dezembro 12, 2025

Ludwig M

Fed corta juros mas mantém aperto: Bitcoin na mira dos US$ 100 mil

Fed corta juros mas mantém aperto: Bitcoin na mira dos US$ 100 mil

O Federal Reserve americano cortou a taxa de juros em 0,25%, levando-a para a faixa entre 3% e 3,75%. Enquanto isso, o Banco Central brasileiro manteve a Selic em 15% ao ano. Essa diferença brutal expõe duas realidades econômicas distintas: os Estados Unidos ajustando sua política monetária em direção ao crescimento, e o Brasil tentando conter uma inflação que teima em não ceder devido aos gastos descontrolados do governo.

O Bitcoin, que havia despencado de US$ 126 mil para abaixo de US$ 80 mil nas últimas semanas, reagiu positivamente à decisão do Fed e voltou a operar na faixa dos US$ 90 mil. Mas a recuperação não foi tão robusta quanto muitos esperavam. O motivo? O Fed deu sinais contraditórios ao mercado.

A autoridade monetária americana diminuiu os juros, mas manteve o quantitative tightening – ou seja, continuou comprando títulos do tesouro para enxugar liquidez do mercado. Era esperado que, junto com o corte de juros, o Fed migrasse para o quantitative easing, injetando mais dinheiro na economia.

Essa política mista gerou incerteza entre os investidores. Por um lado, juros menores tornam ativos de risco como o Bitcoin mais atraentes. Por outro, a manutenção do aperto quantitativo significa que o dinheiro continua escasso no sistema financeiro.

Por que o Bitcoin despencou em outubro e novembro

A queda brutal do Bitcoin nas últimas semanas não foi acidente. O mercado havia precificado o cenário mais pessimista possível para a reunião do Fed de 10 de dezembro. Como os dados de desemprego ainda não estavam disponíveis na época, investidores assumiram que a autoridade monetária manteria tudo inalterado.

Essa expectativa criou um ambiente recessivo que penalizou duramente as criptomoedas. Quando o Fed promove enxugamento de liquidez, investidores precisam encontrar dinheiro rapidamente. E o Bitcoin, por ser extremamente líquido comparado a ações ou outros ativos, vira a primeira opção na hora de realizar lucros ou cobrir margens.

É um ciclo conhecido: aperto monetário gera necessidade de caixa, Bitcoin é vendido primeiro por sua liquidez, preço despenca. Mas o ativo também tem a vantagem de se recuperar rapidamente quando o cenário melhora. É exatamente isso que estamos vendo agora.

A volatilidade extrema do Bitcoin em períodos de incerteza monetária expõe uma característica fundamental do ativo: ele funciona como um termômetro da confiança no sistema financeiro tradicional. Quando há dúvidas sobre política monetária, o Bitcoin sofre. Quando há otimismo, ele dispara.

O padrão histórico que pode indicar o futuro do Bitcoin

Analisando o comportamento histórico do Bitcoin, existe um padrão interessante que poucos percebem. O ativo raramente cai abaixo do teto do ciclo anterior após estabelecer um novo pico histórico. Em 2021, o Bitcoin atingiu cerca de US$ 69 mil. Quando despencou no mercado baixista seguinte, o pior momento levou o preço para US$ 16 mil – exatamente o topo do ciclo anterior.

Agora, com o Bitcoin tendo tocado US$ 126 mil recentemente, a lógica sugere que mesmo numa correção severa, o ativo não deveria cair abaixo dos US$ 60-70 mil, que representam o topo do ciclo passado. Claro, essa é apenas uma observação histórica, não uma garantia.

Mas existe uma variável nova nesta equação: os ETFs de Bitcoin. Pela primeira vez na história do ativo, existe um instrumento financeiro tradicional que permite exposição direta ao Bitcoin através do mercado de capitais americano. Isso pode mudar completamente o padrão de volatilidade.

Alguns analistas acreditam que os ETFs tendem a reduzir a volatilidade do Bitcoin ao longo do tempo. Isso significaria menos explosões de alta, mas também quedas menos dramáticas. O mercado ainda está aprendendo como essa dinâmica funciona na prática.

