Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela que assumiu o comando interino do país após a operação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, mudou drasticamente seu posicionamento em apenas dois dias. Passou de condenar a ação americana como um ataque à soberania venezuelana para propor cooperação com o governo Trump numa “agenda de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado”.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.
A mudança de posicionamento em tempo real
A guinada retórica foi notável. No sábado, 3 de janeiro, Rodríguez declarava que “jamais seremos escravos, jamais seremos colônia de qualquer império” e exigia “a liberação imediata do presidente Nicolás Maduro”. Dois dias depois, mudou para um tom conciliatório, propondo “relações respeitosas”.
O timing da mudança coincide com declarações específicas de Trump. O presidente americano havia alertado que “se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”. A mensagem parece ter sido compreendida em Caracas.
A mudança de estratégia diplomática contrasta com as declarações iniciais. Antes, segundo reportagens sobre seus pronunciamentos, Rodríguez falava em resistência. Agora, fala em “vocação de paz e convivência pacífica” – linguagem que analistas interpretam como sinalização de aquiescência.
Segundo análises na imprensa internacional, a demonstração de força militar americana teria influenciado uma reavaliação estratégica completa por parte das autoridades venezuelanas ainda no governo.
A estratégia de transição controlada
Trump foi direto sobre seus planos: os Estados Unidos vão “dirigir” a Venezuela por um período não especificado. A decisão de manter Delcy Rodríguez no poder interino, em vez de instalar imediatamente uma figura da oposição, segue o que especialistas consideram uma lógica testada.
Essa estratégia visa evitar o que analistas chamam de “efeito Guaidó” – a tentativa fracassada do primeiro governo Trump de instalar um líder oposicionista sem controle real das estruturas de poder. Manter alguém do regime existente, mas sob pressão externa, pode oferecer mais estabilidade na transição.
Há precedentes históricos similares na região. Em outros casos de mudanças de regime na América Latina, quando se optou por deixar figuras do próprio sistema conduzir transições sob supervisão, os resultados tenderam a ser mais duradouros.
A lógica, segundo análises, é que se torna mais difícil para estruturas militares e de poder resistir quando não têm uma liderança carismática para mobilizar apoio popular. Remove-se primeiro a figura emblemática, depois pressiona-se o que resta da estrutura a cooperar.
Demonstração de superioridade militar
A operação americana foi descrita como demonstração de “superioridade militar esmagadora”. Uma coisa é fazer discursos anti-imperialistas em Caracas. Outra é lidar com a realidade quando a máquina militar americana decide agir.
Segundo reportagens sobre a operação, mais de 150 aeronaves americanas participaram da ação, que neutralizou sistemas de defesa venezuelanos. A captura foi executada como operação relâmpago.
Trump comentou que Maduro “se entregou imediatamente” quando confrontado com a situação. Rodríguez, segundo análises, teria compreendido a mensagem implícita.
Quanto aos “aliados” tradicionais, China e Rússia, sempre vocais sobre “multipolaridade”, permaneceram notadamente silenciosos quando chegou o momento decisivo. Isso levanta questões sobre os limites reais dessas “parcerias estratégicas” na prática.
A questão petrolífera
Trump foi explícito sobre suas expectativas quanto ao acesso aos recursos energéticos venezuelanos. Declarou que empresas americanas vão retomar atividades no setor petrolífero.
As conexões de Delcy Rodríguez com o setor facilitariam essa transição. Como ex-ministra das Finanças e do Petróleo, ela possui conhecimento técnico da indústria, o que pode facilitar negociações que atendam aos interesses americanos.
Os preços do petróleo reagiram às declarações sobre os planos para as reservas venezuelanas. Investidores já calculam as oportunidades que podem surgir com a reabertura ao capital americano.
O país possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas décadas de nacionalização socialista transformaram-no num exportador marginal. A perspectiva de retorno das empresas americanas pode revolucionar o setor energético regional.
Geopolítica hemisférica
Trump enquadrou sua política através de uma “Doutrina Monroe” atualizada, visando controle sobre o hemisfério ocidental.
