O número de venezuelanos que recebe o Bolsa Família explodiu 190 vezes em apenas oito anos. De pouco mais de mil beneficiários em 2017, chegou a 205.526 em setembro de 2025. O custo? R$ 1,5 bilhão anuais pagos pelo contribuinte brasileiro para sustentar estrangeiros enquanto milhões de brasileiros permanecem na pobreza.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
O salto de mil para 205 mil beneficiários
A fuga provocada pela crise humanitária fez explodir o número de venezuelanos residentes no Brasil atendidos pelo Bolsa Família, passando de 1.062, no final de 2017, para 205 mil em setembro de 2025. Este crescimento representa um aumento superior a 19.000% em menos de uma década.
Para ter dimensão do problema: os venezuelanos representam 61% dos 331 mil beneficiários estrangeiros. Quando se observa a distribuição geográfica, percebe-se o impacto desproporcional sobre certas regiões. A concentração ocorre principalmente em estados fronteiriços e grandes centros urbanos, com São Paulo aparecendo como um dos principais polos, com cerca de 26 mil venezuelanos cadastrados em programas sociais federais. Roraima, um estado de orçamento modesto, transformou-se no epicentro dessa migração.
O dado mais alarmante é que, considerando que há 582 mil residentes venezuelanos no Brasil, aproximadamente um em cada três é atendido pelo programa. Isso significa que a cada três venezuelanos que cruzam nossa fronteira, dois trabalham e um vive do auxílio pago pelos impostos dos brasileiros. Um modelo insustentável a médio prazo.
A evolução temporal mostra a aceleração do problema. O número saltou dramaticamente na última década, de acordo com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Em 2021, eram cerca de 54.000 venezuelanos amparados. Dois anos depois, esse contingente mais do que triplicou.
Roraima virou fronteira do assistencialismo
O estado que mais sente o peso dessa política é Roraima, que se transformou numa espécie de portal de entrada para o Bolsa Família. A maioria dos venezuelanos residentes no Brasil entraram por Roraima e foram recebidos pelo governo por meio da operação Acolhida — criada em 2018 justamente para responder ao aumento no fluxo de pessoas que passaram a cruzar a fronteira.
A situação chegou ao ponto de famílias inteiras se estabelecerem no Brasil exclusivamente para acessar benefícios sociais. Entre eles, está um grupo de 68 indígenas da etnia Warao que moram no prédio de uma antiga escola em Maceió. Eles chegaram à capital alagoana em 2021 e hoje todas as 15 famílias recebem o Bolsa Família, além de outros benefícios, como o auxílio-gás.
O problema não para por aí. Além dos venezuelanos, os principais grupos de estrangeiros atendidos pelo Bolsa Família em setembro de 2025 são os bolivianos, com 25.227 beneficiários, seguidos pelos angolanos, que somam 14.031 pessoas. Na sequência aparecem paraguaios, com 12.731 atendidos, cubanos, com 12.465, e os haitianos ocupam a quinta posição com 11.751 beneficiários.
Para um estado como Roraima, com população inferior a 700 mil habitantes, receber dezenas de milhares de venezuelanos representa um impacto fiscal devastador sobre os serviços públicos locais. Hospitais, escolas e sistema de segurança colapsam sob a pressão da demanda ampliada.
Critérios frouxos facilitam acesso ao benefício
O MDS explica que a participação de pessoas nascidas fora do Brasil no Bolsa Família é possível desde a criação do programa, em 2003, e atende com transferência de renda as famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. A regra vale para imigrante (aqueles que deixam o país de origem por vontade própria) ou refugiado (forçado a fugir de perseguição, guerra ou violações graves de direitos humanos).
“O critério de elegibilidade é socioeconômico: as famílias precisam estar inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e possuir renda mensal por pessoa de até R$ 218”, diz a pasta. Para que um venezuelano ou outro estrangeiro receba a bolsa, o responsável pela família deve comprovar baixa renda e apresentar o CPF ou título de eleitor. Aos demais membros da família, basta apresentar um documento de identificação, como a certidão de nascimento.
Na prática, esses critérios são facilmente contornáveis. Como comprovar renda de quem acabou de chegar ao país? Como verificar se alguém realmente não possui recursos na Venezuela? O sistema brasileiro, criado para brasileiros, não tem mecanismos eficazes para auditar a situação econômica de estrangeiros.
O valor mínimo pago pelo Bolsa Família é de R$ 600 mensais, podendo chegar a valores superiores dependendo da composição familiar. Para alguém que vem de um país em colapso econômico, R$ 600 representam um incentivo poderoso. É mais do que muitos ganhariam trabalhando na Venezuela sob o regime de Nicolás Maduro.
A captura de Maduro e a nova onda migratória
A situação ficou ainda mais complicada com os eventos recentes na Venezuela. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, passou a primeira noite sob custódia em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York, após ter sido capturado pelos Estados Unidos em Caracas. Maduro é acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e crimes relacionados com armas automáticas.
Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, que capturou o presidente e sua mulher, Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder. O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas. Mas o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina.
Com o colapso institucional ainda maior na Venezuela, especialistas apontam que uma nova onda migratória é inevitável. Regimes acuados tendem à paranoia e à repressão intensificada. A sensação de vigilância constante se intensifica, e o medo se torna motor mais poderoso que qualquer incentivo econômico.
Se dezenas de milhares atravessaram a fronteira antes, o que esperar agora quando a situação caminha para o caos absoluto? Cada crise venezuelana se traduz em mais imigrantes no Brasil, mais famílias aptas a receber benefícios, mais pressão sobre o orçamento público.