Brasil: economia em frangalhos e juros nas alturas

Enquanto os Estados Unidos conseguem cortar juros mesmo com desafios inflacionários, o Brasil permanece travado. A Selic a 15% ao ano reflete uma realidade dura: a economia brasileira está desacelerando, mas a inflação continua pressionando por causa dos gastos desenfreados do governo Lula.

O Banco Central não tem escolha. Cortar juros agora seria um convite à hiperinflação, cenário que o Brasil conhece bem e que nenhum responsável pela política monetária quer ver repetido. A diferença entre Brasil e Estados Unidos não poderia ser mais clara: lá, conseguem equilibrar crescimento e estabilidade de preços. Aqui, precisamos escolher entre estagnação e caos monetário.

A expectativa é que ao longo de 2025 a Selic comece a cair, mas dificilmente chegará a um nível que estimule significativamente a economia a tempo de ajudar o governo nas eleições. O preço da irresponsabilidade fiscal está sendo pago agora, e quem paga é o brasileiro comum, que vê seus investimentos renderem menos e o crédito ficar mais caro.

Para o investidor brasileiro em Bitcoin, essa realidade torna o ativo ainda mais atrativo. Com o real sob pressão constante e perspectivas econômicas sombrias, ter uma reserva de valor fora do alcance das autoridades monetárias nacionais faz mais sentido do que nunca.

Cenário americano: tarifas e emprego podem mudar tudo

Apesar do corte de juros, a economia americana enfrenta desafios próprios. As tarifas implementadas pelo governo estão gerando pressões inflacionárias significativas. Os números de geração de emprego, que ainda não foram totalmente divulgados, provavelmente mostrarão sinais de desaceleração.

Essa combinação – inflação por tarifas e desemprego crescente – pode forçar o Fed a reverter sua posição mais rapidamente do que o esperado. Se a situação se deteriorar, a autoridade monetária americana pode migrar do quantitative tightening para o quantitative easing ainda no primeiro trimestre de 2025.

Para o Bitcoin, essa seria a combinação perfeita: juros baixos e liquidez abundante. Historicamente, essa fórmula resulta em corridas especulativas que podem levar o ativo de volta aos US$ 100 mil ou além. O mercado já está precificando parcialmente esse cenário, daí a recuperação recente.

A diferença é que agora o corte de juros já aconteceu – uma mudança mais definitiva que só será revista na próxima reunião do Fed. O quantitative easing, por sua vez, pode ser implementado a qualquer momento se os dados econômicos justificarem.

ETFs e a nova dinâmica do mercado de Bitcoin

A aprovação dos ETFs de Bitcoin spot nos Estados Unidos mudou fundamentalmente como o ativo é negociado e percebido pelos investidores. Agora, fundos de pensão, seguradoras e outros investidores institucionais podem comprar Bitcoin através de instrumentos regulamentados, sem precisar lidar diretamente com exchanges de criptomoedas.

Essa mudança estrutural pode explicar por que a recuperação atual do Bitcoin parece mais moderada comparada aos ciclos anteriores. Investidores institucionais tendem a ser menos emotivos e mais focados em fundamentos de longo prazo. Isso reduz tanto o potencial de pânicos de venda quanto de corridas especulativas desenfreadas.

Por outro lado, o volume de capital que pode entrar no Bitcoin através desses canais é muito maior do que qualquer coisa vista anteriormente. Se fundos soberanos e grandes gestores decidirem alocar mesmo uma pequena porcentagem de seus portfolios em Bitcoin, a demanda pode superar facilmente qualquer oferta disponível.

O mercado ainda está descobrindo como essa nova realidade afeta a formação de preços. O que parece claro é que a volatilidade extrema que caracterizou os primeiros 15 anos do Bitcoin pode estar dando lugar a movimentos mais previsíveis, porém potencialmente mais sustentáveis.

Estratégias para navegar a volatilidade do Bitcoin

Para investidores que querem exposição ao Bitcoin mas temem a volatilidade, existe uma estratégia consagrada chamada Dollar Cost Averaging (DCA). Em vez de tentar acertar o momento ideal para comprar, o investidor faz aportes regulares independentemente do preço do ativo.

