dezembro 9, 2025

Ludwig M

Defesa de Filipe Martins prova que Mauro Cid criou minuta

Defesa de Filipe Martins prova que Mauro Cid criou minuta

A confusão no julgamento que expõe as cartas marcadas

Os slides originais mostravam opiniões prévias de Flávio Dino sobre Bolsonaro e sua equipe, incluindo Filipe Martins. Isso tornaria Dino suspeito para julgar o caso. Por isso a censura.

“Se fossem importantes para a defesa, teria juntado aos autos”, disse Moraes sobre os slides vetados. Argumento esdrúxulo. A ampla defesa garante usar qualquer meio de prova durante a sustentação oral. Não precisa estar previamente nos autos.

A bomba: Mauro Cid seria o verdadeiro autor da minuta

Aqui está a informação mais explosiva do julgamento. Jeffre Chiquini afirma ter provas de que Mauro Cid foi quem criou a famosa “minuta do golpe”. A mesma minuta que Cid atribuiu a Filipe Martins em sua delação premiada.

“Nós conseguimos acessar o celular do Mauro Cid. O Mauro Cid, diferente do que todo mundo imaginava, ele queria o golpe”, declarou Chiquini. A defesa encontrou a minuta no celular de Cid, dentro dos 78 TB de provas disponibilizados nos autos.

Os metadados do arquivo comprovariam que o militar escreveu o documento. Metadados são informações que indicam quando o arquivo foi criado, alterado e por qual usuário. São como impressões digitais digitais do documento.

“Mauro Cid apresentou essa minuta aos comandantes que não aderiram a sua vontade”, sustenta a defesa. Segundo essa versão, Cid queria instalar no Brasil um tribunal constitucional militar. Ninguém aderiu à sua proposta golpista.

A estratégia de Mauro Cid para se blindar

Por que Mauro Cid teria culpado Filipe Martins? A resposta é estratégica e covarde. “Mauro Cid criou uma falsa narrativa para se blindar. Ele criou o Felipe Martins porque sabia que essa minuta dele poderia ser descoberta”, explica Chiquini.

A lógica é perversa mas compreensível. Cid sabia que a Polícia Federal teria acesso ao seu celular. Encontraria a minuta golpista que ele próprio redigiu. Precisava de um culpado antecipado.

Então inventou a história de que Filipe Martins trouxe uma minuta numa reunião. Se os investigadores descobrissem o documento no seu celular, poderia dizer: “Ah, isso é a minuta do Felipe Martins que eu guardei aqui”.

Pode ter sido exatamente isso que selou a delação premiada de Cid. Os policiais podem ter encontrado o documento, confrontado o militar e oferecido a barganha: “Você vai pra cadeia ou assina uma delação e entrega o resto da galera”.

O julgamento político com cartas marcadas

Essa revelação deveria derrubar toda a acusação. Se Mauro Cid mentiu sobre quem criou a minuta, sua credibilidade como delator desmorona. E toda a denúncia se baseia principalmente no seu depoimento.

“Se a delação do Mauro Cid cair por terra, liberta todo mundo, porque tudo que tem nesse processo é com base na delação do Mauro Cid”, observa corretamente o analista.

Mas não vivemos num Estado de Direito funcional. Este não é um julgamento jurídico baseado em provas e lei. É um julgamento político com resultado previamente definido. “Todo mundo já foi condenado de antemão”.

As decisões já estão tomadas na visão de Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O resto é teatro, burocracia para dar aparência de legalidade ao arbítrio. Um tribunal de exceção disfarçado de Justiça.

O cerceamento sistemático da defesa

O episódio dos slides censurados não é caso isolado. É parte de um padrão sistemático de cerceamento da ampla defesa. Primeiro, Moraes proíbe os slides que questionam a imparcialidade de Dino. Depois, Dino expulsa o advogado por exercer seu direito.

“Todo esse processo é absurdo”, resume bem a situação. A OAB tem reclamado do autoritarismo do STF, mas tudo indica que ficará por isso mesmo. Não há instância superior para coibir os abusos dos ministros.

Durante a sustentação oral, Chiquini tentou mostrar uma foto do padre que supostamente levou Filipe Martins para falar com Bolsonaro. A foto mostrava o religioso rezando com o presidente, contextualizando as visitas. Negado.

Também queria apresentar uma tese doutrinária de 2009 do advogado Zanin sobre a Operação Zelotes. “Nunca se viu vedar a defesa apresentar uma doutrina em slide”, protestou Chiquini. Negado também.

As duas possibilidades sobre Mauro Cid

Existem duas interpretações possíveis sobre o comportamento de Mauro Cid. A primeira é que foi torturado psicologicamente e forçado a mentir. Ameaçaram o pai dele, a filha dele, sua família. Sob pressão, assinou qualquer documento.

“Ninguém sabe. Você pode se achar muito durão aí, no dia que te pegarem, que tentarem te torturar para você assinar um documento, quero ver se não assina também”. É uma possibilidade real e trágica.

A segunda interpretação, que ganha força com essas revelações, é que Cid era mesmo culpado. Ele de fato tentou um golpe, queria dar um golpe, era o grande articulador golpista. Sabia que era questão de tempo até descobrirem.

Quando os policiais encontraram as provas no seu celular, não teve escolha. Aceitou fazer delação premiada para conseguir acordo vantajoso. Inventou culpados para salvar a própria pele.

O objetivo real de todo esse circo

Independente da versão verdadeira sobre Mauro Cid, uma coisa é certa: este processo nunca foi sobre Justiça. “O objetivo sempre foi tirar o Bolsonaro da política”. Cid é peça descartável nesse jogo.

Prender Mauro Cid não muda nada no cenário político. Ele é “pobre coitado lá do meio da coisa”. O verdadeiro alvo sempre foi impossibilitar Bolsonaro de voltar ao poder. Todo o resto é consequência colateral.

Por isso não importa se a delação de Cid é falsa, se ele mentiu, se as provas são fabricadas. O resultado já está definido. É questão de burocracia na visão dos ministros. Falta apenas anunciar as condenações.

“Quanto mais essas coisas ficam abertas para a população, mais escancara o absurdo do julgamento político que está acontecendo”. A verdade vai emergindo aos poucos, apesar da censura e do autoritarismo.

Este processo expõe a falência das instituições brasileiras. Quando o Judiciário vira instrumento de perseguição política, não temos mais Estado de Direito. Temos estado policial com toga.

E você, ainda acredita que vivemos numa democracia funcional? Ou já percebeu que as regras só valem quando convém ao poder?

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