dezembro 8, 2025

Ludwig M

Paris derrota imposto bilionários: vitória frágil na guerra global

Paris derrota imposto bilionários: vitória frágil na guerra global

Em 31 de outubro de 2025, a França rejeitou por uma margem apertada de 228 votos contra 172 uma proposta que poderia mudar o futuro da propriedade privada no mundo. O imposto Zukman, que confiscaria 2% da riqueza dos bilionários franceses anualmente, foi barrado por uma coalizão frágil de centristas e conservadores. Mas não se engane: esta não é uma vitória definitiva. É apenas uma pausa tática em uma guerra global contra sua propriedade.

A proposta miraria cerca de 1.800 famílias francesas com patrimônio acima de 100 milhões de euros. A arrecadação estimada seria de 15 a 20 bilhões de euros por ano. O que parece uma medida isolada é, na verdade, parte de um plano coordenado internacionalmente que já está sendo debatido no G20. O objetivo final vai muito além dos bilionários franceses.

Esta batalha em Paris revela a anatomia da tirania fiscal moderna. Uma fusão perigosa entre inveja disfarçada de justiça social, teorias econômicas falidas e uma ambição globalista de criar um cartel fiscal internacional. Quando o Estado promete taxar apenas os “super ricos”, a história nos ensina que todos acabam pagando a conta.

A anatomia do confisco: como funciona o ataque à propriedade

O imposto Zukman foi desenhado como uma pinça legislativa. Duas propostas interligadas para maximizar as chances de aprovação e confundir a oposição. A proposta principal era brutalmente simples: 2% de confisco anual sobre todo patrimônio líquido acima de 100 milhões de euros. Uma alíquota fixa que parece pequena, mas esconde consequências devastadoras.

Simultaneamente, o Partido Socialista apresentou o “Zukman Light”: 3% sobre ativos de 10 milhões de euros, com isenções para empresas familiares e inovadoras. A existência de duas propostas é tática clássica do avanço estatista. A versão radical torna a moderada mais aceitável, enquanto as isenções cínicas dividem a oposição.

O mais assustador é o apoio popular. Pesquisas mostraram que 86% do público francês apoiava a medida. Isso ilustra uma lição crucial: a democracia não garante liberdade. Pode se tornar um mecanismo para a tirania da maioria, onde 51% vota para expropriar os outros 49%. O Estado confere falsa legitimidade ao que seria chamado de roubo em qualquer outro contexto.

A estratégia revela o verdadeiro plano estatista. Primeiro, isola e expropria os 0,01% mais ricos. Depois estabelece o princípio do confisco de capital para inevitavelmente expandir a definição de “rico”. O que começa como imposto sobre bilionários termina atingindo a classe média trabalhadora.

O laboratório francês: décadas de fracasso comprovado

A França não precisa de teorias para prever os resultados do imposto Zukman. Possui décadas de dados de seu próprio experimento desastroso: o Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna (ISF). Implementado em 1982, foi um veneno econômico por quase três décadas, até que a pressão da realidade forçou Macron a substituí-lo em 2018.

As consequências do ISF não são especulações, mas fatos históricos documentados. O imposto causou fuga de capitais de cerca de 200 bilhões de euros desde sua criação. Em 2006 apenas, 843 indivíduos de alto patrimônio deixaram o país, resultando em perda de base tributária de 2,8 bilhões de euros para o tesouro naquele ano.

Ironicamente, o imposto criado para encher os cofres do Estado acabou por esvaziá-los. Um estudo concluiu que o ISF causava déficit fiscal anual de aproximadamente 7 bilhões de euros – quase o dobro do que arrecadava. A razão é simples: ao expulsar capital e empreendedores, o Estado perdia não apenas a receita do ISF, mas todas as outras receitas que essas pessoas e investimentos geravam.

Além disso, o ISF reduziu o crescimento anual do PIB em 0,2%. Pode parecer pouco, mas ao longo de décadas representa perda colossal de riqueza e oportunidades para todos os franceses. O fato dos proponentes do imposto Zukman avançarem cientes desse histórico prova que a motivação não é econômica, mas ideológica.

A agenda globalista: construindo uma prisão fiscal mundial

O imposto Zukman não é capricho da política interna francesa. É a ponta de lança de uma campanha coordenada internacionalmente contra a soberania do indivíduo sobre sua propriedade. Gabriel Zukman, economista por trás da proposta, tornou-se o principal arquiteto de um movimento global por um regime fiscal unificado e confiscatório.

A proposta derrotada em Paris foi aplicação direta do plano que Zukman apresentou ao G20. O projeto global é assustadoramente ambicioso: imposto mínimo coordenado internacionalmente de 2% sobre o patrimônio dos cerca de 3.000 bilionários mundiais, com objetivo de arrecadar 250 bilhões de dólares por ano.

O ponto crucial não é a alíquota, mas a coordenação internacional. O objetivo explícito é eliminar a concorrência fiscal entre países e impedir a fuga de capitais. Zukman entende que enquanto indivíduos puderem mover seus ativos, qualquer imposto sobre riqueza nacional está fadado ao fracasso.

A solução estatista é criar um cartel global de Estados. Se todos os principais países concordarem em aplicar imposto mínimo, o capital ficará encurralado. Não haverá para onde correr. Este é o sonho socialista final: uma prisão fiscal global onde a propriedade privada existe apenas com permissão dos governos.

