dezembro 8, 2025

Ludwig M

Hollywood faz filme sobre Bolsonaro com ator de A Paixão de Cristo

Hollywood faz filme sobre Bolsonaro com ator de A Paixão de Cristo

Hollywood está produzindo um filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O longa-metragem “Dark Horse” terá Jim Caviezel, famoso por interpretar Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, no papel do ex-presidente brasileiro. A produção deve estrear em 2026, ano das próximas eleições presidenciais no Brasil.

O roteiro foi escrito por Mário Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro. As gravações no Brasil já foram concluídas, e a pós-produção será finalizada nos Estados Unidos. O filme retrata principalmente a campanha eleitoral de 2018 e o atentado sofrido por Bolsonaro durante a corrida presidencial.

“Dark Horse” é uma expressão americana que significa “candidato improvável” – alguém que ninguém esperava que ganhasse, mas que acaba vencendo. O título reflete perfeitamente o que aconteceu em 2018, quando Bolsonaro partiu de uma posição considerada marginal para conquistar a presidência com folga.

O elenco internacional inclui Lynn Collins, protagonista de “John Carter”, Esai Morales e o ator brasileiro Felipe Folgosi. A produção promete cenas de ação na Amazônia, com confrontos contra cartéis de drogas ao lado de indígenas e xamãs, além de focar no atentado que mudou os rumos da campanha eleitoral.

O timing estratégico do lançamento

A estreia prevista para 2026 não é coincidência. O filme chegará aos cinemas exatamente no ano das eleições presidenciais brasileiras. Independentemente de quem seja o candidato do campo bolsonarista – se o próprio Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas ou outro nome – a produção servirá como uma peça de resgate histórico da vitória de 2018.

Essa estratégia de usar o cinema como ferramenta política não é nova. Mas raramente o Brasil teve uma produção hollywoodiana dedicada a um político nacional. A diferença de orçamento e alcance entre esta produção e filmes nacionais sobre figuras políticas é evidente.

O filme promete mostrar uma versão heroica dos eventos de 2018. Enquanto a mídia tradicional tratava Bolsonaro como figura excêntrica e marginal, ele construía uma base sólida de apoio popular. A narrativa do “Dark Horse” explora exatamente essa contradição entre a percepção das elites e a realidade eleitoral.

Mário Frias resumiu bem a intenção do projeto: “Cultura é a frente de batalha que jamais podemos abandonar. Música, arte e cinema são a linguagem que alcança diretamente o coração do povo”. A frase revela a compreensão de que disputar narrativas culturais é tão importante quanto disputar votos.

Jim Caviezel como Bolsonaro: uma escolha simbólica

A escalação de Jim Caviezel não foi aleatória. O ator ficou mundialmente conhecido por interpretar Jesus Cristo no filme de Mel Gibson. Sua imagem está associada a valores cristãos conservadores, exatamente o público que forma a base eleitoral bolsonarista no Brasil.

As primeiras imagens vazadas mostram uma caracterização convincente. Caviezel realmente se parece com Bolsonaro após a maquiagem e figurino. A semelhança física ajuda na credibilidade, mas o simbolismo da escolha vai além da aparência.

O ator americano tem posições políticas alinhadas com o conservadorismo. Sua participação no projeto sinaliza que “Dark Horse” não será apenas uma biografia, mas uma peça claramente ideológica. Hollywood costuma produzir filmes críticos a políticos conservadores. Desta vez, será o oposto.

A produção internacional também eleva o patamar da obra. Não se trata de um filme nacional de baixo orçamento, mas de uma produção americana com padrão técnico hollywoodiano. Isso pode significar maior alcance e impacto na opinião pública.

Polêmicas e tentativas de sabotagem

As gravações no Brasil não transcorreram sem problemas. Um ator extra tentou entrar no set com celular para gravar cenas e vazar informações sobre o filme. A segurança da produção confiscou o aparelho e removeu o indivíduo do local.

O incidente gerou uma suposta “polêmica” amplificada pela mídia hostil ao projeto. O Sindicato dos Atores reclamou do tratamento dado ao figurante. Mas a situação é simples: regras de segurança foram estabelecidas, e alguém tentou burlá-las deliberadamente.