O custo real: R$ 1,5 bilhão por ano
O impacto fiscal do atendimento a estrangeiros no Bolsa Família é estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. Para ter noção da magnitude, isso equivale ao orçamento anual de cidades médias ou poderia financiar milhares de obras de infraestrutura pelo país.
Esses R$ 1,5 bilhões não caem do céu. Saem do bolso de quem trabalha e produz no Brasil. São recursos extraídos compulsoriamente via impostos de brasileiros que muitas vezes ganham menos que os R$ 600 pagos mensalmente aos venezuelanos. É o trabalhador brasileiro sustentando quem nem nasceu aqui.
Em todo o país, o número de beneficiários caiu de 20,5 milhões para 19 milhões no período. Enquanto brasileiros saem do programa, venezuelanos entram em massa. A conta não fecha, mas quem paga são sempre os mesmos: os contribuintes brasileiros.
O problema se agrava quando observamos que estados com economias mais robustas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste sustentam políticas cujo retorno eleitoral se concentra em outras regiões. É um sistema perverso de redistribuição forçada entre regiões e nacionalidades.
O fracasso histórico do Bolsa Família
O Bolsa Família nasceu no governo de Fernando Henrique Cardoso sob o nome de Bolsa Escola. A proposta inicial era compensar falhas temporárias de renda enquanto o mercado de trabalho se ajustava. Com Lula, o programa foi ampliado, ganhou centralidade política e se tornou marca eleitoral do PT.
Mais de 20 anos se passaram. O programa ajudou a reduzir a fome em alguma medida, mas não rompeu o ciclo da pobreza crônica. A prometida mobilidade social se mostrou frágil e temporária. Famílias sobem um degrau, mas o piso se move junto com a inflação anual crescente, que destrói o poder de compra da moeda.
Na perspectiva libertária, o Bolsa Família representa arranjo ambíguo entre discurso altruísta e prática de coerção contra pagadores de impostos. Por trás do ideal de ajudar quem mais precisa, o mecanismo é sustentado pela extração compulsória de renda de quem trabalha. Trata-se de caridade financiada com dinheiro alheio.
Experiências internacionais reforçam esse diagnóstico. Na Finlândia, experimento de renda básica universal pagou 560 euros mensais a 2.000 desempregados escolhidos aleatoriamente. A ideia era eliminar o medo de perder o benefício ao conseguir trabalho. O resultado foi modesto: nenhuma diferença relevante em emprego ou renda, apenas leve aumento no bem-estar subjetivo.
A armadilha da dependência permanente
Ao combinar população de baixa renda e escolaridade com auxílio amplo e permanente, o resultado é a formação de curral eleitoral. O eleitor pobre passa a ser tratado como cliente cativo, transformando assistencialismo em sistema de compra de votos institucionalizada.
Permanecer pobre torna-se estratégia racional, já que aumentar a renda significa perder o benefício. O Estado cria o problema e depois se apresenta como solução indispensável. Programas de transferência de renda têm efeito paliativo, mas raramente emancipador.
Para agravar o quadro, a crise venezuelana ameaça desencadear nova onda migratória. À medida que o número de beneficiários cresce, o programa exige mais recursos, mas o orçamento público não acompanha esse ritmo. Em cenário de estagnação econômica e alta carga tributária, o risco de colapso fiscal se intensifica.
Quanto mais pessoas dependem do Estado, mais indispensável ele se torna. Essa é a armadilha da dependência: o governo cria necessidade e depois se apresenta como único capaz de atendê-la. Desmontar esse sistema passa a ser politicamente custoso, mesmo quando ele falha sistematicamente.
O debate eleitoral e o futuro do programa
O caso venezuelano estará no centro do próximo debate eleitoral, não por altruísmo, mas porque sem o Bolsa Família a esquerda perderia sua principal base eleitoral. Isso explica por que regiões conservadoras continuam votando em projetos políticos desconectados de seus valores culturais: o assistencialismo funciona como elo entre essa contradição.
A tendência será defender o modelo sem ajustes, rotulando opositores como inimigos do povo e agora como xenofóbicos. Para a esquerda, a questão não é caridade, mas sobrevivência eleitoral. A direita tentará adotar discurso mais responsável no campo fiscal, defendendo reformas no programa.
Como disse Ronald Reagan: “Não devemos julgar os programas sociais por quantas pessoas estão neles, mas por quantas pessoas estão saindo”. No caso do Bolsa Família, cada vez mais gente entra e poucos saem. É sinal de fracasso, não de sucesso.
Convém cautela: lucidez econômica não equivale à virtude moral absoluta. O problema não é ajudar quem precisa, mas transformar essa ajuda em política coercitiva sustentada pela expropriação sistemática da população produtiva.
A conta que não fecha
No fim das contas, o Brasil se tornou país que subtrai recursos de quem trabalha para dar a quem não contribui para a economia nacional. É política de Estado que privilegia estrangeiros em detrimento de brasileiros que pagam impostos e sustentam o sistema.
R$ 1,5 bilhão por ano para estrangeiros enquanto brasileiros lutam para conseguir atendimento médico, educação de qualidade e segurança pública. É inversão completa de prioridades, onde o Estado brasileiro serve melhor a quem nem brasileiro é.
Quando a caridade se torna obrigatória, deixa de ser virtude e passa a ser vício fiscal. E vícios, como se sabe, tendem apenas a crescer. O Bolsa Família para venezuelanos é exemplo perfeito de como boas intenções na política se transformam em problemas estruturais para quem paga a conta.
Enquanto isso, o contribuinte brasileiro continua trabalhando mais para sustentar cada vez mais gente. A pergunta que fica é: até quando esse modelo será sustentável? E principalmente: quem vai pagar quando a conta explodir?
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 15/01/2026 09:37