Os três erros fatais da tributação sobre patrimônio

O imposto sobre riqueza comete três erros econômicos fundamentais que destroem a prosperidade de todos. Primeiro, o pesadelo da avaliação. A premissa é que o Estado pode determinar o valor de todos os ativos de um indivíduo anualmente. Isso é delírio burocrático. A maioria da riqueza está em ativos ilíquidos: participações em empresas fechadas, imóveis únicos, obras de arte.

Como determinar o valor de mercado de uma empresa familiar que não é vendida há gerações? Não há resposta objetiva. Qualquer avaliação será estimativa subjetiva ou número arbitrário imposto por burocrata. Isso concede poder discricionário imenso aos agentes do Estado sobre a propriedade privada.

Segundo, a confusão deliberada entre capital e renda. Imposto de renda incide sobre rendimento gerado. Imposto sobre riqueza incide sobre o próprio capital – o estoque de ativos. É como agricultor que, em vez de pagar imposto sobre a colheita, é forçado a entregar parte das sementes para plantio.

Terceiro, a matemática punitiva escondida. Uma alíquota de 2% sobre capital pode equivaler a alíquota altíssima sobre renda gerada. Considere ativo com retorno anual de 4%: imposto de 2% sobre riqueza equivale a 50% sobre a renda. Se retorno for 2%, o imposto é 100% sobre renda. Se menor, torna-se expropriação pura do principal.

A verdade moral que ninguém quer discutir

Focar apenas nos argumentos econômicos contra o imposto Zukman é cair na armadilha do Estado. Aceitar discutir a “alíquota ótima de confisco” é conceder a premissa falsa de que o governo tem direito legítimo à propriedade dos cidadãos. A questão fundamental não é de eficiência, mas de moralidade.

A partir dos princípios libertários, a conclusão é inequívoca: toda tributação é roubo. É expropriação coercitiva da propriedade privada por organização que detém monopólio da violência. Não importa se a extração é 1% ou 90%. Não importa se os fundos constroem hospitais ou financiam guerras. Não importa se a decisão é de tirano ou maioria democrática.

O ato em si – a tomada de propriedade sem consentimento, sob ameaça de violência – é moralmente indistinguível do roubo. Robert Nozick oferece analogia poderosa: taxar ganhos de horas de trabalho é o mesmo que forçar alguém a trabalhar essas horas para outros. É reivindicação de propriedade parcial sobre o tempo e vida do indivíduo.

O imposto sobre riqueza é ainda pior. É reivindicação sobre o produto acumulado de vida inteira de trabalho, poupança e risco. É declaração do Estado de que ele é coproprietário de tudo que você construiu. Quando o governo taxa seu patrimônio, está dizendo que sua propriedade existe apenas com permissão estatal.

Capital não é dinheiro parado: é o motor da prosperidade

Os defensores do imposto Zukman vendem a mentira de que a riqueza dos bilionários é “dinheiro parado” que precisa “circular na economia”. Esta é incompreensão fundamental sobre como funciona o capital. A riqueza dos mais ricos não está debaixo do colchão, mas investida em projetos produtivos que geram empregos e riqueza para todos.

Capital não é riqueza ociosa, é o conjunto de ferramentas, máquinas e recursos que tornam o trabalho mais produtivo. Quando você taxa o capital anualmente como se fosse renda, está forçando sua liquidação não por razões econômicas, mas para pagar imposto. Isso resulta em alocação ineficiente de capital e destruição progressiva do patrimônio produtivo.

A retórica da “justiça fiscal” é cortina de fumaça para inveja e pilhagem. O objetivo é redefinir propriedade, transformar capital privado em recurso a ser gerenciado pelo Estado. Uma medida essencialmente comunista disfarçada de política fiscal moderna.

Ao diminuir o estoque de capital através da tributação, o resultado inevitável é menos investimento, menor produtividade e salários mais baixos para todos os trabalhadores. O imposto que promete atingir apenas os ricos termina empobrecendo toda a sociedade.

A vitória frágil e a guerra que continua

A rejeição da proposta em Paris não deve gerar complacência. A vitória foi resultado de aliança frágil, não de conversão aos princípios da liberdade. A margem apertada – 228 contra 172 – mostra que quase metade dos deputados apoiava o confisco. A ideologia por trás da proposta segue forte, organizada e perigosamente globalizada.

A batalha em Paris foi apenas uma escaramuça. A guerra pela liberdade é ideológica, global e perpétua. Os estatistas aprenderam com a derrota temporária e voltarão com propostas “mais moderadas” e “tecnicamente aperfeiçoadas”. O objetivo permanece o mesmo: estabelecer o princípio de que o Estado pode confiscar propriedade privada quando julgar necessário.

Nossa defesa mais poderosa é a clareza moral de chamar roubo pelo nome verdadeiro. O caminho para sociedade livre não é buscar impostos “melhores” ou “mais justos”, mas reconhecer a injustiça inerente a todo sistema de tributação compulsória e defender sem desculpas um mundo baseado no intercâmbio voluntário e direitos de propriedade invioláveis.

A proposta Zukman é ensaio para ataque global à sua propriedade. Hoje miram os bilionários, amanhã será sua vez. A história nos ensina que quando o Estado ganha poder para confiscar de alguns, eventualmente confiscará de todos.

Diante dessa ameaça crescente ao direito fundamental de propriedade, a pergunta que fica é: você está preparado para defender sua liberdade quando chegarem à sua porta?

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