Essa abordagem suaviza o impacto da volatilidade ao longo do tempo. Quando o Bitcoin está caro, você compra menos unidades com o mesmo valor. Quando está barato, compra mais. No longo prazo, o preço médio de aquisição tende a ficar próximo da média histórica do período.

A estratégia DCA faz ainda mais sentido considerando que ninguém – absolutamente ninguém – consegue prever consistentemente os movimentos de curto prazo do Bitcoin. Mesmo analistas experientes erram regularmente ao tentar cronometrar entradas e saídas.

O importante é entender por que você está comprando Bitcoin. Se é especulação de curto prazo, prepare-se para perdas significativas. Se é proteção contra a desvalorização das moedas fiduciárias e hedge contra políticas monetárias irresponsáveis, então a volatilidade se torna secundária.

Bitcoin como proteção contra a irresponsabilidade monetária

A tese fundamental do Bitcoin permanece inalterada: governos ao redor do mundo estão presos em uma espiral de gastos crescentes financiados por impressão de moeda. Esse modelo é insustentável no longo prazo e resulta na destruição do poder de compra das moedas nacionais.

O real brasileiro é um exemplo perfeito. Desde sua criação em 1994, perdeu mais de 80% de seu poder de compra. O dólar americano, considerado a reserva de valor global, perdeu mais de 95% de seu poder de compra desde a criação do Federal Reserve em 1913.

Bitcoin representa uma alternativa a esse sistema. Sua oferta é limitada matematicamente a 21 milhões de unidades, e nenhum governo ou banco central pode alterar essa regra. Para quem acredita que a tendência de depreciação das moedas fiduciárias vai continuar, Bitcoin oferece uma saída.

As flutuações de curto prazo, por mais dramáticas que sejam, são ruído comparado à tendência de longo prazo. Quem comprou Bitcoin há cinco anos e segurou, independentemente das correções pelo caminho, foi recompensado. Quem comprou há dez anos viu retornos que nenhum outro ativo conseguiu proporcionar.

O que esperar dos próximos meses

Com o Fed sinalizando disposição para cortar juros mas mantendo cautela com a política quantitativa, o cenário para o Bitcoin é de otimismo moderado. Se os dados econômicos americanos se deteriorarem rapidamente, podemos ver uma reversão mais agressiva da política monetária, o que seria extremamente positivo para ativos de risco.

Do lado brasileiro, não há muito o que esperar. A Selic alta e economia em desaceleração criam um ambiente hostil para investimentos em geral, mas reforçam o caso para diversificação internacional através de Bitcoin e outros ativos denominados em moeda forte.

A questão dos ETFs continuará sendo um fator determinante. À medida que mais investidores institucionais descobrem essa nova forma de acessar Bitcoin, a demanda estrutural pelo ativo tende a crescer. Isso pode criar um piso de preços mais sólido, mesmo durante correções.

Para investidores individuais, o momento pede cautela sem paralisia. Bitcoin continua sendo um ativo volátil e especulativo, mas também oferece características únicas como reserva de valor descentralizada. A chave é dimensionar a posição adequadamente e manter perspectiva de longo prazo.

A decisão do Fed de cortar juros, mesmo que acompanhada de sinais mistos sobre política quantitativa, representa um primeiro passo na direção que historicamente favorece Bitcoin. Se a economia americana continuar mostrando sinais de fraqueza, podemos esperar medidas mais agressivas que beneficiarão todos os ativos alternativos às moedas tradicionais.

Resta saber se desta vez será diferente, com os ETFs moderando a volatilidade, ou se veremos mais um ciclo de euforia especulativa seguido de correção brutal. O que parece certo é que Bitcoin estabeleceu-se definitivamente como uma classe de ativo legítima, reconhecida até pelos mais conservadores gestores de recursos.

E você, acredita que Bitcoin conseguirá sustentar uma trajetória de alta mais estável com a participação institucional, ou a volatilidade extrema é uma característica permanente que nunca desaparecerá completamente?

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