A ação na Venezuela envia uma mensagem clara para outros governos da região. Trump já sugeriu que a Colômbia poderia ser considerada para ações similares. A mensagem é que países que se alinham com rivais geopolíticos enfrentarão consequências.
Essa estratégia visa impedir que potências rivais instalem mísseis ou bases militares na América Latina. Um míssil lançado da Venezuela chegaria aos Estados Unidos em poucos minutos – por isso controlar governos regionais virou questão de segurança nacional.
O Brasil parece demonstrar compreensão da nova realidade. Desde negociações sobre tarifas, há menos menções governamentais aos BRICS. Analistas sugerem que essa porta se fechou, e que a pressão externa pode paradoxalmente preservar estabilidade democrática interna, reduzindo interferências em processos eleitorais futuros.
O fim de uma era
Trump deixou claro que os Estados Unidos vão supervisionar a Venezuela durante uma “transição segura”. Rodríguez funcionará como administradora interina sob essa supervisão.
A oposição venezuelana enfrenta uma situação complexa. Trump comentou sobre María Corina Machado que seria “difícil para ela ser líder” devido a questões de apoio interno. A preferência parece ser por transições graduais.
Embora a constituição venezuelana preveja eleições em casos de ausência presidencial, essas são circunstâncias inéditas. É provável que Washington supervisione um processo que garanta resultados alinhados aos seus interesses.
Para outros países da região, a mensão é inequívoca: acabou a era do “eixo bolivariano”. Governos que se alinhavam com Venezuela, Cuba e Nicarágua devem recalcular posições. A demonstração americana elimina ilusões sobre quem efetivamente tem poder de decisão na região.
Realismo político em ação
A mudança de posicionamento de Delcy Rodríguez marca o fim definitivo de uma era na política latino-americana. O modelo de desafio direto aos Estados Unidos, iniciado por Chávez, provou-se insustentável quando confrontado com a realidade geopolítica.
Isso não significa necessariamente o fim de governos de esquerda na região. Significa o fim de governos abertamente hostis à hegemonia americana no hemisfério. A nova regra parece ser: podem ter as políticas internas que desejarem, desde que não desafiem a supremacia regional americana.
A Venezuela pode finalmente iniciar uma recuperação econômica real. Décadas de experimentos socialistas bolivarianos destruíram um dos países mais ricos da América do Sul. Com empresas americanas retornando e instituições sendo gradualmente restauradas, há perspectivas de normalização.
Há uma lição sobre os limites do poder estatal autoritário. No final, toda a retórica revolucionária do mundo não consegue resistir indefinidamente à realidade econômica e militar. Mercados e liberdade individual sempre encontram formas de prevalecer – às vezes com assistência geopolítica.
Resta saber se outras lideranças regionais aprenderão com o caso venezuelano ou preferirão testar os limites da paciência americana. A resposta definirá o futuro da América Latina. Mas uma coisa é certa: depois de Caracas, ninguém mais pode alegar ignorância sobre as consequências de desafiar Washington quando este decide agir.
Fontes e Referências
- Trump: operação é um aviso a quem ameaçar soberania dos EUA | Agência Brasil
- Ninguém terá recompensa de US$ 50 mi por Maduro, diz Trump
- EN VIVO: EEUU captura e imputa a Nicolás Maduro
- 2026 United States strikes in Venezuela – Wikipedia
- Trump says U.S. is “in charge” of Venezuela, Maduro jailed in New York after U.S. military operation
- Trump says U.S. is ‘in charge’ in Venezuela after Maduro’s capture – The Washington Post
- Maduro Captured, Indicted After US Airstrikes on Venezuela – Bloomberg
- Updates: Maduro faces US court; Trump says US to ‘run’ Venezuela | US-Venezuela Tensions News | Al Jazeera
- The US has captured Venezuelan leader Maduro. Here’s what to know | CNN
- Nicolas Maduro arrives in New York after capture, arraignment expected Monday | Live Updates from Fox News Digital
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