Apesar das tentativas de manter sigilo, várias imagens vazaram nas redes sociais. As cenas mostram a reconstituição do atentado de Juiz de Fora, gravada no Rio de Janeiro. A pós-produção depois adaptará os cenários para recriar o local real do acontecimento.

Essa tentativa de sabotagem revela o incômodo que o filme causa em determinados setores. A esquerda brasileira não esperava ver Hollywood produzindo uma obra favorável a Bolsonaro. A reação defensiva mostra que o projeto atingiu um nervo descoberto.

Comparação com o filme do Lula

O contraste com “Lula, o Filho do Brasil” é inevitável. Aquele filme nacional de 2009 seguiu o padrão típico do cinema brasileiro: drama social, foco na pobreza, ritmo lento. Fez pouco sucesso de público, apesar do apoio da crítica especializada.

“Dark Horse” promete o oposto. Cenas de ação, confrontos, tensão dramática. Os elementos que realmente prendem a atenção do público de cinema comercial. A diferença de orçamento e padrão técnico também será notável.

O filme de Lula foi feito para agradar intelectuais e críticos de cinema. O de Bolsonaro está sendo feito para conquistar o grande público. Estratégias diferentes que refletem compreensões distintas sobre como usar o cinema politicamente.

Enquanto a esquerda sempre dominou a produção cultural brasileira, a direita finalmente investe seriamente nessa frente. “Dark Horse” representa uma mudança de paradigma: conservadores usando Hollywood para contar sua versão da história.

A narrativa do “candidato improvável”

O conceito de “Dark Horse” captura perfeitamente o fenômeno Bolsonaro em 2018. Durante décadas, ele foi tratado como figura folclórica da política brasileira. Um deputado federal sem expressão, conhecido apenas por declarações polêmicas.

As pesquisas eleitorais mostravam seu crescimento, mas analistas políticos não levavam a sério. Esperavam que fosse mais um “cavalo paraguaio” – candidato que aparece bem nas pesquisas, mas desmorona na reta final. Como Celso Russomanno em São Paulo.

O establishment político já se preparava para um governo fracassado de Bolsonaro. O PSDB aguardava nos bastidores para assumir após um eventual impeachment. Ninguém imaginou que ele se tornaria um problema real para o sistema.

A vitória de 2018 quebrou todas as expectativas. Bolsonaro não apenas ganhou, como consolidou uma base política sólida. O filme “Dark Horse” vai explorar essa trajetória improvável, mostrando como um outsider derrotou todo o establishment político brasileiro.

O futuro da franquia bolsonarista

“Dark Horse” pode ser apenas o começo. A trajetória de Bolsonaro oferece material para uma trilogia completa. O primeiro filme retrata a ascensão. O segundo poderia mostrar “O Império Contra-Ataca”, com Alexandre de Moraes no papel de vilão principal.

O terceiro filme seria “O Retorno do Jedi”, com Bolsonaro voltando ao poder. Essa narrativa épica tem todos os elementos de uma saga cinematográfica de sucesso: herói improvável, perseguição pelo establishment, redenção final.

Alexandre de Moraes nem precisaria de caracterização especial para interpretar o vilão. Sua atuação real já fornece todo o material necessário. As decisões autoritárias do STF durante o governo Bolsonaro criaram um antagonista perfeito para o roteiro.

Hollywood adora franquias bem-sucedidas. Se “Dark Horse” fizer sucesso, os produtores certamente considerarão continuações. A história política brasileira recente oferece material dramatúrgico abundante para explorações futuras.

A estratégia cultural da direita brasileira finalmente amadureceu. Depois de décadas perdendo a batalha das narrativas, conservadores descobriram como usar o cinema comercial a seu favor. “Dark Horse” pode ser o marco dessa virada.

O lançamento em 2026 testará se essa nova abordagem funciona. Se o filme conseguir mobilizar eleitores e influenciar a opinião pública, outras produções similares certamente seguirão. A disputa política brasileira ganhou mais um campo de batalha: as telas de cinema.

Resta saber se a esquerda brasileira conseguirá responder à altura. Enquanto isso, Jim Caviezel se prepara para dar vida ao político mais controverso da história recente do Brasil. Uma aposta arriscada que pode redefinir como se faz cinema político no país.

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