numa infraestrutura que pode se tornar obsoleta rapidamente.

As lições para investidores e o futuro do mercado

A situação da Oracle oferece lições valiosas sobre os riscos de investimentos em tecnologia emergente. A primeira é que mesmo empresas sólidas podem quebrar quando fazem apostas arriscadas demais.

A segunda lição é sobre timing. Não basta investir na tecnologia certa – é preciso acertar o momento e a abordagem. A Oracle pode estar certa sobre o futuro da IA, mas errada sobre como chegar lá.

Para o mercado como um todo, este episódio serve como um lembrete de que bolhas podem estourar empresa por empresa, não necessariamente todas de uma vez. Investidores precisam avaliar cada caso individualmente, não apenas seguir tendências gerais do setor.

A volatilidade atual também mostra que o mercado de IA ainda está em formação. As regras do jogo não estão definidas, e empresas que parecem dominantes hoje podem ser ultrapassadas rapidamente por inovações disruptivas.

A Oracle agora enfrenta a pressão típica de quem fez uma aposta high-stakes: precisa mostrar resultados rapidamente ou ver sua credibilidade evaporar junto com o valor das ações.

O caso da Oracle ilustra perfeitamente os dilemas do capitalismo moderno. Empresas que não inovam morrem, mas empresas que inovam demais também podem morrer. Encontrar o equilíbrio entre prudência e ousadia é a diferença entre o sucesso e o fracasso.

E você, acredita que a Oracle vai conseguir sair dessa situação ou está assistindo ao início da queda de mais uma gigante da tecnologia?

Fontes

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